domingo, setembro 19, 2010

Epopeia & Rick Boy Slim no Morrison...


Sábado, ‘11 de Setembro’. Aniversário de 9 anos do trágico-espetacular ataque as torres gêmeas nos EUA. Festa da Expo-Tattoo (exposição de tattoos que ocorreu no Centro de Eventos durante o dia). Morrison Rock Blues bar, hoje o grande espaço do rock e blues na  cidade. Espaço aconchegante, cheio de estilo. Fazia tempo que não via tantas bandas boas tocar diretamente num mesmo lugar. A maioria blues. Nesta noite, fomos indicados e contratados pela casa para tocar no evento de tattoo e dividir o palco com o Rick e sua banda. Já havia visto duas vezes o cara tocar. E como toca! Foi muito legal dividir o palco e o conhecimento com esses caras, que são músicos ‘profissionais’ já faz anos. Jantamos juntos e foi então que podemos dialogar sobre pedais de efeitos, guitarras e timbres, além de música e outros assuntos mais alheios. Os caras são muito simples e divertidos. Tocamos um repertório misto, com algumas releituras, versões de bandas que gostamos de ouvir e tocar como Grand Funk, The Spencer Daves Group (do grande vocal Steve Merriot: Blind Faith e Traffic), Mutantes, Patrulha do Espaço, The Kinks, T-Rex (já que a proposta do bar é diversão), entre outros, e composições próprias. Para nosso deleite, fomos mais aplaudidos pelas composições próprias do que pelas releituras. Isso incentiva e dignifica qualquer banda que luta com suas próprias músicas. Rick Boy Slim e sua banda tocaram por sua vez, além de clássicos do blues, também bandas como The Cream, Jimi Hendrix Experience e Steve Ray Voughan. No final rolou ainda Jam com as duas bandas. Casa cheia, o rock e o blues fizeram da noite uma grande festa que começou lá pelas 22:30h do sábado e só terminou às 5h da manhã do domingo com um grande público ainda presente. Este ano tocamos pouco, mas esta foi, junto com o concerto no teatro do SESC, a nossa melhor apresentação. Enfim... não há fim.

A Epopeia continua...

Herman G. Silvani (Niko)








• Teatro também é lugar de rock!


Isso tudo só comprova que, por mais que alguns chatos ainda cismem e teimem em dizer que teatro não é lugar pra rock e/ou música elétrica, as apresentações de rock estão comprovando o contrário. Lotam! E o som, mesmo mais alto e elétrico, fica muito bom (Quando a banda é boa e sabe o que está fazendo, não tem erro!). Na maioria das vezes tem dado mais público nas apresentações de rock do que nas acústicas e/ou clássicas. No início do ano com a banda xapecoense Ultraleve, lotou! Depois, nós, Epopeia, lotou! Outros concertos de rock aconteceram durante o ano e a maioria deu casa cheia, como foi o caso desses últimos três. O rock parecia estar quase aniquilado por aqui, mas não. Talvez só tenha migrado das casas de shows que priorizam hoje o sertanejo universitário, para as salas de teatro e auditórios da cidade. Mas isso tudo não é novidade. Historicamente, no Brasil e fora dele, bandas de rock tocavam e tocam em teatros. No Brasil, por exemplo, na década de 1970, era comum bandas do rock progressivo tocarem em teatros. Por mais que ainda existam pessoas que subestimem o potencial do rock enquanto um produto cultural de certo nível artístico, os próprios fatos afirmam que o rock é tiro certeiro. Nisso, o rock continua vivo e se mostra um potencial.
Quando os modismos terminarem ou diminuírem, quem vai prosseguir deixando a cultura musical pop de pé, é o rock, certamente. Let’s rock!

O Projeto Unocultural apresentou:

Cassim & Barbária

Terça-feira, ‘7 de Setembro’, feriado. Dormi até ao meio dia aproximadamente. Não sou dado a desfiles cívicos, ainda mais quando é de manhã bem cedo. Geralmente durmo tarde, muito tarde, aí compenso dormindo de dia quando posso. Fiquei sabendo uns 4 dias antes do show. Foi no SESC. Depois da grande apresentação do Júpiter Maça pelo projeto Unocultural, foi a vez da banda de Florianópolis Cassim & Barbária. Já havia ouvido a banda, mas de leve. Uns dois dias antes me empenhei e vi vídeos e ouvi mais músicas. Gostei da banda. Mas nada melhor do que ver ao vivo. Logo na chegada ao SESC, um figura que não era estranho me cumprimentou. Sabia que conhecia, mas não lembrava de onde. Tratava-se do Xuxu, ex- guitarrista da banda Pipodélica. Conheci o figura faz um tempão, quanto a Pipodélica veio tocar aqui, no tempo da Cristal Beer, junto com Los Hermanos se não me engano. Depois do show conversando com ele lembrei que havíamos conversado na época. Sem dúvida alguma, um dos grandes shows que presenciei no ano todo aqui em Xapecó. Loucura! Sou suspeito em falar, pois sou doente por efeitos de pedais e sintetizadores e timbres de guitarras. Foi um grande show. Belas composições tocadas e cantadas. Muito bem tocadas e muito bem cantadas. Um coro de voz criativo. Efeitos e imagens propagadas no palco. Bateria, percussão, equipamentos eletrônicos, sintetizações, três guitarras e três vocais. Tudo muito bem composto, pensado. Improviso e detalhes programados. Psicodelia contemporânea. A banda que foi fazer uma turnê pelos EUA e Canadá, fez espetáculo no teatro do SESC, lotado.



Crédito das fotos: Yusanã Mignoni



Pata de Elefante

Terça-feira, 14 de setembro. Dia ‘útil’ de semana. Chegamos ao SESC era aproximadamente 18:15h, pegar os ingressos para ver a Pata de Elefante. Havia falado com o Roberto dias antes por telefone, e ele me pediu sobre o Pata. Sabia que é uma banda bem rodada no meio independente, na internet e tudo mais. Uma das grandes bandas instrumentais do rock brasileiro. Rock no sentido mais visceral da palavra. O SESC seria pequeno. E foi. Tanto que tiveram que fazer duas seções, lotadas as duas. Havia convidado amigos de outra cidade que curtem muito a banda e quando me disseram que não havia mais ingresso, não consegui disfarçar, fiquei um tanto irritado. Sabendo que já tinha esgotado os ingressos, pedi que a Liza ligasse imediatamente para eles. Já estavam na estrada. Putz, não poderia deixar pessoas de mais longe perderem a viagem. Mas tudo se resolveu, ainda bem! Já havíamos, eu e a Liza visto a banda por três vezes. A primeira foi em Passo Fundo, RS, no festival Armênios on fire, anos atrás. Depois vimos ainda por duas vezes em duas edições do Psicodália. E todas as três vezes, o Pata proporcionou belos espetáculos. Desta vez em Xapecó, não foi diferente. Rock instrumental de primeira! Simplicidade e complexidade, diálogos sonoros e musicais. Timbres valvulados. Um legítimo Power trio. Baixo e bateria casados, formando uma cozinha das melhores. Guitarra solando com técnicas e feeling característicos do bom e velho rock. Quando o baixista e guitarrista trocaram de instrumentos o show mudou, mas continuou. Grandes composições, riffs, solos, melodias. A guitarra cantava. Um dos grandes shows do ano por aqui também. Mais uma vez um tiro certeiro do projeto Unocultural seus idealizadores e propagadores. Um grande espetáculo que já anuncia no subconsciente: Qual será o próximo?!

Herman G. Silvani (Niko)



Crédito das fotos: Liza & Niko

terça-feira, agosto 24, 2010

Júpiter Maça (Apple) em Xapecó

Parte 1

Noite do dia 21 de agosto. Chegamos à casa de show/bar Premier por volta da meia noite. Esperamos a caravana de Xanxerê com os 20 ingressos que vendemos. O show não demorou muito para começar e passou tão rápido!! Significa que foi bom. Muito bom! Dá ultima vez que havia visto/ouvido o Júpiter tocar por aqui, confesso, não gostei. Foi em um evento/acampamento de rock na Estância das Águas. Fazem alguns anos já. Tocaram outras bandas numa espécie de festival. Entre elas a Identidade, que na época, se não me engano, acompanhou o Júpiter no show. A banda tocou muito bem e tal, mas o Júpiter não estava bem. Já havia visto o Júpiter tocar outras vezes, no tempo da ‘Sétima Efervescência’ ainda. Uma vez foi no antigo Guará (hoje sede do CRC), em meados dos anos de 1990. Um belo show! Depois, vi no ginásio do SESC, também um bom show, só lembro-me do som estar ruim. Ressonava demais pelo fato de ser num ginásio. Depois, sei que ele tocou ainda duas vezes por aqui. Uma na República CRC, casa de shows onde ainda hoje é o CRC. Neste não pude entrar, mas estava lá fora e ouvi os efeitos dos sintetizadores de um cara que acompanhava o Júpiter, e que mais tarde, iria conhecer pessoalmente e fazer parcerias. Falo do Astronauta Pingüim. Já tocamos e bolamos eventos juntos, duas vezes aqui em Chapecó e uma em Concórdia. O Pingüim é um figura, pessoa simples e muito criativa. Inclusive, das vezes que veio tocar na cidade ficou aqui em casa e conversamos até esgotar os assuntos (como se isso fosse possível!). E sábado (21 de agosto) o Pingüim fazia ecoar outra vez seu moog por aqui. Foi um grande show. Novas e velhas canções deste que é um referencial no rock do sul do país, o Júpiter Maça. Rock-eletro-rock, para curtir, viajar e dançar. É um pouco chato, porém inevitável as comparações, mas este show me lembrou algumas bandas contemporâneas de que gosto, como o Franz Ferdinand e o Interpol. Foi uma noite muito divertida. Ouvia TNT e Cascaveletes no início da minha história com o maldito rock & roll. Sempre gostei de algumas músicas, inclusive duas que o Júpiter tocou no show em versões contemporâneas: ‘Morte por tesão’ e ‘Identidade zero’. Era muito fã de psicobilly e rockabilly (e ainda gosto!), e essas duas canções marcaram estes estilos no sul do país. Outros clássicos do Júpiter foram tocados em versões inusitadas e muito boas por sinal. Casa cheia, som bom e um baita show!

Parte 2

Noite do dia 23 de agosto. O projeto Unocultural funcionando com todo o vapor. Um público legal e o show começa, lá pelas 19h45min. Desta vez, Júpiter sentado e sem o baixo, acompanhado da bateria e dos teclados psicodélicos do Pingüim. Algo menos dançante, aliás, muito mais introspectivo. Já na primeira música senti o clima e a sonoridade a la Velvet Underground do começo, uma das bandas que mais gosto e para o meu deleite, o show inteiro teve esta atmosfera. Como disse o próprio Júpiter no palco - o formato ficou interessante, trouxe a tona uma obscuridade que fica nas entrelinhas das músicas. Depois, nos bastidores, numa rápida conversa com o Júpiter e o Pingüim, o Júpiter disse num tom de bom humor que o show no Premier foi a versão pop e este segundo, cult. Agora fica difícil dizer de qual eu mais gostei. Os dois foram muito bons! Bem diferentes, mas ambos bons. Nesta segunda apresentação, os teclados do Pingüim tiveram mais espaço e houve momentos de muita experimentação. Psicodelia e obscuridade, elementos que eu gosto muito, pessoalmente.

Enfim, parabéns ao projeto, que já trouxe a Xapecó figuras como Nei Lisboa e Jorge Mautner, ao Roberto Panarotto (importante agitador cultural da cidade), ao público que participou valendo, ao Júpiter e ao caro amigo Pingüim, que proporcionaram ao público e fãs, duas noites brilhantes de muita música, diversão e experiências sonoras.

Herman G. Silvani (Niko)


Júpiter Maçã, Liza & Astronauta Pinguim
Júpiter Maça, Liza & Niko

quarta-feira, agosto 04, 2010

EPOPEIA no ESTÚDIO A!!


Estudio A é um programa musical-cultural veiculado pela Unochapecó que vai ao ar no canal 15 da net e/ou pela Uno Web tv na internet.

A banda xapecoense Epopeia gravou o programa e deu no que deu. Confiram a entrevista poética, ácida, sarcástica, anarquica, divertida e a performance da banda com suas canções e contravenções sonoras nos links abaixo:

Parte 1 - www.unochapeco.edu.br/unowebtv/play/banda-epopeia-01

Parte 2 - www.unochapeco.edu.br/unowebtv/play/banda-epopeia-02

Parte 3 - www.unochapeco.edu.br/unowebtv/play/banda-epopeia-03

...confiram e deixem seus recados.

Beijos, abraços, socos e pontapés!!



quinta-feira, maio 20, 2010

Adeus ao BluesMan do Sul...

Morre mais um ícone do rock e blues do Sul do país. Trata-se de Bebeco Garcia, grande guitarrista (um dos melhores do Sul - e do país - no estilo rock-blues), fundador em meados dos anos de 1980 da banda Garotos da Rua. Bebeco costumava vir com freqüência a Xapecó, onde tocava cercado de amigos e admiradores. Grande parceiro da banda xapeconse Mister Magôo, Bebeco era um grande guitarrista (a moda antiga), mas que sempre conseguiu se atualizar no som que produzia. Uma perda insubstituível, como foi a de Ivo Rodrigues da banda Blindagem que também se foi à pouco tempo. A morte de Bebeco, até onde sei, foi devida a uma infecção hospitalar, neste dia 19. Dia 20 (hoje), foi (ou está sendo), enterrado em Porto Alegre, sua cidade, onde cresceu junto com seu estilo de tocar e suas bandas. Um roqueiro-bluseiro a menos nesses tempos de frivolidade, infelizmente. É minha gente, uma geração que embalou e criou estilos e mentalidades está se indo. Quem viveu ou pelo menos se influenciou, ou no mínimo ouviu essas criaturas do final dos anos 70 e início dos 80, adquiriu algo que não se encontra em qualquer lugar. Bebeco, assim como Ivo, deixou sua música e trajetória na história do rock e na memória daqueles que ainda ousam cantar aos solos elétricos e o que eles transmitem, vivendo o rock, dia a dia. Fica aí o registro e nossos sentimentos. “Viva Bebeco, em suas canções!”

Capa de um dos belos discos de Bebeco.

Herman G. Silvani (Niko).

quinta-feira, abril 29, 2010

EPOPEIA no LOST

 
Saudações!


, depois se cadastrar e votar em uma das opções (de preferência a opção c., he he!):

       a. “Meia Boca” = 0 pontos
       b. “Tem Futuro” = 2 pontos
       c. “Do cará***!!!” = 5 pontos

  • Esta é só a primeira fase do ‘concurso’, e nisso, cada banda precisa da força de seu público e afins... enfim.

A EPOPEIA Agradece!!

* É o rock xapecoense em mo.vi.men.to...

sexta-feira, abril 09, 2010

Homenagem...

A Morte passa por perto...

Semana dura para os fãs, admiradores e entusiastas do rock – e para nós. Dois ícones morrem do mesmo mal, uma doença chamada: Câncer (meu signo!) – mas não fui eu, juro! Também sinto a morte por perto. Ela sempre está em volta. Além de personagens, ícones ou ídolos, amigos e sentimentos morrem, assim como no que se acredita e tudo mais que compõe esta vastidão que se chama mundo. Cada vez mais acredito que a vida é um jogo, recheado de interesses, mentiras e algumas coisas boas. O mais doloroso, não é a morte em si, física, material, mas sim o que fica. Sentimentos esfacelados! Mas vou me reter na parte histórica e cultural...
Malcolm McLaren, produtor/mentor de duas importantes bandas da história do rock e da música, morreu nesta quinta, do mesmo mal do mais próximo “ícone” Ivo Rodrigues, vocal da banda Blindagem. Duas mortes de duas importantes figuras, numa só pegada, e da mesma doença.

Malcom, Dolls & Pistols

Malcolm MacLaren foi fundador e empresário de duas das mais importantes bandas de meados dos anos 1970, a New York Dolls (1973: primeiro disco), e os Sex Pistols (1977: único disco). New York Dolls era uma banda norte americana de glam rock, garage pré-punk. Vestiam-se com roupas extravagantes e femininas, tipo ‘travéco’, tudo para zoar. Pelo menos é o que me consta. O fato é que o Dolls foi uma importante banda (além de ser muito boa e divertida, além de descarada e irônica), no seu tempo. Seu som respinga até os dias atuais, pois lida com o escracho, ironizando o lado ‘ordeiro-medíocre-hipócrita’ deste mundo velho sem porteira – e me desculpem os crentes no mundo mecanizado, mas a anarquia e o caos (leia-se teoria do caos), sempre prevalecem. Tudo potencializado depois pelos Sex Pistols. Sex Pistols, por sua vez, era uma banda inglesa que balançou o reino unido e sua indústria fonográfica, além da moda, da postura juvenil urbana e do modo de fazer e tocar música (neste caso, o rock). Uma das principais, e talvez a grande representante do que passou a se chamar ‘punk’ no mundo da música e da cultura pop, foi os Sex Pistols. Além da extravagância herdada de bandas como Stooges e New York Dolls, os Pistols conseguiram ser mais decadentes, anárquicos e ‘sem futuro’ do que qualquer outra banda. E quem disse que há futuro? ou que tem que haver um? Abaixo a moral! Faça você mesmo! entre outras frases gritadas no palco por Johnny Rotten, ao som violento da guitarra e bateria e as danças e posturas decadentes de Sid Vicious, a figura marcada do punk. Tudo isso, mexeu com as estruturas da indústria, e a importância do único disco dos Pistols o ‘Never Mind the Bolocks’ de 1977, é relativamente, guardadas as devidas proporções, a mesma de discos como ‘Sargent Pappers’ de 1967 dos Beatles e/ou o disco do Velvet Underground do mesmo ano (o da banana). Pistols passou pela Inglaterra (e pela terra), como um furacão, gerando novos rumos para a música da indústria e a moda, além do comportamento das novas gerações. Até o que se conhece hoje por Emo, tem elementos importantes do punk. MacLaren foi casado com a estilista que ‘criou’ o look punk, responsável direta pela moda do final dos anos 70 até meados dos 80, e que reflete até os dias atuais, Vivienne Westwood. O fato é que morre Malcolm McLaren aos 64 anos, importante figura da história do rock, da música, moda e comportamento modernos.


Ivo & Blindagem

Ivo Rodrigues era vocal e compositor da banda paranaense Blindagem. Blindagem é uma das bandas pioneiras da cena do rock paranaense. Formado no final dos anos 70, o grupo alcançou projeção nacional nos anos 80. O grande poeta curitibano Paulo Leminski teve grande influência na história do grupo. A parceria Leminski/Blindagem/Ivo, rendeu belas músicas para a banda. Conheci Blindagem em meados dos anos 90 com alguns amigos de Francisco Beltrão, no Paraná, quando na época íamos direto tocar naquelas terras (Saudades daquele tempo que não volta mais!). Na ocasião eu e a Liza ganhamos o primeiro disco da banda de um amigo que cantava numa banda punk de lá, o Pipoca. Aliás, nós também éramos uma banda punk que depois se transformou em rock. Blindagem e a voz de Ivo, sempre estiveram presentes no nosso aparelho de vinil. Além de ser trilha sonora de festas e viagens. Vimos um show da banda aqui em Xapecó, no final dos anos 90, quando Ivo ainda tinha aquele barrigão de cerveja. E ele, ao mesmo tempo que cantava, com aquele vozeirão, bebia algo destilado. Depois, tivemos o prazer de rever a banda no Psicodália de ano novo, aliás, um dos melhores shows de toda a história do evento. Emocionante! Ivo, já sem seu barrigão, mas com a garganta em dia, elevou os ouvintes cantando. Inesquecível! Aproximadamente 4.000 pessoas com o sentimento musical a flor da pele cantando junto. E essa foi a última imagem que tivemos deste ‘monstro’ do rock brasileiro. Sua voz ecoa... e como! Justamente é ela que fica, além da memória. Todos morreremos um dia, é certo, mas alguns ficarão, se não pelos atos, pelo que cantaram e representaram. E Ivo Rodrigues, é um caso destes. Morre aos 61 anos, Ivo Rodrigues, um dos ‘ícones’ do rock paranaense, do sul e do Brasil. Adeus ao grande cantor!
 
“Eu te mandava pra longe da terra / pra não te ver mais /
pra você eu inventava uma guerra / mas não sou capaz /
(...) Loba da Estepe, te espero... Minha alma é sua!”

Ivo Rodrigues

“Vidas são como folhas, que na chegada do outono, vão caindo uma a uma, sonoramente ou em silêncio.”

Herman G. Silvani ou Niko.

quinta-feira, março 04, 2010

Adelante...

À todos que votaram na Epopeia, neste 'concurso simbólico', gracias!!

http://www.valvularock.com.br/resultado.html

Valeu a iniciativa do site e o entrevero entre as bandas...

...a Epopeia continua!

segunda-feira, março 01, 2010

Semi-final do FEMIC - 18/03 no Ginásio Ivo Guizzard em Xanxerê!!

Saudações amigos, fãs, admiradores...

Convidamos todos para comparecer na Semi-Final do FEMIC 2010 que acontecerá nesta Quinta, 18/03, a partir das 20h, no Ginásio Municipal Ivo Guizzard em Xanxerê-SC.
Sua torcida é importante, pois faz parte na escolha e decisão dos jurados.

EPOPEIA defende a música "O QUE PENSO DE MIM" (composição: Herman G. Silvani).


...venham torcer por nós!!



quarta-feira, fevereiro 24, 2010

VOTE JÁ! 1º Prêmio Válvula de Rock Catarinense!


  ÚLTIMA SEMANA PRA VOTAR:


Chegamos a última semana de votação com empates técnicos em duas categorias e disputas acirradas em quase todas as demais... mas todas as bandas ainda estão no páreo! então, se você não votou ainda, não perde tempo! É agora ou nunca! VOTE até domingo, dia 28 de fevereiro e ajude a valorizar o rock catarinense!

ACESSE:

http://www.valvularock.com.br/premio
http://www.valvularock.com.br/premio
http://www.valvularock.com.br/premio

EPOPEIA na categoria: REVELAÇÃO!! 

O RESULTADO SAI NO DIA 4 DE MARÇO NO NOVO SITE DO VÁLVULA ROCK!

TÁ DEFINIDO: NOVO SITE VÁLVULA ROCK NO AR DIA 1º DE MARÇO!

Os trabalhos no novo site do Válvula Rock estão em fase final de criação e programação e com orgulho anunciamos que ele será lançado oficialmente no dia 1º de março, na próxima segunda-feira, repleto de conteúdo fresquinho, novo layout, coberturas e afins!

Fiquem ligados:

http://www.valvularock.com.br


Válvula Rock: Levando o Rock Catarinense a Sério

segunda-feira, fevereiro 15, 2010

1º Prêmio Válvula de Rock Catarinense!

Amigos, fãs e parceiros da banda Epopeia...

Já está valendo o 1º Prêmio Válvula de Rock Catarinense!
Uma premiação voltada apenas para bandas catarinenses, que vai eleger ‘os melhores’ de 2009 em oito categorias! Uma forma que o site Válvula Rock encontrou de valorizar o trabalho dos grupos que correram o ano inteiro atrás do seu espaço nas árduas estradas barriga-verdes. A votação é aberta ao público e é válido um voto por e-mail.



duas bandas chapecoenses estão no pareo:

Epopeia na categoria: Revelação!

Repolho nas categorias: banda do ano, melhor disco, melhor música.
Maiores informações e votação no site: www.valvularock.com.br/premio

·        Contamos com o apoio dos amigos, fãs e afins!
Votem, votem, votem... e ajudem-nos a divulgar...

Gracias y adelante el rock!

sexta-feira, fevereiro 12, 2010

Agito com Balalau: Epopeia, rock e ar condicionado!


O projeto Start do SESC Chapecó reuniu fim de semana passado duas bandas de rock da cidade. Uma delas na sexta feira, a Ultraleve que eu não consegui ver e a segunda delas no sábado, a banda Epopéia que eu fui ver. As constatações são muitas e isso faz com que eu precise começar por algo. Sério???
Vamos começar pelo SESC. Já trabalhei no SESC (em 95) e as minhas reclamações sempre foram no sentido de utilizar melhor a estrutura disponível. Anos mais tarde percebe-se uma movimentação cultural via SESC que é sensacional. São pequenos eventos em quantidade intensa que privilegiam muitos dos setores culturais. Ou seja as reclamações ficaram para trás e a partir disso vem as propostas de parcerias. Reclamar é fácil, difícil é pensar em algo palpável e realizável. Hoje o SESC Chapecó nessa área de eventos é coordenado pela Camila e pelo Marcus Bonilla, duas pessoas extremamente receptivas em relação a novas idéias e projetos. Ou seja, além dos tradicionais projetos que o SESC nacional proporciona para todo o Brasil podemos pensar em eventos regionais.
No sentido do rock o espaço pode se transformar numa referencia, devido as casas noturnas não abrirem espaços para algo que seja cultural e invistam cada vez mais em aspectos que tragam dinheiro. Tudo bem as casas noturnas tem essa finalidade. É um negocio e o objetivo é ganhar dinheiro e blá blá blá… já disse isso um milhão de vezes. O que faz com que os movimentos artísticos tenham que ser criativos e mais do que isso buscar alternativas. Cansamos de nos gabar que participamos de um movimento de rock alternativo. Vamos mostrar essas alternativas a partir de criatividade. Ser alternativo na minha concepção é gerar alternativas. Dá mais trabalho, mas a recompensa (que não é financeira) é muito maior.
O espaço do SESC não é muito grande. Cabem cerca de 100 pessoas, mas tem ar condicionado e é de graça. Não pode beber e nem fumar. Ou seja um lugar ideal para promover algo mais interessante. Parece comentário de velho e até é. Mas ali podemos mostrar que o rock (ou qualquer outra manifestação artística) pode ser civilizado.
Vamos ao show, ou melhor fui ao show. E poderia nesse exato momento resumir o que eu vi com uma única palavra: emocionante. Pra mim que acompanha isso tudo desde muito tempo, é emocionante ver uma banda chegar num nível tão bacana em relação ao que fazem. Mais do que isso, a apresentação do Epopéia só comprova que se tiver estrutura bacana fica mais legal. É muito simples ter esse parâmetro. Olhe os show que o Epopéia (ou qualquer outra atração musical) faz na Efapi por exemplo e teremos um bom parâmetro comparativo.
 Sobre o amadurecimento musical e conceitual do Epopéia, já venho comentando isso há um bom tempo. E esse amadurecimento ao meu ver vem da percepção de que o rock (estilo musical, estilo de vida ou rótulo blá blá blá) não é só a música em si. Ele pode agregar elementos e se transformar em arte. Sempre vai ser a força motriz e o objetivo é a musica, mas pode conter diversos outros elementos que incrementam tudo isso gerando novas perspectivas e sensações. As referencias estão ai para ser usadas. E nesse sentido as perspectivas são ilimitadas. O próprio Nico num determinado momento do show explicou que o show tem referencia de cinema, literatura, artes plásticas, fotografia… Tudo evolui num cenário propicio para evolução e proporciona para o publico (fãs, parentes e amigos) grandes apresentações. É perceptível isso. E esse talvez tenha sido o show mais legal que eu vi do Epopéia (em termos gerais com certeza). Tudo acontece de forma organizada nos bastidores, para que a explosão seja no palco e proporcione ao público possibilidades sensoriais. É o lado conceitual e estético agregando valor na apresentação. Foi isso que eu percebi no último sábado. Nesse sentido o rock adquire uma outra dimensão.
No repertorio canções da autoria da banda. Afinal era o lançamento do segundo ep (em Mo.vi.men.to) do grupo. Canções novas que apontam caminhos para um próximo ep e também os covers que se inserem como releituras no processo todo apontando as referencias musicais. E foram somente dois (num repertório de mais de dez músicas), “White Rabbit” do Jefferson Airplane e no bis “Formato Cereja” da banda nordestina Plástico Lunar.
A abertura do show foi muito bacana. Tudo começou com uma interferência de rádio, as cortinas fechadas e um filme sendo projetado nas cortinas. O filme em questão “Através do espelho” da trilogia do silêncio do Ingmar Bergman proporciona uma metáfora interessante se pensarmos que estamos falando de um show de rock. O filme preto e branco derretia enquanto a banda promovia sons e ruídos psicodélicos. A música funcionava como trilha sonora do filme, que ao serem abertas as cortinas, passava a figurar como parte de um cenário em movimento. Uma mistura interessante de propostas. Estava tudo ali para o deleite de todos aqueles que compartilham referencias. Desde os primeiros instantes, nos primeiros acordes era possível deduzir tudo. A formula sem fórmula, o rock anos setenta, a psicodelia, Alice no País das Maravilhas, Bergman e tudo mais que os seus olhos pudessem ver, ouvidos ouvir e a cabeça relacionar. Um cenário conceitual servido de base para uma apresentação musical regida por uma luz discreta e um som impecável. O som estava muito bom e isso proporciona certa tranqüilidade e segurança na banda que brinca num cenário minimamente pensado e construído para isso.
Parabéns ao SESC pela iniciativa de abrir esses espaços as atrações locais. Parabéns ao publico que compareceu mostrando que temos em nossa região pessoas interessadas em algo diferente. E parabéns ao Epopéia por nos proporcionar uma noite agradável de rock, sensações e ar condicionado.

foto e texto de Roberto Panarotto (Repolho):

http://acb2.wordpress.com/2010/02/11/epopeia-rock-e-ar-condicionado/

a Epopeia continua...

quinta-feira, janeiro 28, 2010

Rock no Teatro

 

desConcerto no Teatro

 A banda chapecoense Epopeia lança ou relança (tratando-se desta banda, nunca se sabe, pois o inusitado sempre tem prioridade nos seus planos), seu mais recente disco, só que desta vez em um teatro. A convite do SESC, dentro do projeto ‘Enter 2010’, Epopeia fará um concerto de rock (ou seria desConcerto?), como aqueles que aconteciam com mais freqüência nos anos 60 e 70 pelos EUA, Inglaterra e outros países, inclusive no Brasil. É a ‘volta do rock ao teatro’.
O disco que a princípio leva o nome de: “em mo vi men to” (ou este não é o nome do disco? Na verdade, o ouvinte é quem decide), consiste em um ComPacto com 6 faixas, sendo uma introdução, 4 canções e uma instrumental. Feito de forma independente, o disco carrega parte do trabalho de uma das bandas mais expressivas da cidade de Chapecó e da região.
Nesta apresentação a banda tocará músicas dos dois discos que já possui, e algumas novas que já estão na fila de espera para serem gravadas. Uma apresentação, de certo modo conceitual, proliferando o rock contemporâneo produzido por aqui, com referencias garage, psicodélicas e progressivas. Compareçam ao teatro, desta vez, prestigiar o rock produzido em Chapecó.


EPOPEIA no Teatro do SESC

*lançamento do cd: em mo vi men to
- sábado dia 06, à partir das 20h
- entrada franca


esperamos vocês lá!
Rodrigo PV 
DC-Contracapa - Marcos Espíndola 
Rádio Atlântida: Marquinhos Zadinello e Juliana Giongo 
Diário do Iguaçu - Carol 
SESC - Camila & Markus
Banda Ultraleve

e aos amigos!!


obrigado!!

terça-feira, janeiro 12, 2010

Psicodália 2009-2010 (edição especial de ano novo)

Impressões e divagações...  (por  Herman ou Niko)

Saímos de Chapecó na quarta dia 30, por volta das 23:30h. Conversas, risos, tragos, dvd`s e som durante o percurso. Entre uma parada e outra para idas ao banheiro, algum café ou outro algo que sacie a fome ou vontade (no meu caso vicio), humanas. Já perto do destino, numa parada em um posto de gasolina, encontramos uma van que também seguia o mesmo rumo, e para minha surpresa, esta van levava uma das minhas bandas favoritas nacionais atualmente, a Plástico Lunar. Conversamos com o produtor da banda por um tempo - cara muito legal. Depois iríamos nos encontrar por diversas vezes na fazenda. Seguimos viagem, e por volta das 6:45 chegamos no Psicodalia. Feitos os procedimentos “legais”, estávamos todos dentro. Eu e a Liza havíamos nos inscrito para a imprensa, já que sempre fazemos fotos, textos e contatos, contribuindo de certo modo com o evento. Recebemos o “ok!” da organização, mas não sei o que houve, nosso nome não estava na lista da imprensa. Voltamos, do acampamento até a entrada do evento, conforme pedido de umas garotas da organização, por umas 3 vezes e nada. Na quarta, já havia perdido a paciência, cansado de correr e argumentar. Tudo tem limite, inclusive minha paciência (e olha que sou paciente, nisso, pelo menos). Tentamos encontrar a responsável, como sugerido pelas garotas da portaria, mas nada. Da terceira vez, levamos junto até o PV (Rodrigo), um amigo que foi conosco e que também se inscreveu na imprensa, pois tem site e tal, para comprovar que tínhamos um trabalho desenvolvido e que havíamos nos inscrito também, mas não foi o suficiente. Então desistimos. “Maldita burocracia”, aflige também o dito “universo independente”. Faltou, creio, um pouco de confiança e bom senso por parte de alguém ali. Apesar dos pesares, as fotos e textos estão aqui, e se não foram melhores, foi devido a um erro que não foi nosso, pois fizemos tudo como foi pedido. Então se o erro não foi nosso, não devíamos também ter sido os que correram atrás do conserto deste erro, não acham? Mas fazer o que, nem sempre a justiça prevalece (ou quase nunca).
Pensava que o local não seria tão bom quanto era em São Martinho, no vale, mas já na caminhada de reconhecimento (que tradicionalmente faço quando acampo), percebi quão grande e bonito era aquele lugar. No fim, achei melhor ainda do que quando era em São Martinho. Uma fazenda gigante, de um tal Evaristo. “Lugar do caralho!”. Encontramos uma boa sombra para montar o acampamento e montamos. Ao contrario dos acampamentos nomeados pela organização do evento, o nosso tinha um nome próprio, dado por nos mesmos. Portanto, quando alguém nos perguntava onde estávamos acampados, a resposta era: “la no Calça Rasgada”, o mais clandestino dos acampamentos – éramos os amotinados. Tínhamos ate uma bandeira própria e um líder messiânico (líder não sei do que, mas tínhamos), o “Otavio Conselheiro”, também conhecido – e só por nos - como “Transitions”. 

Otávio Conselheiro (o Transitions)         Os amotinados do 'Calça Rasgada' e o Poeta (Evaristo), o fazendeiro

Pontos positivos, vários. A começar pelo público, que sempre dá um show à parte, mostrando que a tolerância ao diferente constrói um mundo melhor e mais colorido. A organização também, melhora a cada festival. As bandas, o som, a alimentação, muito bons! Eu sempre digo, grande parte dos técnicos de som da minha cidade e parte das bandas, deveriam ir ao psicodalia para aprender algumas coisinhas essenciais. O festival tomou proporções grandes. Desta vez foram mais de 4000 pessoas reunidas em 5 dias de rock e boa convivência. Enfim... Elogiar não precisa muito, pois são nos erros e faltas que se aprende, e neste sentido, criticar é colaborar na construção.
Pontos negativos, apesar de poucos, existem (e creio que sempre existirão), mas também creio, que alguns podem ser saneados. No último dia, os banheiros se tornaram inutilizáveis, e quem precisou deles para as necessidades básicas, teve que procurar o mato. Outra coisa foi o problema das dálias (o dinheiro local – o que é algo muito interessante!), que se repete outra vez. No último dia, muitos comércios internos já não aceitavam as dálias, e outros ainda não as trocavam. Fazer o que então? Um furo aí, que gera certo incômodo, mas que pode ser consertado, para o bem de todos e de tudo. Acho também que deveria haver uma espécie de rodízio de bandas. Existem muitas bandas boas que gostariam de tocar em eventos deste porte, com esta estrutura e público sensacional. Seria uma oportunidade para outras bandas mostrarem seu trabalho e serem conhecidas, motivando a continuidade de seus projetos. Acho isso essencial no mundo independente. Nós mesmos já tentamos conseguir um espaço. Algumas até valem a repetição, mas seria interessante inovações neste sentido. Enfim...






Quinta, 31/12/09 - a virada!

Acampamento armado, “Calça Rasgada” ocupando espaços. Fomos até o “Palco do Sol”, o palco diurno e pouco menor do psicodália. De cara, a primeira banda que tivemos o imenso prazer de apreciar e curtir, foi a paulista Baratas Organolóides. E que banda! Essa eu não conhecia. Seu som me fez lembrar por instantes de uma das bandas que mais gosto atualmente, o Mars Volta. Algo de ritmos brasileiros, só que plugados, algo de jazz, certo peso no estilo King Crimson e Soft Machine. Um som garage-psicodélico mais contemporâneo, com muita energia e dissonâncias. Um batera com pegada e estilo, muito quebrado e com swing, baixo e guita entrosados e um outro guita (o de chapéu), muito bom, um dos grandes do festival. Boa presença de palco, bom vocal e belos trabalhos em coro dos vocais, cantando em três vozes, muito legal! Em suma, um dos destaques deste festival. Uma das bandas que mais gostei de ver e ouvir neste psico. Quebradeira do começo ao fim!




Caída à noite, sobe ao palco, desta vez ao “Palco do Pasto” (o palco noturno e maior, dito principal), uma das bandas que mais gosto do rock nacional no momento, e das mais esperadas por mim, a curitibana Sopro Difuso. E o que dizer desse show? Simplesmente espetacular! Um dos pontos altos do festival, só para começar a noite. A coisa estava emocionante, como sempre achei as apresentações da Sopro, só que desta vez com algumas novidades. Além das novas canções, muito boas por sinal, a presença de um guitarrista novo, o filho do Jacir (vocal e violão), que fez um belo solo ‘a la Floyd’ no show. O guri, deve ter no máximo 13 anos, e já manda muito bem na guitarra. De repente, eis que surge no palco uma belíssima negra que leva o nome de Michele Mara (de uma beleza dessas que não figuram em medíocres revistas de padronização estética) , dona de uma voz tão bela quanto sua presença, cantando junto à banda uma das minhas músicas prediletas da Sopro: “Sinal Fechado”. Deusolivre! Quase tive um treco. Coisa linda! Não tem nem como explicar o que foi aquilo. E o show continuou intenso e belo até o final. Sopro Difuso, tem letras muito boas, belas canções e o Érico e um dos melhores guitarristas do festival, que faz a guitarra chorar em solos ‘a la David Gilmour’ e arranjos muito bons, além de um grande flautista (belos arranjos também). E o que são os duetos de guitarra e flauta desta banda? Tudo muito bem casado com os vocais, baixo, bateria e o violão trabalhado de Jacir. Enfim... Sopro Difuso é vendaval!


Eliz (Epopeia) & Michele Mara


Depois foi a vez da banda nordestina, de Aracaju, Plástico Lunar, outra das mais esperadas por mim. Curtimos um monte esta banda (falo em nome da Epopeia), pelas musicas e por ter algo haver com o nosso som, tanto que fazemos uma releitura da musica “Formato Cereja”. A banda possui um dos grandes discos do rock independente nacional dos últimos anos, na minha opinião. Plástico Lunar é daquelas bandas que tem o que mostrar, fazendo um disco cheio onde todas as faixas são audíveis e tem a marca da banda. Uma banda com voz própria. Não sei se foi impressão minha, mas a banda estava menos à vontade do que o show que havia visto anteriormente no psico do carnaval. Apesar disso, foi um bom show. Belos arranjos, vocais, e músicas. Uma das bandas mais entrosadas e características do festival, que possui um belo disco recheado de grandes canções. Depois me encontrei por algumas vezes com a banda e seu produtor. Trocamos idéias, fotos e contatos. Os bichos são muito simples e legais. Espero ver a Plástico no próximo psicodália (ou antes ainda, se possível). Viva a Plástico Lunar!


Epopeia & Plástico Lunar (só faltou o Tuba), ao lado Transitions


O palco do Pasto deu um tempo para a virada de ano. A organização armou uma “ceia comunitária” para os presentes. Imaginem o que foi aproximadamente 4000 cabeças reunidas numa virada de ano de rock... ish! Fogos, tragos e abraços. Conhecidos e desconhecidos em abraços de saúde e feliz 2010, tudo muito divertido. Neste momento a falta de algumas pessoas que deveriam estar entre nós se sente mais (e a distancia e a saudade  ampliam seus horizontes), assim como a presença de outras, que felizmente estão. E o mundo gira (literalmente), ainda bem! Eita trago! Depois do estouro das espumantes, das frutas, dos fogos, gritos e abraços, o espetáculo continua. Sobe ao palco a banda de “Clown Music” porto alegrense, Bandinha Di Dá Dó, para prosseguir a festa e fazer da virada algo maior ainda do que estava sendo. Já conhecia a banda do psico passado. E que festa! Que espetáculo! Canções e uma presença de palco pra lá de divertida da banda de palhaços. O povo todo cantando junto, dançando e tudo mais. Uma multidão dividindo alegria e espaço, pois “a felicidade so existe quando compartilhada” (leia-se Thoreau). Alegria e diversão. Novos desafios. Novas paixões... E o ano começa muito bem, obrigado!





Fim da empreitada, pelo menos para as bandas do “palco do Pasto”. E para fechar a noite, subiu ao palco a banda mineira de Belo Horizonte, Zé Trindade. Também já conhecia a banda do psico passado, que havia feito um dos melhores shows daquele evento. Desta vez, repetiram a dose. O show iniciou com algumas canções de viola caipira, como um blues de viola muito bom! E o show foi destruidor. Um dos grandes bateristas do festival, com um dos grandes baixistas e para concluir, um grande guitarrista, resumindo, o que chamam de “power trio”,  o Zé Trindade realmente é. Muita competência, com uma presença de palco formidável. Uma porrada após a outra. Assim foi, novamente, uma das melhores apresentações do festival. Dá-lhe Zé!