Sexta-feira, Março 16, 2012
Sábado, Março 10, 2012
GRITO ROCK CHAPECÓ
O que é o Grito Rock?
O Grito Rock é um festival, que apesar de trazer ‘rock’ no título, é multicultural, multilinguagens, pois além da música (e não só rock), traz atrações variadas, como teatro, cinema, fotografia, exposições, oficinas, etc. Realizado em rede, é o maior festival integrado da América Latina e já se estende pelo mundo. Já são 15 países, incluindo o continente europeu e o México. Executado de 17 de fevereiro à 17 de março, período de festas relacionadas ao carnaval brasileiro e se apresenta como uma opção complementar aos tradicionais festejos. Neste ano, produtores de 200 cidades e 15 países se inscreveram para o Grito Rock. O festival chega a sua décima edição, alcança a Europa e propõe alternativas colaborativas e sustentáveis de produção e circulação de artistas, agentes e tecnologias. Idealizado em 2002, em Cuiabá (MT), pelo Espaço Cubo - um dos coletivos que deu origem ao Fora do Eixo, o Festival Grito Rock é uma alternativa, uma resistência, um ato, um espaço de propagação cultural, que vai além da massificação cultural promovida pela grande mídia e seus produtos. Uma plataforma independente de circulação. Este ano, o projeto representa um aumento de 55% em relação a 2011, quando 130 cidades e 10 países sediaram o festival.
As edições de cada cidade são produzidas de forma interdependente, e tudo, principalmente a logística entre elas, é construído colaborativamente, com o propósito de tornar sustentável a circulação de artistas, agentes, produtores, produtos e tecnologias.
Reflexo da conexão com diversos países latinos, este ano o Grito Rock se soma a 15 países e se estabelece em 14 cidades estrangeiras. Vários representantes da América do Sul e Central participam da décima edição: Honduras, Costa Rica, Guatemala, Argentina, Bolívia, Colômbia, Chile, e Nicarágua. O Festival ocorre também na Cidade do México, Los Angeles e em Braga (Portugal), realizado por brasileiros em parceria com agentes locais.
Como surgiu a ideia de trazer o festival para Chapecó?
Reflexo da conexão com diversos países latinos, este ano o Grito Rock se soma a 15 países e se estabelece em 14 cidades estrangeiras. Vários representantes da América do Sul e Central participam da décima edição: Honduras, Costa Rica, Guatemala, Argentina, Bolívia, Colômbia, Chile, e Nicarágua. O Festival ocorre também na Cidade do México, Los Angeles e em Braga (Portugal), realizado por brasileiros em parceria com agentes locais.
Como surgiu a ideia de trazer o festival para Chapecó?
A idéia de sediar o Grito Rock edição Chapecó, veio de um convite, de uma amizade e contato antigo que temos com o Xuxu, guitarrista da Cassin & Barbária, que veio para Chapecó para uma audição, junto ao Rafael Vilela, um dos produtores do Grito pelo Brasil, com seu coletivo Cardume, que fez a curadoria do palco Pretinho Básico para o Planeta Atlântida. O Xuxú nos comunicou por email que estaria vindo para Chapecó com o Rafael e o Marcos Espíndola do Contra-capa do DC, e que queria falar conosco. Então marcamos uma cervejinha na noite anterior da audição e o Rafael nos fez a proposta/convite para sediar o Grito aqui também, sabendo do potencial e da História que o rock autoral tem por aqui. Nisso, nosso projeto, o coletivo Entrevero de Rock, assumiu o evento, e em pouco tempo, conseguimos juntar forças e mobilizar um grupo para trabalhar e construir a idéia. E aí está, teremos o nosso próprio Grito aqui no ‘Velho Oeste’. Lembrando que todos trabalharão voluntariamente, colaborativamente, inclusive os artistas e bandas que irão se apresentar. Isso representa um avanço no relacionamento desse meio aqui em Chapecó. A partir disso, pretendemos criar mais espaços e formas de apresentações e expressões culturais e artísticas na região. E o Grito é isso, uma forma de criar, expressar, fomentar, resistir. Conseguimos alguns apoios, mas a maioria das coisas será feito sem verba, na cara e na coragem. De nada adianta ficar reclamando do mundo, das coisas, lamuriando pelos cantos, e não criar nada. A crítica pela crítica só reforça o esquema, e nós estamos aqui para construir espaços e ‘gritar’. Então vamos ao Grito, pois como diria Raul Seixas, afinal, ‘quem cala consente’.
Como funciona o processo para levar o festival para as cidades?
É muito simples. É só querer, se comunicar, unir esforços. Se existir um coletivo, onde pessoas se envolvam com a ‘causa’, a coisa acontece mais fácil, já que a idéia é justamente a ‘soma’. São feitos os contatos, o pessoal mais experiente dos coletivos espalhados Brasil afora dá o suporte para que os novos possam se integrar nas ações e conceito do festival. Assim a coisa cria corpo e acontece, de uma forma ou de outra, com ou sem verbas. Para a primeira edição, os investimentos são mínimos (no nosso caso), mas a vontade é muita e as pessoas envolvidas são batalhadoras. Então o negócio acontece, com certa independência das condições. Tivemos pouco tempo de organizar e propagar a idéia, coletar recursos e investimentos, mas, mesmo assim, em decisão coletiva, o grupo resolveu encarar os riscos para dar o seu Grito.
Além das bandas, quais outras atrações estão sendo pensadas?
Além da música, do rock, convidamos um povo do teatro para performances e/ou intervenções, o povo da capoeira e da percussão para suas manifestações, um povo para a arte fotográfica e registrar lances do evento, povo do cinema independente para uma mostra, malabares, algumas oficinas que estão em negociações... Para a primeira edição, acho que é isso, já que tivemos pouco tempo para preparar o evento. Foi tudo decidido de última, pois não conseguimos apoios, principalmente financeiros relevantes. E os custos existem. Então decidimos assumir os riscos e peitar a parada.
Como foi o processo de escolha das bandas?
Na verdade, foi de última também. Nos reunimos em reunião do Entrevero, discutimos coisas e seguimos a ótica e proposta do Grito Rock, dentro de determinada coerência, ou seja, bandas que compõe suas próprias músicas, que produzem seu próprio trabalho e de forma independente. Cada banda deve se apresentar de forma a divulgar seu próprio trabalho. Festival é festival, é troca, é construção e amplitude, diferente dos ‘bailes de rock’ que acontecem em alguns bares onde se prioriza o cover de bandas já consagradas na grande mídia. Criamos alguns critérios e fizemos os convites. Algumas toparam, outras não. Digamos que conversamos com algumas das bandas mais significativas da cidade, que possuem um trabalho mais solidificado com certa proposta e criatividade, e algumas de fora que assumiram a empreitada. Não abrimos mão de certa ‘qualidade’ musical e/ou artística nesse sentido, cada qual dentro de seu estilo e proposta. Bandas que repercutem por si só, pela força de suas músicas e de seu trabalho. É claro que algumas boas bandas, neste sentido, ficaram de fora, mas... É por aí.
Nossa intenção enquanto coletivo de bandas e afins, é, a partir desse nosso primeiro Grito, estender o alcance desse tipo de manifestação aqui no ‘Velho Oeste’, ou seja, construir outros espaços, alternativas de manifestação, outros eventos, pensando nesses focos espalhados pelo mundo que funcionam em rede e por integração, levando a produção própria e independente adiante. A princípio, já pensamos em um festival ou outro evento desse nível no inverno. Enfim. A idéia foi lançada, o espaço construído, agora é fazer o nosso Grito ecoar.
*Entrevista feita por Suzane Gobbi (Sul Brasil).. por Herman G. Silvani (Niko).
foradoeixo.org.br/institucional
O Grito para além das quatro paredes
Pra variar um pouco, um que outro gato pingado, os medíocres da miserável filosofia do vazio, em seus mundinhos virtuais, movidos por alguma dor de cotovelo de característica ‘emo’, por alguma inveja ou frustração, se botam novamente a criticar futilmente aquilo que está acima das suas mínimas condições de pensamento e ação. Me refiro a uma crítica medíocre ao Grito Rock que li num desses blogs intelectualóides de quem se auto-proclama ‘filósofo’ e não possui nenhuma tese, nenhuma idéia ou pensamento relevante, para assim se auto considerar, a não ser a reprodução do que já está a muito estabelecido. Nem sabem o(s) tolo(s) que a frase utilizada em uma das divulgações desse nosso ‘ato’, o ‘quem cala consente’, vem de um dado contexto e foi tirada de uma canção do Raul Seixas. Agora, se esse(s) raivosos da miséria filosófica e da crítica vazia e vulgar acham que o ‘Raulzito’ foi um ‘burro’ ou qualquer outro animal quadrúpede, é porque, decerto, conhecem o raso da sua obra tão abrangente, sarcástica e diversificada, como grande parte de quem saturou suas canções de tanto repeti-las. O que dizer então do raso de seus conhecimentos históricos, já não bastasse os filosóficos? No nazismo, as pessoas que tinham certa voz eram policiadas em suas expressões, seus gritos. Eram caladas de formas muitas vezes veladas, como ainda acontece hoje. E isso também só foi possível pelo consentimento, pela aceitação, ou seja, pela falta de resistência, de comunicação entre os grupos, as pessoas, que se trancavam em suas 4 paredes a lamentar e tremer de medo devido ao mundo que acontecia lá fora. De certo modo, faltou coragem, faltou propósito e até inteligência. Mas, isso não foi regra geral. Tiveram aqueles que resistiram e fizeram seus gritos ecoar, e eses são ouvidos até hoje. De nada adianta estar submergido em fundamentos se eles não servirem pra nada. Como bem anotou Thoreau “A arte da vida, da vida de um poeta, é, diante do nada o que fazer, fazer algo”. É simples! Mais simples do que os pseudo-filósofos tentam dizer, esses burocratas que só andam pelas sombras por não terem luz suficiente em seus caminhos mentais. Já passou o tempo – e faz tempo – dessa ira contra tudo e todos, seu último respiro foram os modernos ‘emos’ que já estão em vias de extinção. Ao contrário do que um besta ou outro acredita, gritamos pela diversidade, pelo não consentimento dessa ordem social-cultural manipuladora e mantenedora de produtos iconizados, de ‘verdades’ inventadas e reproduzidas pela massa anestesiada que aceita tudo passivamente por temer o conflito. É mais fácil trancar-se em si mesmo e se auto convencer de que a sua razão é a mais polida, que a sua ‘verdade’ é a única. Nisso, ‘nosso Grito’ é um grito resistente, pela criação e por nossa coragem de emitir sons além do ritmo homogêneo que dá o tom dos passos que marcham para o condicionamento. Portanto, o ‘Grito’ não é só meu, não é só aquele eternizado nas canções do Raul, nem só aquele dos escravos nas plantações de algodão num norte de uma América que originou o Blues e depois criou o Rock, não é um grito individual de quem quer que seja, mas é um grito de todos aqueles que ainda ousam, que ainda tem algo para dizer e fazer além das 4 paredes de um mundo que já virou paródia nas linhas da pseudo-miserável-filosofia de algum frustrado por aí. Enfim...
Vamos ao Grito!
hgs.
Quinta-feira, Março 08, 2012
Parte IV: parte final...
Terça-feira, último dia do Psicodália. Acordamos para o banho, começar arrumar as coisas e já um pouco caídos sabendo que aqueles dias sonoros estavam chegando ao fim. A tarde, novamente fomos atrás da coletiva de imprensa. E desta vez deu certo. Depois do show teríamos uma coletiva com Sá e Guarabira. Antes da dupla se apresentar, João Lopes e banda fizeram seu show. Bela apresentação, com canções mais folk e regionalistas. Muito bom! Conhecia algumas músicas e pude conhecer mais do trabalho desse cara. O público cantou junto e curtiu o show. O espírito já pronto para pegar a estrada e tudo mais tranquilo em clima de despedida.
*
Sá e Guarabira subiram ao palco sob aplausos saudosos de quase todos os acampados que ser reuniram debaixo da cobertura frente ao palco, dando mostras da sua importância para a música brasileira e respeito que esses músicos carregam consigo. Um belo show, onde o povo cantou junto - o ainda chamado por alguns ‘rock rural’ - da dupla, dançou e não arredou o pé da frente do palco. Antes do show, no acesso ao camarim, eis que encontramos uma figura inusitada e ímpar na história do rock brasileiro. Nada mais, nada menos do que Pedrão, baixista e voz de uma das bandas nacionais que mais gosto, a Som Nosso de Cada Dia. Pedrão tocou baixo com Sá e Guarabira. Como da outra vez que conversamos (na edição do Psico que o Som Nosso tocou – inclusive, um dos mais belos shows que já vi no festival), o cara foi muito simpático e carinhoso. A dupla Sá e Guarabira, por sua vez, foi muito simpática e fez canções conhecidas do grande público (algumas nem tanto), e a tarde assim aconteceu, com boa música, mais uma vez. Terminado o show, nos dirigimos para o camarim para a coletiva de imprensa. Poucos jornalistas estiveram presentes, e nós lá, mesmo não sendo ‘oficialmente’ jornalistas portadores de diploma, sendo, ou pelo menos tentando ser, coerentes com nosso propósito e trabalho no evento. E cá estão agora, nestas linhas mal riscadas, os frutos dessa ‘aventura’ psicodélica. Sá e Guarabira nos falaram do uso dos novos meios para se produzir e propagar a produção artística e musical, ou seja, a internet e seus caminhos. Se de um lado criticaram a pirataria por se apropriar da arte produzida pelo artista, de outro, relativizaram isso, dizendo que, hoje, graças a isso, o alcance de bandas independentes e artistas que não compõe o ‘jogo arbitrário’ da grande mídia, é maior. Falaram um pouco das suas carreiras e das mudanças através dos anos. Muito simpáticos se mostraram conhecedores das suas constatações. Sá, em tom de humor, percebendo a imagem do Bukowski na minha camiseta, lançou: ‘só falta agora, alguém com a camiseta do John Fante pra completar!’. Depois da entrevista a tietagem e a despedida. Uma chuva começava a cair. O povo a se despedir. Alguns ainda permaneceram no local para alguma apresentação que viria. De nossa parte, o trecho era longo e a chuva vinha que vinha. Tudo pronto e pé na estrada.
Sá
Guarabira
Pedrão (SNCD)
Sá, Herman & Guarabira
*
Cenas Psicodélicas do PSICODÁLIA:
Alegria, alegria.. dançando no show de Sá & Guarabira...
Restaurante com comida boa e barata.. o Prato Feliz, deixa mesmo o corpo feliz.. assim como o simpático e humano atendimento de quem trabalhou neste espaço tão importante..
Blues rolando na tardinha com Davi Henn..
Singela homenagem..
Tirolesa.. voar, voar..
Oficina de percussão
Acampamento de seres-amigos xapecoenses (como nós)...
e por falar em Xapecó.. não poderia faltar..
e a galera se reune pra fazer um som (e que som!) no meio dos acampamentos.. respira-se música..
Guto, Negão, eu e Júlio.. personagens de uma história real, mas não menos literária..
o 'bufão bêbado'.. arte.. intervenção teatral.. terrorismo poético.. ato anárquico.. tudo isso ou nada disso.. diversão com conteúdo..
e a galera cai na dança.. em destaque 'Plá'..
Pavão misterioso.. pássaro formoso.. (belo morador da Fazenda Evaristo)
Bandeira Pirata da Confraria da Costa na entrada dos camarins.. também levantada durante o show..
Imagem noturna, pessoas que se conhece & fantasmagoria (ao fundo)..
Desenho de luz.. arte na madrugada..
Proibido proibir!
Posando coletivamente para fotos..
*
Em algumas horas estávamos em casa, são e salvos. Agora é voltar para certa rotina, mas não completamente. Quem sempre está ligado nas artes, na música, na literatura, etc., nunca se submete totalmente a mecanização do cotidiano. Outros festivais virão, e quem sabe, no Psicodália do próximo ano, além deste ‘trabalho’, a Epopeia esteja pisando naquele espaço para uma apresentação. Enfim... Adiante!
...a Epopeia continua!
foto Paulo H. Cruz
Textos (não corrigidos ou revisados): Herman G. Silvani, ou Niko.
Registros fotográficos: Liza A. Bueno e Niko.
Segunda-feira, Março 05, 2012
parte III
Chega o domingo, terceiro dia do festival. Mais uma vez o Tai Chi fica pra trás. Devido a noitada, já que ‘fizemos uma noitada excelente’ (leia-se Arnaldo e Patrulha do Espaço, um puta disco ao vivo!), acordamos já era passado das 11h e o Tai Chi, mais uma vez, já era. Banho, almoço e tudo mais. E por falar em alimento, comida muito boa, novamente, bem temperada e gostosa, e o corpo agradece, e o paladar agradece! Tanto os lanches quanto o Prato Feliz, preço acessível e prato saboroso (uma das qualidades do Psicodália, ou seja, oferecer certo bem estar ao seu público, inclusive na acessibilidade e qualidade da comida e bebida, além do atentimento simpático e humanizado de quem faz a comida e a venda da alimentação no festival). Barriga cheia, corpo revigorado, e fomos nós prosseguir com o trabalho fotográfico. Perceber a diversidade que enriquece o festival, conversar com as pessoas, visitar as barracas comerciais, fazer contatos, etecétera, e o dia passa como um raio. A tarde chega ao seu final e o Tai Chi me espera. Novamente, perdi o trem. Não deu tempo. A prática já havia começado e eu não quis pegá-la pela mentade, então fomos comer e descançar um pouco, porque a noite seria boa. Um pouco descançado, acordei e fui cumprir com algumas necessidades básicas. Fomos para frende do palco no meio da tarde e tivemos uma das tardes e apresentações mais divertidas de todo o festival. No palco a belíssima banda Pife na Manga, de Florianópolis fez a festa. Tocando músicas da tradição nordestina, composições próprias, com dois pífanos (flautas transversais de bambu), e algumas percusões, o Pife na Manga fez o povo dançar, pular, sorrir, brincar, girar... Até eu larguei a câmera e fui pra ciranda, e que ciranda! Uma roda humana gigante, girando, dançando e fazendo uma espécie de ritual para a comunhão e a felicidade. Tocaram um bom tempo fazendo a alegria do público que respondeu com sorrisos e participação. Banda simpática e divertida para um público ‘idem’. E a tarde se fez entre sorrisos e diversão musicada.
Ciranda ao som de Pife na Manga... muita alegria & diversão!
*
Depois de todo o suor na dança da ciranda ao som dos pífanos, o corpo pedia um banho, quem sabe um descanço e um alimento. Foi o que aconteceu. O Tai Chi no fim da tarde deve ter acontecido, mas, novamente, eu não estava lá. Minha cisma com o Tai Chi, é devido aos anos que, quando mais jovem, praticava Kung-Fu, e era habitual alguns movimentos de Tai Chi antes da prática do Wing-Shu (estilo de Kung-Fu). Podem duvidar ou até rir disso, mas eu ainda iria pegar uma das seções da oficina de Tai Chi no Psicodália, ah ia! Mais um tempo e sobe no Palco Psicodália, Klaus Eira, um dos ‘cabeças’ responsáveis pelo festival. Klaus era baterista e trompetista da banda O Conto que, pelo que sei, se dissolveu. Então Klaus caiu na ‘carreira’ solo. A banda que o acompanhou nessa nova empreitada foi a Cadillac Dinossauros, boa banda já carimbada no festival. Uma apresentação boa, um pouco prejudicada por problemas técnicos no som. Mas Klaus, com sua experiência e talento enquanto compositor, deu conta do recado e fez sua parte. Composições muito boas, principalmente na parte instrumental. Não sei se foi só o Klaus que escreveu aquelas músicas, aqueles arranjos, mas que são ducaralho, ah são! Uma quebradeira instrumental.
Klaus Eira
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Depois foi a vez da esperada e também já ‘banda de casa’ Pata de Elefante, uma das mais cobiçadas do público no evento. Com seu instrumental impecável, a Pata arrebendou, como das outras vezes que vi a banda. Já tive a oportunidade de vê-la por 4 ou 5 vezes, no festival Armênios em Passo Fundo-RS, em outras edições do Psicodália e no teatro do SESC aqui em Xapecó. Competência! Essa é a palavra que defino essa banda. Entrosamento e pés no chão. A Pata de Elefante dispensa maiores comentários pois sempre faz um show agradável. Desta vez contando com um elemento a mais, o quarto elemento, um baixista (já que a banda era um trio). Então os guitarristas não precisaram mais se revezar no baixo. Enfim, Pata aglutinou o público na frente do palco e deixou, mais uma vez, sua marca no evento.
Pata de Elefante
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Todos aquecidos e bem dispostos que iria iniciar o show da banda, já ‘marca registrada’ no Psicodália, Confraria da Costa. No meio do povo todo, eis que encontro o Jacir, vocal e violão da banda Sopro Difuso, banda que, desta vez, infelismente, não tocou no festival. Uma pena, pois é das bandas nacionais que mais gosto e que sempre espero ver no festival. O Jacir é simpático e tranquilo. Grande letrista e compositor. Admiro muito esse cara. Trocamos idéia por um tempo, bebericando um trago e prontos para curtir a Confraria da Costa. Outras bandas que fizeram falta nesta edição do festival, além da Sopro, foram as bandas Sopa, Zé Trindade e O Sebbo. Mas, enfim... Começa o ato: ‘Preparar.. Apontar... Fogo!’ ..e o pau comeu! Todos cantanto, dançando, pulando, batendo seus copos e canecos ao som dos piratas. Como sempre, Confraria fez o chão tremer com suas já clássicas canções de pirata regadas a rum. Músicas novas foram executadas e, graças a Dionísio, o estilo e energia são os mesmos. Letras inteligentes, bem sacadas e um instrumental impecável. Confraria da Costa, a cada apresentação lança um jato de adrenalina e diversão e rebeldia e embriaguez no público que, contagiado, responde a altura. Baita apresentação que faz qualquer um emergir do fundo do mar. Então... ‘Se você vive a se lamentar..’ saiba.. ‘Coisas piores acontecem no mar’.
Jacir (Sopro Difuso) e eu.. charuto e trago esperando a Confraria da Costa..
Confraria da Costa
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Depois da festa dionisíaca proporcionada pela Confraria, parte do público se dirigiu ao Palco dos Guerreiros para a apresentação do ex-guitarrista e vocal da banda O Conto, Davi Henn, que como o Klaus, caiu em ‘carreira’ solo, só que, como monoband, ou seja, ele com seu violão, slide, harmônica e um batuque tocado com os pés. Muito blues para finalizar a noite nos palcos (a minha noite pelo menos). Uma bela apresentação para mexer o esqueleto, bebericar algum trago e bater o pé ao som do blues. Davi Henn também fez seu ‘dever de casa’ e deixou o povo feliz e de alma descançada para a continuação do festival. Bela apresentação! Terminada a apresentação, fomos dar uma volta e comer algo para depois esticar as pernas na barraca. Chegamos no acampamento e o som no Palco dos Guerreiros continuava. Deitamos e os pássaros já cantavam anunciando o dia que, logo, logo, clarearia.
Davi Henn
*
Acordamos e fui ver com alguém do horário, afinal o Tai Chi da manhã me esperava. Putaqueopariu! Denovo?! Perdi o horário. Já era segunda-feira, penúltimo dia do festival e nada do meu Tai Chi. Droga! Ficaria para a tarde. Almoço para repor as energias, banheiro e uma tarde de fotografias e curtição junto ao povo bonito do Psicodália. E cá entre nós, quanta gente bonita! ‘Masculinamente’ falando, é o lugar que tem mais garota bonita por metro quadrado, deusdocéu! Bem, vamos voltar ao propósito deste texto. Como eu ia dizendo (escrevendo, no caso), a tarde passou tranquilamente, com muita alegria e diversão. Crianças brincando, soltas, livres, junto aos cães. Monitores cuidavam dessas criaturinhas encantadoras que, se o Caos permitir, farão um mundo melhor, um mundo com ares de Psicodália. Utopia minha? Sim, pode ser. Porque não? Utopia não é idealismo nem ilusão. Pra mim, uma esperança, um pensamento positivo, uma perspectiva, enfim. Que seja!
As crianças e seus sorrisos..
Clima de tranquilidade e curtição.. no intervalo das apresentações..
*
Não sei como, mas perdi a apresentação da banda Os Flutuantes. Merda! Queira ver e fotografar essa banda, mas, perdido no tempo (no Psicodália o tempo parece mesmo ser relativo quanto os horários. Relógio? O que é isso? Não, não estou numa fábrica, nem tenho que cumprir horários como no cotidiano citatino, enfim). Voltando para a barraca, cruzei um povo reunido praticando o Tai Chi. Era a última seção da ofinica. Esgualepado fisicamente e um pouco torpe, não pude perder essa que seria minha última oportunidade no Psicodália, e me pus a praticar. Relembrei alguns movimentos, outros, acho que nunca havia visto. 15 minutos. Isso mesmo, 15 minutos foi meu limite. Aguentei até que pude. Meu corpo desobediente, insistia em me desafiar. Depois minha consciência gritou dizendo que, logo mais eu teria uma noite toda pela frente, entre canções, danças e pulos, drinks e muitos clics. Fui derrotado. ‘Sabe duma coisa?! Vou beber cerveja!’. Mas os 15 minutinhos de Tai Chi me satisfazeram. Pude pelo menos relembrar de algo e comprovar que, contra a lei da física, os argumentos mentais não são o suficiente. Sou desses que aceita e admite a derrota, por mais orgulho que eu possa ter. Deu pra suar bem. E de certa forma, acabei como um vitorioso. Pratiquei Tai Chi por longos 15 minutos (quer dizer, não tão longos). Mas fiz. Pude dizer de cabeça erguida aos amigos zombeteiros que riam quando eu falava que iria fazer Tai Chi no Psicodália.
Até que enfim, Tai Chi Chuan..
Depois disso, um banho rápido e a banda, também já ‘da casa’, Cadillac Dinossauros no Palco dos Guerreiros. Cadillac sempre faz boas apresentações. Agora com um novo baterista que destrói e com um guitarrista a menos. O vocal assume de vez a função. Além de cantar bem, o bicho manda bem na guitarra. Um elemento a mais trouxe certa inovação a banda, que mudou até as versões já existentes de suas próprias músicas, um saxofonista. Uma bela apresentação, como sempre fez a Cadillac, banda bem polida. Entre um swingado e algum peso, a Cadillac botou o público pra dançar e cantar suas canções já conhecidadas. O batera deu um show a parte e tudo acabou muito bem.
Cadillac Dinossauros
Volta-se ao Palco Psicodália. Outra ‘inovação’ deste ano no evento, os palcos ficavam frente a frente. Talvez pela praticidade da coisa, isso tenha facilitado o trabalho, mas, pessoalmente, eu preferia como era no ano passado, onde os palcos eram dispostos um de costas para o outro. Sei lá, mas o palco ‘2’, gerava um clima. O local era mais agradável para sentar, deitar na grama, curtir a tarde. Era mais no alto, tinha árvores próximas, outra iluminação natural, já que ficava acima do Palco ‘principal’ que, por sua vez, funcionava só a noite. Digamos, um atrativo a mais. Mas funcionou igual, o povo compareceu e viu as bandas. Chega a vez da também já ‘tradicional’ banda do evento, a catarinense Casa de Orates. Inovando na estética e com novas canções, Casa de Orates fez uma boa apresentação, como das outras vezes. Mais simples estéticamente, eu diria, mas, complexa musicalmente. Um balão gigante em forma de lua trouxe algo ao palco. Algo, não para ser compreendido, mas sim percebido, sentido. Casa de Orates tem uma peculiaridade que é uma linguagem um pouco teatral, com temáticas mais ‘fantasmagóricas ou bruxólicas’. Apresentação competente que cria um clima mais introspectivo na galera. Assim começava bem a noite no Palco Psicodália, com um hino motivador ‘aos loucos.. aos que produzem’. Esse foi o grande recado da Casa de Orates, cantado por todos e outros mais...
Casa de Orates
*
Alguns minutinhos e sobe ao palco uma banda que eu esperava muito ver. Trata-se da banda gaúcha de Santa Maria, Rinoceronte. Conhecemos Rinoceronte num programa da MTV (MTV procura com Cachorro Grande – bandas do Sul), alguns anos atrás, onde participamos do mesmo bloco do programa. As bandas foram eleitas para participarem deste programa, onde a Cachorro Grande tecia comentários e pontuações à cada banda. E lembro de termos ficado orgulhosos por obtermos a mesma pontuação da Rinoceronte, dividindo o mesmo bloco do programa. Uma puta banda que fez um puta show. Quebraram tudo! Um show simples, com um peso típico das bandas setentistas e um ‘Q’ de garage rock, estilo que inspira muito a Epopeia. Mas não aquele peso de pedais digitais de distorção a que muitas bandas de metal são adeptos, mas um peso sonoro, musical, dado pelas composições, riffs e timbres. Rinoceronte é uma banda de belos e pesados riffs. Um trio que veio pra ficar. Conquistou o público de cara e fez todos sentirem a vitalidade do rock na pele. Só isso. Quer mais? Rinoceronte para a próxima edição do Psicodália!
Rinoceronte
*
Depois da porrada sonora da Rinoceronte foi a vez de Rafael Castro e os Monumentais dar o ar da sua graça no palco. Como da vez passada, um show competente, inteligente, bem humorado. Músicas com certa complexidade, mas não a complexidade erudita do rock progressivo, mas aquela das composições mais populares, que põe o povo pra cantar junto. Letras inteligentes, bem sacadas. Adoro as letras do Rafael Castro, aquele sarcasmo, aquela ironia e crítica social ‘me gustam mucho’. Baita show, dinâmico e intenso, além de divertido, é claro! Uma saida de palco extrondosa, literalmente. Microfones e pedestais estourando no chão e um contrabaixo voando de um lado para o outro do palco. E a banda sai de cena. Deixa seu recado e o palco pronto (ah, quer dizer, nem tanto.. hehe!) para a que seria a ‘principal’ atração da noite, a setentista Casa das Máquinas. Depois tive um papo rápido com Rafael Castro no camarim. O bicho é gente boa e nos convidou (eu e o Paulo ex-Ultraleve) para uma cervejinha.
Rafael Castro e os Monumentais
*
Alguns minutos se passaram até que o palco ficasse pronto novamente e então foi a vez da aclamada e esperada Casa das Máquinas. Passamos algum tempo atrás da coletiva de imprensa, mas os desencontros e a dificultação ao acesso dos camarins dado a imprensa este ano, não permitiu que colhecemos informações atualizadas da banda. Mas tudo bem, quando se tem propósito e vontade, a coisa acontece, de uma forma ou outra. E estamos aqui. A Casa das Máquinas inicia seu show com muita energia, como da outra vez que subiu ao palco do Psicodália. Só que desta vez com uma formação diferente. Um dos elementos fundadores da banda, o baterista Netinho (também baterista dos Incríveis), não esteve presente, infelismente. Mas estava o Marinho nas baquetas e o tecladista, membro original da banda. Um maestro. Isso mesmo, o cara é um maestro. O guitarrista desta vez não foi o Faísca, o que deixou o show um pouco menos ‘pesado’, digamos, mas não menos técnico, musicalmente falando. Os músicos tocavam demais. O vocal também mudou. Da outra vez quem fazia os vocais e baixo era o vocal da banda Doctor Sin. Desta vez foi um figura mais hard. Pessoalmente não gostei tando do vocal, sinceramente, achei um pouco ‘poser’, sei lá – se bem que algumas músicas ele cantava bem, considerando o vocal difícil das originais com o Simbas. Mas isso não significa que foi um show ruim. Talvez para quem esperava ver o Casa como era, com o Simbas no vocal, o Pisca na guitarra e o Netinho na outra bateria, houve certa decepção. Pra mim não, já sabia mais ou menos como seria. Então curti. Não pela banda, mas pelas canções. Tocaram um belo repertório. Quase não contive as lágrimas ao ouvir ‘Vale Verde’, ‘Mania de ser’ e ‘Astralização’. E os teclados deram um show a parte. Efeitos e viagens sonoras. E o povo cantando junto as músicas tão rodadas e queridas do Casa. Achei que em algum momento iriam fazer uma homenagem ou referência ao Pisca, antigo guitarrista que deixou sua marca na banda e que morreu a pouco tempo. Fiquei feliz em ver amigos que convidamos estarem por lá e se emocionarem com o show. E a noite, mais uma vez, estava ganha.
é.. vou morar no ar!
*
Fim das atividades no Palco Psicodália. Viramos para a direção oposta e nos encaminhamos para o Palco dos Guerreiros. Em poucos minutos a banda Goya faria sua apresentação. Jazz funkeado instrumental, com swing e muito improviso, pôs o povo pra dançar. O Sax comendo solto e a bateria quebrando tudo. Quando puxaram um riff do King Crimson, banda que gostamos muito, foi só alegria. Goya também é uma banda carimbada no evento. E que bom!
Goya
Como das outras vezes, iríamos descançar pois já era muito tarde, mas sendo a última noite do evento, resolvemos ficar mais um pouco e ver qual éra da banda Geléia Cósmica, banda que tocava todo final de noite. Acho que era uma junção de músicos que faziam um som pros sobreviventes. Mas independente disso, putaqueopaiu! Gostei muito! Banda dinâmica pra caralho! Flauta, órgão, guita e baixo e um baterista foda! O cara tinha estilo. Tocava com certa levesa e simplicidade. Mas com uma técnica que chegou a me lembrar uma das bandas que mais gosto, a argentina setentista La Máquina de Hacer Pajaros, do mestre Charly Garcia. Adoro bateria e se fosse baterista, acho que iria tocar daquela forma. Depois fomos pro Saloon curitir uma batucada coletiva, já que desta vez, não sei porque cargas d’água, não vi banda tocar naquele espaço dionisíaco. Uma galera saiu do Saloon e foi pro meio da rua com instrumentos acústicos continuar a festa que se prolongou até o amanhecer, aliás, era a última noite do Psicodália e dormir era o que menos importava naquele contexto.
os guerreiros da Geléia Cósmica
Continua...
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