terça-feira, agosto 16, 2011

EPOPEIA, 10 anos de rock e psicodelia!

Depois do fim da banda de garage rock Tribo Audaz, em que éramos um trio (Giva, Liza e Niko), passamos a inserir mais psicodelia e progressividade nas nossas músicas. Foi assim que surgiu a banda Epopeia. Convidamos o Jakson Kreuz (antigo Bauretes Quisofônicos, hoje maestro-pianista) para fazer órgão e piano na banda. Assim, entre experimentações sonoras e musicais, Epopeia se encontra com o rock progressivo. Musicas longas, cheias de efeitos e referências eruditas, além da ‘confusão’ psicodélica. Em alguns anos, bateristas entraram e saíram da banda, a maioria muito bons (umas das peculiaridades da banda).


Eu, a Liza e o Jakson, mantínhamos a idéia e as composições em dia, até que o Jakson foi para Porto Alegre fazer sua faculdade de composição musical, e novamente, nós nos encontrávamos em um trio de garage rock, sendo que, nossa ‘escola musical’, tanto minha quanto da Liza, foi o punk rock – hard core e o garage, só que agora com um elemento a mais (e que nunca mais nos largou), a psicodelia. Eu toco rock desde meados de 1993, quando montei minha primeira banda, a G.D.P. (Gritos de Protesto). Uma banda punk-HC, suja, irada e direta. Mal sabíamos tocar. Eu cantava, o Gugo tocava bateria e o Cristian, baixo. Sem guitarra, ligávamos o baixo numa caixinha ‘Fran’, daquelas bem baratas, aumentávamos o volume e: ‘eis a distorção!’. O baixo soava como uma guitarra. Era tudo o que precisávamos.


Na época eu já tinha uma noção básica de violão, então aos poucos, fui introduzindo uma guitarra na banda. Por não gostar do instrumento, convidei um amigo para compor as guitarras, o Flávio Tubino, antigo roqueiro que tocava em bandas do início dos anos 90 aqui em Xapecó. Aos poucos fui pegando gosto pela guitarra, e quando Marcelo Téo entra na banda, já dividíamos a função. Logo, teríamos duas guitarras para engrossar o caldo punk que preparávamos para saciar nossa fome sonora. De G.D.P. mudamos para Restos de Nada, depois Igual a Nada e por fim, Princípio do Fim. Com este nome inauguramos (e fechamos também) alguns importantes espaços do rock chapecoense, como o bar ‘Leros e Boleros’ e o ‘Jamaica’ no calçadão. Festas como a ‘Cantando com los muertos’ também foram cruciais na nossa trajetória, entre outros. Depois disso, muitas bandas punks surgiram e terminaram também.


A Princípio do Fim durou até meados de 1995. Me juntei a outros amigos para continuar com os projetos de rock na cidade. Sem banda fixa, criamos o projeto ‘Improvizzo’, onde compúnhamos algumas músicas e tocávamos outras de terceiros, tudo na linha punk – hard core, até que um dia, eu, o Giva (hoje Ruído/mm e RedTomatoes, Curitiba) e o Dani Téo (irmão do Marcelo, hoje produtor em estúdio em Porto Alegre), montamos uma nova banda que se chamou X-Meleka. Dani saiu da banda e entrou no seu lugar o Wlady, substituindo a Liza, até que essa aprendesse a tocar seu instrumento, o baixo elétrico. Com esse trio, foram várias apresentações, em dois anos e meios de atividades, mais ou menos.


Fundamos, junto a outras bandas, alguns espaços importantes do rock chapecoense na época, como o ‘República Rock’, na boate do CRC, o ‘Hollywood Rock’ bar e o ‘Domingo Lesgau’, onde várias bandas tocavam todos os anos na avenida central, entre outros. Gravamos uma demo-tape, e uma música numa coletânea em CD de bandas independentes de todo o Brasil. Depois ainda tivemos uma música nossa regravada por uma banda paulista.









A Liza entrou no final da X-Meleka, quando saiu o Wlady. Logo, a banda viraria a Tribo Audaz, e do punk-HC-Ska, nos tornaríamos garage rock. A Tribo Audaz teve vida curta, mas não menos intensa. Tocamos na nossa primeira feira (EFAPI), em 1997 ou 98, se não me engano, e fizemos várias viagens para festivais de rock no sul do país, levando sempre, um ou dois ônibus lotados, com público, amigos e outras bandas.



A ida do Giva para Curitiba, fez com que a banda parasse por alguns meses. Mas logo, logo, surgiria a Epopeia. Eu, Liza, Jakson e João Santin na bateria, tocamos os primeiros acordes com este nome, em 2001. Depois, João vai embora para Florianópolis e em seu lugar entra Marcelo Carraro. Marcelo, depois de um tempo também vai para o litoral estudar, e em seu lugar entra Marlon Zanin. Eu, cansado de cantar, e já que nunca fui ‘cantor’, deixei meu posto para uma amiga que ficou um curto tempo na banda, até também ir embora, a Sú. Marlon sai da banda e com a volta do João para Xapecó, a bateria novamente estaria ocupada. Lizzi, assume os vocais por um curto período de tempo também.




Eliz, que é irmã da Liza, entra na banda para uma única apresentação. Lá vou eu novamente pros vocais. João sai novamente da banda e Jakson então vai embora para POA e a banda estaria novamente em risco, mas não por muito tempo.








Eis que surge em cena Fabrício Tubin, e com suas ‘baquetas voadoras’ e modo peculiar de tocar, contribui para que a Epopeia adquira sua ‘própria voz’. Como um trio de garage rock psicodélico, tocamos durante uns cinco anos. Até que Eliz volta pros vocais e, enfim, a Epopeia chega ao seu som. Entre seis e sete anos tocando juntos, em janeiro deste ano, Tubin sai da banda e do mundo material (pelo menos fisicamente), o que nos causa imenso abalo. Pensamos em encerrar de vez as atividades com a Epopeia devido ao acontecido e as dificuldades em se fazer rock por aqui, mas graças ao apoio de amigos, fãs e admiradores, e pela entrada de um novo e também grande baterista, a banda continua.








 
Logo, logo, estaremos novamente em ação, com surpresas, novas músicas e sonoridades, com a nossa pegada e energia já características, novas versões e possibilidades, nosso ‘espírito sonoro’ revigorado para, novamente, tocarmos por aí...


Em breve!


  


 A Epopeia continua!


domingo, agosto 07, 2011

Entrevista... 'em breve, nos palcos novamente!'

         * Entrevista para o jornal Sul Brasil (na íntegra) – com a jornalista Petra Sabino.

Por: Herman G. Silvani (Niko)


- Quem são os componentes da banda; nomes (como querem ser chamados na matéria) e funções?

R: Maninho: bateria; Liza: baixo; Niko: guitarra/voz; Eliz: vocal.


- Fale sobre a banda: desde quando existe, formação original, estilo (rock nacional, internacional, pop e etc), planos futuros, o porquê do nome...

R: Epopeia iniciou em meados de 2001, comigo, a Liza e o Jakson (teclados). Logo entrou o João Santin na bateria e a banda estava formada. A proposta inicial era o Rock Progressivo, mas aos poucos fomos absorvendo, experimentando, nos transformando e adquirindo uma voz própria. Ao contrário de algumas bandas que se dizem ‘anti-rótulos’ só pra não se comprometerem com o que realmente estão produzindo, nós nos caracterizamos dentro do que gostamos de chamar de ‘rock psicodélico contemporâneo’ (e isso não significa limitação ou rótulo, é apenas uma espécie de identificação ou identidade, importante como referência). Flertamos também com o Garage Rock e a Soul/Black Music. Mas as referências são muitas e amplas. Pesquisamos, ouvimos muita coisa e experimentamos também. O nome foi dado pela ‘força’ que ele mesmo traz em si. Ou seja, Epopeia é um ‘estilo’ de poesia clássica, geralmente longa e que conta uma História de grandes feitos humanos. Relacionamos isso ao rock, devido a sua própria História, que é grandiosa, que é um feito, uma Epopeia, não só passada, mas atual, que continua, talvez a maior de todos os tempos. É isso. Planos, temos alguns, mas sempre com a consciência do que queremos com a banda. De mais ‘imediato’, pretendemos gravar as músicas novas e fazer um vídeo clip... logo, logo...


- Cite algumas músicas presentes no repertório (cover).

R: Não somos uma banda ‘cover’ pois nunca pretendemos chegar perto das músicas das bandas ‘originais’. Fizemos ‘releituras’ ou ‘versões’ daquilo que gostamos e conseguimos adaptar ao nosso ‘modo’ ou ‘estilo’, levando em conta nossa pegada, timbres e sonoridade. Tem que ter nossa ‘alma’ ali, senão não rola. Mas dá pra citar como ‘releitura’ algo tipo... Os Mutantes, Plástico Lunar, algo de Patrulha do Espaço, The Who, Jafferson Airplane, The Kinks... por enquanto tocamos isso. Por aí...


- Possuem músicas próprias? Quantas? Cite algumas.

R: Possuímos várias músicas próprias, não sei dizer no momento quantas exatamente, mas mais de 15 e menos de 40 é certo. Na verdade, a maioria do nosso repertório é de músicas próprias. Duas delas, volta e meia, tocam nas rádios, que são do nosso CD mais recente. São elas: ‘O que penso de mim’ e ‘Ventiladores’. Mas as novas que ainda não foram gravadas, estão mais coerentes com nossa cara atual. Entre elas posso citar: ‘A vida é agora!’, ‘Estranho delírio’, ‘Olhos vivos’ e a mais recente: ‘Diferente de você’.



- Locais que costumam tocar (região Oeste, etc).

R: Além do nosso estúdio de ensaio (o ‘quarto sonoro-literário’), em algumas casas de shows, bares de rock, algumas feiras, no teatro do SESC... Já tocamos mais distante, como em Curitiba e Porto Alegre, mas no momento é por aqui mesmo...


- Comente sobre as principais dificuldades encontradas no decorrer da história da banda.

R: Dificuldades foram muitas. Falta de grana pra investir na banda, de apoio comercial-empresarial (já que estamos falando de tocar num mundo capitalista, e sob tudo no Brasil), espaço adequado para o rock, tempo, oportunidades, entre outras. Uma dificuldade triste, foi superar a perda do nosso grande amigo e baterista anterior, o Tubin. Até havíamos cogitado em parar com a banda num primeiro momento, mas graças ao próprio Tuba e a sua energia que continua conosco, ao amor pela música, a nossa amizade dentro da banda, aos demais amigos, admiradores e ao Maninho (novo batera), que apostou e assumiu corajosamente as baquetas, prosseguimos. 


- Relembre algumas histórias curiosas vivenciadas pela banda.

R: Histórias curiosas? Tem várias. Mas no momento ta difícil de relembrar. Eu diria que um momento interessante, foi quando fomos escolhidos, selecionados, entre as 17 bandas do Sul do país, via audição, pela banda Cachorro Grande e pela MTV, junto a banda Repolho, a participar de um programa produzido pela própria MTV, sendo uma das duas da região Oeste. Isso gerou uma grande troca de informações e conhecimentos entre as bandas escolhidas, além da diversão, e do destaque, é claro.


- Costumam ensaiar quantas vezes por semana? Onde?

R: Tentamos ensaiar pelo menos uma vez por semana. Às vezes conseguimos duas, mas às vezes também, nenhuma. Ensaiamos no nosso estúdio o ‘quarto sonoro-literário’.


- Esta é a primeira edição da Efapi que a banda participa?

R: Não, não. Enquanto Epopeia, é a nossa terceira ou quarta Efapi, não lembro bem. Mas antes ainda, eu e a Liza já tocávamos na feira com nossa antiga banda, a Tribo Audaz. O Maninho também tocou com sua banda anterior, a The Sulky. Já somos ‘velhos’ conhecidos da feira.


- O que acham da programação de shows nacionais?

R: Tem certeza que quer saber disso? Isso é importante? Então tá... Aquela coisa... Não me surpreende as ‘escolhas’ dos shows externos. Acho que o show mais interessante que já vi numa Efapi, foi o do Titãs alguns anos atrás e o da Ana Cañas na edição anterior. O Rappa também foi legalzinho. Este ano, ‘o nome’ da feira vai ser o Amado Batista (poderia ser o Arnaldo Baptista – Mutantes), mas... É capaz de até irmos curtir o ‘Amadão’. Os demais, deixamos pra quem segue ‘as tendências’, como dizem nas coleções verão-inverno das butiques pela televisão. Temos alguns critérios e motivos pra ouvir e gostar de determinados estilos, um deles é a intensidade, a linguagem artística do show, o que vai muito além do produto e dos modismos midiáticos. Na minha opinião, essa vai ser uma Efapi ‘intelectual’ ou ‘sertaneja universitária’ nos seus shows ditos ‘nacionais’. Somos mais as atrações locais mesmo, mais diversidade pelo menos. Enfim... Cada um tem o ‘espetáculo’ que merece, não é?


- Com a nova ortografia, é Epopéia ou Epopeia?

R: Sem o acento agudo no ‘e’. Na verdade, nunca teve o acento, desde que gravamos o primeiro CDzinho, já usávamos assim, devido a universalidade do termo, que é sem acento. Portanto, independente da reforma ortográfica, é Epopeia.

sábado, julho 23, 2011

Morte aos 27... Uma ‘tradição’ entre artistas...


Acordei da sesta de meia hora, lavei meu rosto e puxei meu notebook para trabalhar. Precisava escrever um texto para o jornal. Sempre quando faço isso, antes dou uma olhadinha na internet, nos portais noticiosos ou no facebook, pra saber o que anda rolando no mundo. E hoje a notícia não foi agradável. Ta certo que não sou dos maiores fãs da moça, mas admirava seu trabalho, suas composições, seu estilo retro e sua sonoridade black. Volta e meia ouvia seus discos, que cá entre nós, são muito bons. Tem clima. Tem timbre. Tem vocal que canta e não faz só pose. Tem música. É uma pena, mas a música mundial perde mais uma artista das boas, no meio de tanto lixo industrial. Falo de Amy Winehouse.

Duas coisas que Amy gostava de fazer...

Amy comprova que coisa boa também pode estar na grande mídia (porque não?). Uma das maiores cantoras do meu tempo vinculada na grande mídia. Pelo menos, das que levava sua música ao público, com autenticidade e não meramente produção, como poucas... Nunca consegui falar direito seu nome. Amy Winehouse foi encontrada morta hoje. Como tantos outros gênios da música, sob tudo, do rock e/ou soul music, Amy morreu com seus 27 anos. E além da artista, do sucesso que era, era gente. Gente que, não figurava entre aquelas que no mundo do espetáculo, existem apenas enquanto ‘mercadoria’, ou seja, as que são totalmente produzidas para vender, impressionar, moralizar. Passar uma idéia falsa de beleza, saúde, bem estar, ‘bom mocismo’. É o ‘politicamente correto’ da indústria da cultura. Amy não se limitava a isso. Com sua beleza meio torta, estava além dessa hipocrisia. Além do ‘ideal’ difundido pela ideologia da cultura de massa. Assim como muitos outros que já se foram. Posso citar entre eles, Jimi Hendrix, Jim Morrison, Janis Joplin, Keith Moon... Todos mortos por excesso. Não só de drogas ou bebidas, como muitos vão julgar. Excesso de vida. Viver é arriscar-se. Viver é ousar. E quem faz isso? Não estou dizendo que para isso é preciso matar-se, não é isso. Mas muitas pessoas precisam de mais do que simplesmente cumprir com desígnios, compromissos, funções sociais. Tivemos uma experiência bem próxima. Passamos por isso enquanto ‘artistas’ que somos. Enquanto banda que somos, quando perdemos nosso baterista anterior e grande amigo, o Tuba. Quem o conhecia de verdade, sabe do que eu estou falando. E ele também foi genial no que fez. Quem já o viu inspirado em noites de rock com as baquetas na mão, também sabe do que eu estou falando. Enfim. A história não se repete, mas algumas coisas acontecem que nos fazem perceber as similaridades existentes. Amy Winehouse, mais uma a deixar rastros na história da arte e da música.


Herman G. Silvani

quinta-feira, julho 21, 2011

Rock na EFAPI 2011



Saiu a lista das bandas e músicos locais que vão tocar na EFAPI 2011. Pra mim, nenhuma surpresa. Fazendo 'justiça', a comissão 'elegeu' muitas atrações locais que não poderiam ficar de fora, devido as suas histórias - e de seus membros, além da musicalidade e/ou proposta artística-cultural das mesmas. Serão muitos artistas, muitas apresentações. Nisso, me parece que todas, ou quase todas que se inscreveram, foram contempladas e terão seus espaços na feira. Legal!


Entrevero de Rock na feira

Na EFAPI passada, o Entrevero de Rock teve um espaço 'alternativo' para bandas se apresentarem ao público e dialogarem entre si. Algumas delas tocaram pela primeira vez neste espaço, contemplando um dos objetivos do projeto, que é abrir e construir espaços pro rock autoral, além de divulgar as bandas. Este ano, avançamos, teremos a noite do Entrevero de Rock...

A História não se repete - nunca! Mas acontecem práticas, atos ou ações que reproduzem com similariedades acontecimentos passados.No rock, algumas bandas que achei que não existiam mais, deram o ar da sua graça. Mas isso também já não é mais surpreza. Digamos, uma 'tradição' em se tratando de EFAPI.

Entre as bandas da cidade que vão tocar estão as entreveradas Sétmo Selo, Paranóia, Spharion, Mister Magoo e Epopeia (nós). O Entrevero, a princípio, terá uma noite de rock pra si, devido a organização e fundamentação do projeto. Nada mais justo para aqueles que atuam em coro e promovem o rock xapecoense. Outras bandas importantes da cidade como Os Variantes, V-Yes, Dazantigas, Os Bigodes, entre outras, também se apresentarão (fará falta novamente, a banda Repolho, que já não se apresentou na edição passada). A belíssima musicalidade de Marcio Pazin & Carol , entre outros estilos, também fará parte dos shows locais. A EFAPI 2011, acontecerá entre os dias 07 e 16 de outubro. Só esperamos um bom clima, um bom som e o diálogo profissional entre técnicos de som e palco e as bandas, pois é da relação entre estes, que a música e a arte virão a ser a principal atração. Enfim...

Adelante el rock!

quarta-feira, julho 13, 2011

Aspectos da História do Rock



Rock - & o problema da definição

Ei Herman... Ei Niko! Não vai escrever nada sobre o dia internacional do rock? Mais de uma pessoa me pediu isso hoje. E devido à correria do dia-a-dia, acabei não escrevendo mesmo. Não até agora. Hoje é quarta-feira, dia 13 de Julho, e é comemorado o Dia Mundial do Rock. Pelo que sei, data criada pela Organização das Nações Unidas (ONU), em homenagem ao show Live Aid, que aconteceu em 1985. O evento, organizado pelo cantor Bob Geldof, tinha como objetivo arrecadar fundos para o combate da fome na África e foi considerado o maior show de rock da Terra, reunindo astros da música pop e do rock mundial. Na época, o concerto foi realizado simultaneamente na Inglaterra, na Filadélfia e nos Estados Unidos. Essa datação é um pouco controvérsia e divide opiniões. Portanto, não vou dar ênfase pra isso aqui. Mas é claro que a História do Rock não se resume nisso. Muito antes, ainda nos anos de 1960, outros grandes festivais, e ainda mais marcantes, do ponto de vista cultural, aconteceram. A Woodstock e o Festival da Ilha de Whigt foram dois deles. Grandes nomes do rock e da música despontaram nestes festivais. Nomes como Jimi Hendrix Experience, Jefferson Airplane, The Who, Leonard Cohen, Richie Havens, Joe Cocker, Grateful Dead, Janis Joplin, Miles Davis, entre outros. Esses festivais de certo modo fortaleceram o rock, enquanto estilo musical e comportamental. Eu pessoalmente, não entendo o rock como simplesmente um gênero musical, pois, além de música, o rock traz em si uma atitude, uma visão de mundo, um modo de comportamento que o torna um tanto, digamos, peculiar. Música por música, podemos falar desde o Barroco ao sertanejo universitário. Mas cada um dos estilos ou gêneros musicais tem em si características que os ‘definem’, ou no mínimo, os diferem um dos outros. Não fosse isso, tudo seria visto como ‘igual’. Nisso, as classificações (ou rotulações como alguns preferem chamar), podem ser interessantes - senão necessárias. Alguns se assumem dentro de algum estilo, outros preferem a ‘abertura’, ou o não comprometimento, outros ainda, a hipocrisia. Mas nós aqui, vamos ‘botar os pingos nos is’, ‘dar nome aos bois’. Então, partindo do princípio de definição, eis que surge a pergunta: ‘O que é o rock?’. Para tentar, ao menos, respondê-la de forma, um pouco fundamentada, vamos aos debatedores do tema, aos pesquisadores e teóricos. Em minha tese-pesquisa de graduação na área de História, trouxe um pouco disso a tona. Alguns teóricos defendem a idéia de que “o rock é um ‘movimento musical’ ou um ‘fenômeno artístico cultural’ que comporta uma atitude, um comportamento com suas características próprias. Há também os que reduzem o rock a um descartável produto de consumo, a uma simples moda passageira. Para o historiador Paulo Chacon “O rock é muito mais do que um tipo de música: ele se tornou uma maneira de ser, uma ótica da realidade, uma forma de comportamento”. (não sei você, mas eu fico com Chacon e com a idéia do ‘rock música-comportamento’ e não simplesmente ‘música-produto’). Não estou dizendo que o rock não seja um produto difundido pelos meios e que também alimente a Indústria da Cultura, do entretenimento, apenas não estou tratando-o como um mero produto efêmero. Vindo de um período pós-guerra, adentrando na Guerra Fria, o conceito de jovem, tal qual conhecemos ainda hoje, na década de 60 passa a ter voz própria e ativa na sociedade. Nisso, o rock foi um dos principais instrumentos para essa voz ecoar. A contracultura, o Maio de 68 francês, o movimento Hippie, as experiências comunitárias e de gênero, o feminismo, o experimentalismo psicodélico, a literatura beat, os happenings, etc., todos coligados em tempo e perspectivas, tendo como trilha sonora o rock e suas variações. Isso acaba fundamentando que o rock vai além da música e dos modismos da indústria. Dissimulando as localizações, dá até pra se ‘brincar’ dizendo que, entre os ‘eruditos’ ou ‘clássicos’ da música, Beethoven foi ‘o roqueiro’ - ao compor sua 9ª sinfonia. Quem não conhece, sugiro que pesquise Walter Carlos (o criador do sintetizador) e ouça o que ele fez a partir de Beethoven (leia-se: trilha sonora do filme - preferido dos punks, de muitos roqueiros e entre os meus preferidos - ‘Laranja Mecânica’, de Stanley Kubrick).


Minha relação com o rock (ou ‘o que também me constitui’)

Ainda criança, lá com os meus 9 anos de idade, era fã dos filmes do Elvis Presley, assim como fã dos filmes do Roberto Carlos. Já com 10 anos, fui presenteado com alguns discos de vinil de um primo mais velho de Passo Fundo – RS. Ganhei, dos que ainda me lembro, o disco ‘Lóki’ do Arnaldo Baptista, o Velvet Underground & Nico (o da banana), e um Pink Floyd (The Dark Side.. ou o The Wall - não tenho certeza agora – é que já tive os dois num tempo próximo). Até ouvia, mas confesso que na época não dava tanta importância. Por fim, acabei gravando-os em fita k7 e me desfazendo deles. Hoje, estão entre meus discos preferidos. Depois, fui conhecer uma banda alemã que se chama ‘Trio’, um disco branco, com músicas simples, algumas até toscas. Aquilo mudou minha vida. Ali me encontrei: músicas simples, timbres fortes, ironia, crítica e ‘radicalismo’ sonoro. Daí foi um passo para conhecer e me apaixonar por Ramones, depois Sex Pistols, Dead kennedys, The Clash, The Stooges, Toy Dolls, etc. Conheci o punk rock brasileiro com Cólera, R.D.P., Os Replicantes, Os Inocentes, etc. Num segundo momento me encantou Pixies, depois Social Distortion (bandas que ouço até hoje). Fui beber no psicobilly do The Cramps e no rockabilly do Stray Cats e Meteors. Tive um breve flerte com o metal de Slayer, Megadeth, Iron Maiden, etc. (mas gostei sempre mais dos ‘clássicos’ Black Sabbath e Motorhead, algo de AC/DC, entre outros). Passei pelo hard rock setentista (Whitesnake, Ufo, Bad Compani, etc.), até tive experiências com o Death e Black metal, e o extremo do Noise, mas acabei voltando ao punk-hc e grind de bandas finlandesas e outras como GBH, The Exploited, The Misfits, etc. Um pouco do rock-rap-hc ou metal do Rage Against the Machine e Beastie Boys. Depois conheci NOFX, Bad Religion, Operation Ivy, etc. Passei delirantemente pelo ‘grunge-punk’ do Nirvana... Já ouvi muito também o rock nacional de bandas como Bacamarte, O Terço, Secos & Molhados, Casa das Máquinas, O peso, etc.; Ainda hoje me encontro pelo rock progressivo-experimental e jazzístico do King Crimson, pelo Pink Floyd e La Máquina de Hacer Pajaros, entre outros. Ouço soul music (blues, funk e jazz); Mas é com o garage rock e o psicodélico que eu mais me identifico. Voltei às minhas ‘origens’. E, além disso, hoje curto muito o rock contemporâneo de bandas como The Mars Volta, Raconteurs, Radiohead, Arcade Fire, Devotchka, The Queen of Stone Age, etc. O rock nacional sempre esteve comigo: Os Mutantes, Patrulha do Espaço, Cidadão Instigado, Plástico Lunar, Sopro Difuso, Guisado, etc. O country rock do Johny Cash, Beethoven, Buena Vista, entre outros, somados ao rock, deixam meus dias mais toleráveis. Pra mim o rock foi um encontro, onde eu pude me encarar dentro de um mundo que até hoje eu não me adapto bem. Isso explica minha ‘mina’ de discos, vídeos e sons - e a variedade deles. Do início dos anos 1990 até hoje, sou ouvinte, leitor, pesquisador e ‘colecionador’ de música, principalmente de rock. Além da literatura e do cinema, é o rock que me acompanha e me constitui.


Mas, de onde vem e pra onde vai ‘esse tal rock’n’roll’?

Não se encontra com exatidão um ‘início’ para esse fenômeno que passou a se chamar de rock and roll, mas os anos de 1950 nos Estados Unidos nos diz algo: “... Estádio de Cleveland, Ohio, 1952. O DJ local Alan Freed promove o primeiro concerto de rock’n’roll com grupos negros. (...) Considerado o pai do rock, seu primeiro DJ e produtor de concertos, e aquele que deu o nome ao novo ritmo, (...) Batizou a si mesmo de Moondog e ao programa de Moondog Rock and Roll Party. (...) Alan Freed, o inventor do termo rock’n’roll e responsável pela popularização do novo ritmo, (...). (A História do Rock’n’Roll nº 1, 2002)”. Filho do lamento negro nas plantações de algodão dos EUA na década de 40 - do blues com a música européia e com o country interiorano do Sul dos EUA, o rock and roll de Chucky Berry e Little Richard, a partir da adesão do ‘homem branco’ a este ritmo-comportamento, de artistas como Body Holly, Elvis Presley e Jerry Lee Lewis, foi difundido, rompendo com a idéia de que o rock era música unicamente de negros para negros. Talvez a primeira música a acabar com o determinismo da separação racial-cultural. A partir dos Beatles e da beatlemania, o rock and roll passou a ser chamado de rock, sendo ainda mais bem aceito e ‘vendido’ pela indústria cultural, depois, abrangendo ainda mais culturas, misturando sons e estilos, e disso, nascendo vertentes variadas do rock – e eis que surge o pop. O disco dos Beatles ‘Sargent Pappers’ de 1967, é a prova disso tudo. A partir dele, dá pra se dizer que o rock passou a existir enquanto termo mais abrangente e complexo. Mas mesmo assim e depois disso tudo, ainda dá pra ter uma mínima definição ou dimensão do que seja ‘esse tal rock’. Então, o que caracteriza o rock? Seria a distorção dos pedais das guitarras elétricas? (mas o sertanejo universitário também usa!).. A distorção e a ‘agressividade’ do som? O estereotipo ‘mauzinho’? (aí dá pra concordar que bandas como Restart e NxZero são rock). Ou seria mesmo o modo de ver e viver, se comportar, além das distorções (ou das guitarras, ou do termo ‘rock’), uma atitude, não só de palco, mas de vida, uma escolha, um modo de ser-estar, vestir, atuar no todo social, além do impacto musical. Enfim, o rock é indefinível? Pra mim, rock é a soma da estética sonora, da musicalidade e sonoridade, com o comportamento, as idéias. Tudo isso cria uma identidade que pode sim definir o que é o rock e quem são os roqueiros, além dos modismos passageiros que sempre vêm e vão. Por mais que alguns ‘pensadores’ falem do rock mediocremente, tentando lançar sua importância histórica no lixo, desprezando, pela ignorância de não conhecer essa história ou não admiti-la, ele não vive estacionado em ‘verdades’. Rock, além de música é postura. Não é preciso dizer: ‘Ah, essa é uma banda de rock!’. Se determinada banda tem o que dizer, contestar, seja através das letras ou do som, da música, tendo distorção ou não, ela é rock. Não é a ‘beleza’ ou não dos músicos, não são as palavras de um Rick Bonadio ou a cara estereotipada de mau de alguns membros de algumas bandas, não são os chavões tipo: ‘róquenrrouuuuuuuu!’ ou a produção acima do ‘produto’ apresentado no espetáculo midiático que vai fazer com que uma banda seja rock. Rock é rock, e é só ouvir, sentir, e por último, ver (se precisar ver!), para saber disso. Quando a música te causar certo conflito interno, agitação, certo caos, deslocamento ou vontade de se mover, saiba, isso é rock. É quando os conceitos e definições já não sustentam-se pelo discurso.  


Xapecó também é rock!

Por aqui, no ‘Velho Oeste’, o rock chegou com os ‘forasteiros’. Geralmente jovens que vinham de fora e aqui se instalavam - ou que daqui saiam indo estudar fora, e depois voltavam trazendo a novidade na mala. Uma das primeiras duplas a tocar o novo ritmo no seu repertório, ainda em bailes, era dos amigos músicos Arlindo Sander e Romeu Roque Hartmann, ainda no início dos anos de 1960. Durante a minha pesquisa, encontrei um disco gravado ao vivo, que data de 1965, onde Suzane Fávero, uma menina de aproximadamente 11 anos de idade, cantava uma canção da Jovem Guarda, acompanhada pela dupla já citada acima. A mesma dupla, algum tempo depois, fundou uma das primeiras, senão a primeira banda a vincular o rock na cidade. Trata-se dos The Jats. Depois, vieram outras, como Os Bananas, onde tocou o Paulo Franzmann, pai do Paulo baixista/guitarrista da banda xapecoense Mister Magoo. Aproximadamente 10 anos depois, surgiram as primeiras manifestações do rock autoral registrado em estúdio aqui na cidade. Tyto Livi, cantor solo, com a gravação de seu compacto “Memórias de um certo louco” (1977), inaugurou o que eu ‘pretensamente’ chamei de ‘a segunda fase do rock chapecoense’ na minha pesquisa. Trata-se do período de meados dos anos de 1970, onde, juntamente com o Grupo Nozes (primeira banda de rock autoral a gravar um disco EP – 1978, que contava com o Bili Ficgna no contrabaixo), Tyto Livi deixou registradas suas canções. Pouco tempo depois, surgiu a banda Poluição Sonora (que não deixou suas músicas gravadas em disco – primeira banda do Ricardo Bays). Anos mais tarde, em meados dos anos de 1980, surgiu a banda Paranóia, fundada pelo Bays, e atuante até os dias atuais. Depois foi o Gilmar Guerreiro e As Vozes do Vento. Guerreiro deixou gravado um compacto que data de meados dos anos 80, e mesmo ele ‘não se considerando’ rock, pelos roqueiros foi absorvido e considerado. Seu disco foi censurado na época por causa da música ‘Chimarrão’, que se tornou uma espécie de hino para alguns, e que virou vídeo-clipe (lembro daquele vídeo que passou pela televisão), até tenho esse vinil com a tarja escrito: ‘Censurado’. Na primeira fase da Epopeia em 2001, ainda antes, quando era a Tribo Audaz, lá por 1998, fizemos e tocávamos uma versão mais psicodélica do ‘Chimarrão’ do Gilmar Guerreiro. Passaram-se anos até que no início dos anos de 1990, surgiram uma leva de bandas punks e Hard Core na cidade. Entre elas o Atta Sexdence, Orelha de Pau, Órfãos e Chimia. Nessas tocaram alguns músicos conhecidos daqui, como o Paulo ‘Girino’ (ex-Repolho, hoje Mordida, de Curitiba, irmão do Fernando de Nadal dos RedTomatoes), o Zubaid (grande baterista xapecoense), o Passarinho (baterista da Repolho), entre outros. Tubino, um dos membros de alguma dessas bandas, tocou guitarra na minha primeira banda em 1994, a G.D.P. (Gritos de Protesto). Nessa mesma época, antes da G.D.P., surge em cena uma das que considero, das principais bandas da cidade, a Repolho. Ao contrário de alguns ‘críticos de miseráveis fundamentações históricas e teóricas’, não me apoio em teses deterministas que concebem uma única ‘verdade’ aos fatos, quando ao tentar argumentar sobre uma possível ‘situação do rock chapecoense’, acabam por cegar frente às possibilidades de interpretação que a história suscita – A História trabalha com versões e possibilidades, não com leis ou determinismos. Enfim... Projetos que reúnem bandas em torno das suas composições próprias e em ocupação de espaços como o Entrevero de Rock, bandas como Os Variantes, que despontam como uma das mais cogitadas do Estado em coerentes sites de rock, bandas também, como a novíssima John Filme que, mesmo nova, já traz em si a potência sonora que faz do rock um universo de possibilidades, são o que fazem a coisa acontecer. Este ano, Repolho completa 20 anos de estrada, enquanto a Epopeia, andou a metade deste caminho. É isso, este ano estamos fazendo 10 anos de rock, e apesar da perda do Tuba e das dificuldades, continuamos – já revigorados). Mas essa é uma outra história para um outro momento...

A Epopeia do rock continua!

Herman G. Silvani

terça-feira, julho 05, 2011

Estúdio A apresenta: John Filme!

Conheço o Akira desde quando ele era criancinha e circulava nos braços de alguém nas apresentações da banda Repolho. Hoje re-conheci Akira como um dos mais ousados guitarristas xapecoenses. Vendo e ouvindo a nova banda onde ele é guitarrista e compositor, me impressionei e suspirei aliviado: “Finalmente uma banda dos ‘novos’ que não estaciona na choradeira emo-colorida, Ufa!”. Uma banda ‘instrumental’ (pelo menos agora), muito criativa nas suas composições. Baixo ‘argentino’ bem marcado, bateria com pegada e os solos e arranjos poderosos da guitarra do Akira. Muita energia! John Filme lembra coisas de que gosto, como Jimi Hendrix e Pata de Elefante. Tem também um ‘Q’ de Red Hot Chilli Pappers, como eles mesmos citam. Banda que, apesar de nova, manda brasa, mostrando que não se deve subestimar ‘os novos’, eles estão aí também para somar. Enfim... tirem suas próprias conclusões:

http://www.unochapeco.edu.br/unowebtv/play/john-filme-01
http://www.unochapeco.edu.br/unowebtv/play/john-filme-02
http://www.unochapeco.edu.br/unowebtv/play/john-filme-03

Let's rock!

Unocultural volta com tudo!

Saímos de casa atrasados para ver a apresentação dos amigos da banda de Xanxerê Marujo Cogumelo. As portas do teatro do SESC estavam quase fechando. Mas deu tempo, Ufa! Teatro lotado para o rock, outra vez! E a banda começa seu espetáculo num formato ‘semi-acústico’. No lugar da guitarra, o violão. Sentados e com certa leveza nos toques. Mas não demorou muito pra banda se postar em pé e plugar a guitarra elétrica. Das duas formas, foi uma belíssima apresentação. O público respondia com aplausos e alegria a cada canção. Músicos convidados na guitarra havaiana, trompete e saxofone, contribuíram para o brilhantismo do show. As já populares (e clássicas) da banda, tema dos dois discos/CDs, fizeram o público cantar. Belas e novíssimas músicas apontam a ‘evolução’ da banda, desde suas primeiras canções. Roberto Panarotto, vocal da Repolho e agitador fundamental do projeto, também deu sua palhinha, numa participação cantando junto com o Cássio (vocal da Marujo) a música ‘Boa Viagem’. Destaque também para a produção de palco, muito bonita, com espécies de luminárias em torno da banda. Devido a quantidade de público e a qualidade das atrações, o projeto Unocultural volta com tudo, propiciando um canal alternativo para a arte e cultura locais – ainda mais, desta vez, que está sendo priorizada a produção  local. Quem foi, viu e pôde sentir o clima cheio de boa energia do evento.

Já estamos esperando pela próxima apresentação, pelo SESC lotado novamente, comprovando que teatro também é lugar de rock. Parece clichê (e é!), mas não tem como não admitir: ‘Marujo Cogumelo abriu o projeto com muito estilo’. Agora, a espera curiosa, atenta... Qual será a próxima banda?





























segunda-feira, junho 27, 2011

UnoCultural 2011, novidades...

O projeto Unocultural está de volta. Depois do sucesso que foram os eventos no ano passado, tendo entre eles, grandes artistas como Júpiter Maça, Nei Lisboa, Jorge Mautner, Cassin e Barbária, Marcio Pazin e Carol, entre outros, além do encontro de figuras históricas da música xapecoense, como Gilmar Guerreiro e Bili Ficagna (Grupo Nozes). Além do SESC, o projeto Unocultural foi (e ainda é), um dos grandes agitadores da arte e cultura aqui na cidade. Mérito ao investimento da Unochapecó e da atitude do Roberto Panarotto (compositor e vocal da banda Repolho). Este ano, a Unocultural traz novidades. É o que podemos afirmar no momento. Pra início de conversa, o projeto iniciou esta edição no dia 21 de junho com a exposição: “Diferença e Repetição” do artista Matheus Costa, no Atelier Marlowa/Cristina (Rua Quintino Bocaiúva, 304 D, Centro, Chapecó). Com um trabalho híbrido, Matheus mistura o universo pop, com pitadas da cultura mexicana, sem esquecer de suas referências com outros tipos de arte. A parte musical inicia neste domingo, dia 03, às 19h, no teatro do SESC, com entrada franca - com uma das bandas regionais de maior destaque na cena independente do Estado, a Marujo Cogumelo, da cidade vizinha de Xaxerê. A parceria entre Unochapecó e o SESC é louvável e se mostra uma alternativa cultural na cidade. Nos meses seguintes o público pode esperar mais atrações. Compareçam ao teatro e às demais atrações do projeto Unocultural e façam parte dessa construção...


Músicas, vídeos e demais informações - http://www.myspace.com/marujocogumelo



terça-feira, abril 12, 2011

A vida é agora!

*_*



Depois da partida do Tubin (que foi musicar em outras paragens), descançamos nossas composições e ações sonoras-artísticas sem o mínimo alarde para uma possível volta da banda aos palcos. Deixamos o tempo passar e as coisas acontecerem, já que o Tuba compunha parte da alma da banda e sua falta jamais seria reparada. Porém, sua presença sonora está e sempre estará conosco, na hora de compor, ensaiar, dentro e fora dos palcos - & a vida é um grande palco! 'Pessoalmente, eu Niko, tentei largar este bendito-maldito rock por mais de uma vez. Mas acontece que ele não me larga!' Foram muitos os apoios e incentivos para que a banda continuasse. Se existia ou existe alguém que torceu para o fim da Epopeia, sinto informar, mas Chronos ainda não se alimentou totalmente de nosso tempo, portanto, terão ainda que nos suportar. Aos amigos, fãs e demais pessoas envolvidas direta ou inderetamente com a banda, agradecemos os muitos apoios e a energia que alimenta a nossa vontade de fazer e ser. Rock, além de uma paixão é uma necessidade. Sempre foi e sempre será, pra nós, mais do que música, uma postura, um meio artístico de manifestação, parte de nós e do nosso comportamento. Portanto, por enquanto só podemos afirmar que novos projetos estão sendo pensados e criados. Novas possibilidades e elementos surgiram, e isso faz que nosso 'trabalho' continue e/ou retorne com toda nossa energia, renovada e reconstituída. Temos voz por isso cantamos! Nisso, temos certa urgência, pois "A vida é agora!" 

Em breve, novidades...

A EPOPEIA CONTINUA!


Os estereotipados e o vazio

Muito do mundo hoje carece de certo caráter, postura, posição. É preciso assumir-se para tal. Ouvindo e vendo algumas novas bandas de rock pela internet, em apresentações e entrevistas, percebo uma fuga. Uma fuga covarde. Como o diabo que foge da cruz, alguns ‘roqueiros’ utilizam-se de um discurso decorado para legitimar e confortar suas faltas, suas ‘imaturidades’ intelectuais, seus rasos conhecimentos, e dar um valor (maior do que realmente é) aos seus ‘trabalhos’ de ‘artista’. Meus amigos, não precisa dizer que é rock. Pra que? Só pra não dizer que não é nada? Pego a contradição no pulo. ‘Somos rock, mas não nos enquadramos em rótulos, pois rótulos são limites, e nós estamos além dos limites’. Além? Com esse som aí? Conta outra! Geralmente são esses ‘limites’ que dão voz, característica ou estilo a uma banda. Achar-se ‘ilimitado’ é um limite. Hoje, mais do que nunca, talvez, anda faltando aquilo que se chama de proposta, estilo, personalidade de uma banda ou artista. Tudo está se transformando em imagem. E a arte em si? A música com seus sons, timbres e sua ‘comunicação’, seu motivo? A música tem uma linguagem e não precisa de rótulo, certo! Mas identificação, identidade e rótulo não é a mesma coisa. Rótulo é aquilo que está na superfície, ok? Não confundam as coisas assim tão sem pensar. O que diferencia o sertanejo universitário do rock? Ou tudo entra no mesmo pacote do ‘bom mocismo’? Tudo tem seu contexto. Vamos botar conhecimento nestas cabecinhas. Pesquisar, ler, estudar, refletir e ouvir torna tudo mais claro. Sair do discurso pronto, fugir sim do clichê e do estereótipo. Leia-se aqui que estereótipo também não é o mesmo que estilo, elegância ou postura. Até a estética tem uma ‘localização’. Ninguém inventa nada assim tão fácil ou do nada. Tudo vem de algum lugar anterior. Portanto, ter identificação sonora, artística, estética, musical, não é rotular-se, nem limitar-se. Geralmente os nomes que se dão as coisas servem para sua localização, e se é rótulo ou não, é a prática quem vai dizer. Muitas bandas que fogem das identificações não têm proposta nenhuma, por isso dão passos no vazio, tentando através do discurso, livrar-se da sua falta de criatividade e consistência. E sua postura, é identidade ou estereótipo? Primeiro assumir-se, depois posicionar-se exteriormente.


Herman ou Niko


sexta-feira, março 25, 2011

Impressões do Psicodália 2011: Parte III (parte final)

Como um Sopro...

Terça-feira, 08/03, último dia do Psicodália e tudo passou como um sopro. Acordamos perto do meio dia e fomos direto pros nossos banhos, depois pro almoço. 13h00min começaria o show de uma das bandas contemporâneas que mais gosto, a Sopro Difuso. Fiquei meio bolado por terem posto ela a tarde e no último dia. Sopro merece a noite, sempre! Comemos e fomos pra frente do palco. No último dia, as apresentações sempre são no Palco do Pasto. E que apresentação! Sopro Difuso repetiu o espetáculo da vez passada, só que de dia. Enquanto parte do público derrubava acampamento e outros ainda almoçavam. Destaco as novas músicas da banda, as belas letras, a presença da Michele Mara nos vocais novamente (e que voz!), e os arranjos e solos de guitarra do Érico, um dos grandes guitarristas do festival, os arranjos de flauta e tudo mais. Toda a vez que a banda toca a música ‘Sinal Fechado’ eu me emociono. A letra, o clima e o solo de guitarra floydiano me tocam. Desta vez não foi diferente. Novamente, só posso dizer: ‘Obrigado Sopro Difuso!’



banda Sopro Difuso


*
Depois da elevação que foi a apresentação do Sopro Difuso, esperávamos pela coletiva com a banda setentista pernambucana Ave Sangria, que só acabou acontecendo depois do show (a última banda a se apresentar, e que encerrou o Psicodália 2011). Como a Sopro Difuso, Ave Sangria merecia a noite. Ave Sangria mistura psicodelia com ritmos regionais. Banda que na década de 70 no nordeste, gerou polêmica, devido as suas posturas no palco, suas letras e formas de linguagem, consideradas subversivas e imorais pra época. Confesso que não esperava muito desse show. Estava errado. Erradíssimo! Que puta show! Rico musicalmente e extremamente original. Parecido com nada. Até tentei relacionar com alguma coisa, e o que me chegou à mente de mais aproximado, foi o Jorge Mautner (outro ícone). Ave Sangria contou apenas com Marco Polo, o vocal e grande ‘comunicador’ da palavra cantada da formação original. O outro membro inicial da banda não pode vir por algum problema de saúde, mas mandou sua mulher e neto para as percussões da banda. Os demais membros eram de uma banda chamada Anjo Gabriel, músicos muito bons por sinal. Um espetáculo de certa poética, com letras ‘filosóficas’ e simbólicas, tudo muito ligado a linguagem nordestina. Um pouco de rock, um pouco de baião. Ave Sangria tem estilo próprio e sua música é feita com sinceridade. Para a surpresa geral, a banda tocou por 2 horas. Voltou do bis e fez outro show praticamente. Muito bom! A música ‘O pirata’ fez todos cantarem e dançarem. Um show inesquecível, assim como foi TJB, O Terço e Tom Zé, fechando gloriosamente o festival.


banda Ave Sangria 


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Depois do show, enquanto a maioria levantava acampamento, eu e a Liza e mais meia dúzia de jornalistas fomos para a última coletiva de imprensa do Psicodália com a banda Ave Sangria. Durante a entrevista, Marco Polo e sua trupe foram extremamente simpáticos e bem humorados. Certa tristeza transpareceu na fala de um dos membros da banda (a mulher percursionista), quando o que ela contava estava relacionado ao passado conturbado da banda. A censura da ditadura militar nos anos setenta não poupou a Ave Sangria – que sangrou. Triste história! Mas, apesar disso, uma alegria pontiaguda também estava presente nas histórias da banda, e sob tudo, neste retorno aos palcos - neste caso, no palco do Psicodália. Como os demais artistas entrevistados nas coletivas, a Ave Sangria mostrou sua satisfação com o belo show e a receptividade e resposta do público do festival. Acabaram também por elogiar a magnitude do evento. Marco Polo, homem de inteligência sagaz e dono de uma linguagem poética, ora regionalista, ora universal, passou um tempo discorrendo ‘sociologicamente’ sobre a relação da banda com a cultura e política brasileiras. Um momento contemplativo e instigante. Depois, seção de fotos com os organizadores, algum papo informal, e assim se encerrava nossa empreitada.


coletiva com a banda Ave Sangria 


Marco Polo & Liza (levando o Entrevero de Rock por aí... no detalhe da camiseta)



















Marco Polo & eu.. bate papo nos bastidores do espetáculo!



Fatos, aspectos & a abdução...

Aproveitamos nossa estada e as voltas que dávamos pela fazenda e registramos alguns fatos e aspectos curiosos e de certa importância pra nós. A rua ou ‘avenida’ principal da fazenda, foi batizada, merecidamente, de ‘Alameda Ivo Rodrigues’, em homenagem ao grande cantor que morreu pouco tempo depois do extraordinário show da banda Blindagem no Psicodália do ano passado, assim como a principal ‘travessa’ que foi batizada de ‘Travessa Zé Rodrix’, outro ícone da música brasileira já morto. Numa das tardes mais iluminadas e secas do festival, um artista andava com suas pernas de pau pra lá e pra cá, brincando e provocando o público que transitava pela fazenda. Primeiro ele imitava um bêbado, andando meio zonzo e sempre prestes a cair, o que provocava certo receio e risos do público. Algo divertido. Depois, num outro momento, o figura encarnou um pândego ou um bufão, com uma meia calça na cabeça e com a língua tingida de preta, vestido apenas com um sobretudo, nu por baixo e em cima daquelas pernas de pau, parava em frente a algum grupo de pessoas abrindo rapidamente seu sobretudo deixando seu membro exposto, largava um riso sarcástico e um pouco horrorizante e saía na disparada. Uma performance irônica e anárquica, típica dos Bufões. Arte meus caros, Arte! Além das alegorias. Pena que os seguranças não entenderam assim e tentaram impedir a performance pagã do artista. Mas parece que tudo terminou bem. Os organizadores do festival vendo a perseguição ‘policial’ dos seguranças, rapidamente intervieram. Coisas do mundo burocrático-formal e moralista que respingam e enchem o saco até em espaços ‘alternativos’, infelizmente!









Depois disso, eu e a Liza um pouco tristes com esse tipo de moralismo, acabamos indo até o pondo de abdução mais próximo e dentro de poucos minutos pegamos o primeiro disco voador rumo ao desconhecido. Nisso, fomos convencidos pelos ETês que nos aplicaram uma dose efervescente de ânimo, a voltar e continuar com nosso ‘inoxidável’ trabalho, aproveitando as horas de diversão que ainda tínhamos pela frente. Voltamos. Os ETês estavam certos.





O retorno, os sobreviventes...

Companheiros de viajem e nossa van já esperavam pelo lado de fora da fazenda enquanto derrubávamos nosso acampamento. Desfazer barraca, dobrar e guardar tudo. Contamos com a ajuda de alguns amigos pra isso, o que agilizou um pouco a coisa. Acabamos saindo da Fazenda Evaristo lá pelas 17h, devido ao nosso atraso com a coletiva. Pro lado de fora, vários ônibus, carros e vans, todos apontados e prontos para o retorno. Seria um retorno difícil, devido à precariedade do asfalto. Mas o cansaço acabou colaborando para uma viagem um tanto chapada e, graças a Deus, a sorte, a Dionísio, ao motorista, etc., retornamos vivos. Já em casa, agora era repor o sono e voltar para as atividades cotidianas (mas nem tanto), já tendo em mente uma possível volta a edição do ano que vem do festival.






















Os bastidores

Durante os dias do Psicodália, devido ao nosso trabalho na imprensa, pudemos transitar nos bastidores do festival e observar mais de perto, ou de dentro, como ele funciona. Um pouco lúcido, um pouco torpe, observando os detalhes, percebi a complexidade e dificuldade de se organizar e administrar um festival deste porte. Mas aí é que está o negócio! A simplicidade com que os organizadores levam a idéia e direcionam o festival faz a diferença. Tudo muito direto e sem frescura. Tratamento humanizado, já que estamos lidando com seres humanos (além de serem artistas). Isso muda tudo. Na edição retrasada aconteceu um erro no nosso cadastro, o que nos excluiu da imprensa. Isso nos gerou certo transtorno, mas já foi. Acabamos, assim mesmo, de alguma forma, cobrindo o evento, só que não nos bastidores nem nas coletivas de imprensa como desta vez. Desde a primeira edição que participamos, fotografamos e eu escrevi textos referentes ao festival no blog ‘epopeiarock’. Tivemos um tratamento digno por parte dos responsáveis pela imprensa do Psicodália, com o devido respeito que acaba gerando uma boa relação, sem burocracias nem tratamentos ‘meramente’ profissionais. Annaterra, Bruna e Clisseu, com suas gentilezas e simpatias, são os três nomes que tivemos mais contado (outros dois ou três, não consigo lembrar). Tenho alguns problemas de memória e acabei deixando alguns neurônios por lá (indiretamente! - é bom que se diga! Sou um homem ‘sério’, fui ao Psicodália laborar, ok? - risos!). Nossa ‘função’ foi bem acolhida por esse povo – gracias!, numa relação que somou trabalho e amizade. Também nos bastidores, surgiu um rumor sobre uma possível ‘espécie’ de Psicodália de inverno, já neste ano. Mas é só um rumor (por enquanto!). Veremos! Contudo, foi possível, além de registrar o festival pelas nossas vistas e impressões, conhecermos pessoas interessantes e personalidades geniais do mundo da música e arte brasileiras. Voltamos do Psicodália com a energia física um pouco debilitada, porém, com a alma sonora e musicalmente renovada para enfrentarmos essa ‘outra realidade’ mais rotineira a que estamos submetidos. Música e arte pelas beiradas e nossa experiência meio ‘gonzo’ e nossas impressões meio tortas do festival (mesmo sem a ‘técnica’ ou ‘métodos’ do jornalismo mais formal-mercadológico, ou algo assim, e com máquinas amadoras no meio de todos aqueles ‘canhões’ Canon, Nikon, Sony, etc., fizemos nosso trabalho da nossa maneira e dentro das nossas possibilidades). Lógico que os instrumentos, equipamentos e tecnologias ajudam muito, mas isso não garante bons registros ou alguma poética na imagem, pois se assim fosse, bastaria ter uma caneta de ouro para se escrever um belo romance. Enfim... O Psicodália pra mim (pra nós) foi um pouco isso.

> Canidia (baixista do Goya), Davi (ex-guitarra e vocal d' O Conto), Clisseu (guitarra d' O Conto), Marco Polo (Ave Sangria), eu, Bruna (psico-imprensa), Annaterra (psico-imprensa) & Liza..



>  Damo, Liza, Guto e Cíntia (ao fundo Ivan, vocal da Confraria da Costa e e a vocal da banda Sopa)



> Guto, eu, Liza (discosta) em clima bukowskiano.. promovendo uma marca de Tequila aí..


público no Palco do Sol (meio da tarde e o rock comendo solto!)..


> Felipe, Nanda, Negão, Chico, Gabi, Bruna e Tiago.. povo de Xanxerê e redores.. curtindo um momento reelex e uma cervejinha gelada..























diversão para crianças e adultos.. oficinas e brincadeiras afins..


 O Bazar (onde se compra e vende discos, livros, cd's, camisetas, artesanato, etc.)


O galpão (CTG), restaurante e afins..




'sonzinho básico' para os shows noturnos do Palco do Pasto..


 mapa na entrada..



Evaristo, o Patrão & fazendeiro





Até a próxima!

























Fim...

(by Herman G. Silvani & Liza A. Bueno)



"A Epopeia continua..."