segunda-feira, dezembro 13, 2010

Concursos de bandas e outras premiações: fábrica de ídolos?

Uma máxima diz que ‘a voz do povo é a voz de Deus!’ Outra já diz que ‘toda a unanimidade é burra! (ou toda a maioria)’. Ficou com a segunda opção.



Terminada a primeira fase do concurso Band me Up (iniciativa da escola de línguas Yázigi), que visa produzir uma banda para o ‘sucesso’, nenhuma surpresa. Participamos já sabendo um pouco como seria (pois já participamos de outros semelhantes), e nossa chance seria mínima (sem hipocrisia, pois a maioria das bandas de rock como nós, lutam arduamente por seu espaço, onde ser reconhecidas e sobreviver da sua arte é o objetivo, mas sem apelar nem cair em modismos). Abrir voto aberto ao grande público, do jeito que as coisas estão, é óbvio, ou quase, saber do resultado. Tudo deságua no comércio, no dito mercado ‘cultural’. É só ouvir as bandas que se classificaram (pelo menos a maioria delas – salvo uma ou duas), e ver/sentir a falta de criatividade e de conteúdo artístico do som e principalmente das letras. Rimas pobríssimas e conteúdo ‘zero’. Levou quem se mobilizou mais, quem destinou certo tempo a isso e quem teve mais votos pelo ouvido danificado da maioria dos votantes. Melodias e construção musical óbvias demais. Nenhuma surpresa, nenhuma novidade, nada! Tudo muito repetitivo. Tudo isso, devido a falta de audição, falta de conhecimento musical-cultural-artístico, da pouca exigência de parte significativa dos jovens que vivem grudados na internet, rádios e/ou televisão, da mídia que propaga essas sonoridades ‘fabricadas’, miseráveis em quase tudo. Antes que digam qualquer besteira, não estou aqui ‘chorando mágoas’, pois , como disse antes, devido ao rumo que o ‘rock’ mais pop e/ou comercial tomou no Brasil, é fácil saber resultados quando a votação é aberta. Mas qualquer conhecedor musical ou pessoa que tenha um pouco de senso crítico, percebe, ao ouvir as bandas participantes, que a grande maioria pelo menos, é muito limitada, artisticamente falando. Não sei onde entraram os jurados nisso tudo. Muito menos quem são, nem dos seus critérios (mas imagino!). Composições efêmeras, geralmente levam o porco pra casa! Das boas, entre as 10 classificadas, uma ou duas tem algo que dá pra explorar, artisticamente falando (falo aqui da questão cultural, artística e musical, e não do potencial mercadológico, que fique claro – música, muito além de produto, é arte, e produto por produto, é efêmero). Mas antes que eu me esqueça, parabenizo a banda xapecoense Regina, que meu primo e guitarrista Maurício toca. A gurizada é gente boa e tocam legal, além de estarem abertos auditivamente a outras sonoridades e estilos. Talvez uma das poucas que mereçam a classificação pelo empenho, certa musicalidade e buscas pessoais. São novos e se mostram disponíveis a crescer artisticamente (torço e espero que assim seja!). Voltando ao tema, infelizmente hoje, até a ‘qualidade’ e a musicalidade são submetidas ao mercado, a publicidade e a produção. Se vende mais estética humana e pessoal do que música: cabelos, rostos, roupas, cores. A música está em segundo ou terceiro plano. E nesse concurso mesmo, de rock, teve muito pouco ou quase nada. Aí entra uma definição histórica do que seja rock: atitude e ousadia, mas principalmente, rebeldia. Mas não aquela rebeldia meramente estética, forçada. Não maquiagem nem teatro de rebeldia, nem rebeldia virtual, de twitter, Orkut, internet, sem causa, mas a rebeldia característica, do modo de se posicionar, da linguagem, que acontece mais na estética sonora, depois no palco, nos timbres e letras, por último no visual. O rock, historicamente, sempre trouxe letras razoáveis, quando não, muito boas (no mínimo críticas), ou pelo menos com um sentido mais amplo e profundo, bem diferente dessas bandas modistas atuais a La Restart e Cine, que só choram suas lástimas e escrevem de forma medíocre sobre assuntos intimistas e banais. Desculpem, mas isso tá mais pra sertanejo universitário do que pra rock! Ou o que define o rock é a distorção de um pedal? Acho que não! Nada pessoal, mas não digo (escrevo) isso por sacanagem nem por desabafo ou mágoa, mas porque pesquiso, ouço, estudo, portanto conheço, mesmo que parcialmente, como funciona a indústria da cultura, seus modos e ideologias e o que isso gera (e não sou só eu). Não que o rock tenha morrido, mas ele não está tão descaradamente no ‘gosto popular juvenil’, como já foi outrora. A maioria das bandas que ganham em votações abertas, prêmios televisivos e etc. (a maioria e não todas! Aliás, quase todas!), são produtos de uma cultura estúpida e medíocre. E o Brasil, consome isso tudo sem sentir o sabor. Lixo cultural e enlatado. Pior de tudo, é o rock sendo usado como discurso e/ou bandeira para essas falcatruas de produtores-empresários que vendem ilusões. Em defesa de algo que conheço, pois vivo essa realidade de dentro, digo que isso não é rock. Isso é qualquer outra coisa, mas não rock. Não preciso me estender mais tentando explicar. Agora, antes de qualquer questionamento vazio, liguem um disco do Restart, Cine e similares, ouçam algumas das bandas deste concurso, depois tirem um tempo para ouvir um Pink Floyd, The Who, Beatles, Mutantes, Patrulha do Espaço, etc., e para não dizerem que sou retrógrado, pode ser também, Raconteurs, Mars Volta, White Stripes, Radiohead - no Brasil, Cidadão Instigado, Teatro Mágico, Confraria da Costa, Sopro Difuso, Ruído/mm, entre outras bandas atualíssimas, e se forem aptos, comparem, levando em conta TUDO. E verão que a única coisa que faz as modistas serem famosas, é justamente o que assassina a arte, ou seja, o produto em si, confeccionado, para ser ‘bonito’ esteticamente e não bom musicalmente. Assim se cria uma geração de amor cego, digo, surdo, ligada a imagem atrelada aos meios de comunicação. A música interessa muito pouco neste caso. A maioria dessas bandas da moda, não faz musica-arte e sim musica-produto, seguindo ordens de mercado e produtores que, através de investimentos, enriquecerem a si e aos meios. As bandas ficam com a fama e os restos, além de servirem de instrumento de manobra, destinados a massa alienada que se empanturra com toda essa parafernália cultural-industrial. Sei que estou sendo um pouco duro, mas minha posição aqui é política, de quem estudou e estuda, ouve e conhece, de quem luta por uma justiça para com a arte, contra o que é fabricado e empurrado goela abaixo pelos meios - e não posso ficar alheio a tudo isso, senão daqui a pouco, tudo se naturaliza e as coisas que realmente são boas deixam de existir, sendo que, quando as modas passarem (como esse modismo colorido-emo-jovem-contemporâneo-pseudo-rock-metal-hardcore), vai prevalecer o que realmente tem personalidade, certo estilo e voz própria. Critico por que posso e sinto a necessidade, mesmo sabendo que isso tudo é passageiro. Portanto, aproveitem a onda, logo, logo, irão se afogar neste lodo de que já estão mergulhados. Rock não é moda, mas sim, um modo de vida, uma sonoridade de características peculiares, que tem história e uma energia criativa, o mais é pura firula e modinha publicitária (e publicidade não é arte!), para ouvidos acomodados e mentes rasas.



• Mas nem tudo está perdido e nem toda a juventude é surda. Vejam o que um jovem admirado por muitos e odiado por muitos mais, diz sobre isso:



                                     

 



• Epopeia tocando ‘ao vivo’ (sem produção), no estúdio A – nossas músicas que participaram do concurso:



A vida é agora



Estranho Delírio

Adelante el rock!

quarta-feira, dezembro 08, 2010

Epopeia em férias (?)

Epopeia & Tributo a Led Zeppelin com a banda Sérappis (POA)


Normalmente quando tocamos, o público comparece. Na sexta 03/12 no Morrison, com um motivo a mais, a presença da banda Sérappis de Porto Alegre, fazendo um tributo a Led Zeppelin. Casa cheia novamente. Não vou me estender falando dos shows aqui. Ambos foram bons (pelo menos recebemos aplausos e saudações pela apresentação). Já que Sérappis fez um tributo onde tocou exclusivamente Zeppelin, resolvemos tocar 80% de repertório próprio. Músicas novas, outras nem tanto e uma inédita. Algumas pessoas compareceram para nos prestigiar, outras, ao Led (digo, Led não, Sérappis que tocou Led) – será que se fossem composições próprias o público Lediniano compareceria? Pelos aplausos, deu meio a meio. Rachamos o público (ou juntamos). Nos damos bem com a galera da banda. Pessoal legal e simpático. Inclusive, foram eles que entraram em contato nos convidando para tocar juntos. Nessas parcerias sempre se trocam informações e experiências. Possivelmente, nossa última apresentação neste ano por aqui. E possivelmente a última para dos 3 meses que virão (ao menos que surja um convite com uma boa proposta para tocarmos). A Eliz (vocal), foi passar a temporada no litoral, a trabalho. Aí resolvemos tirar umas ‘férias prolongadas’ com a banda. Talvez surja algo por lá para tocarmos, pois aqui, tá feio! Tocamos um pouco tristes ainda, pela perda da Lua, uma das nossas caninas, companheira de todo dia. Não resistiu a uma infecção no útero, e antes mesmo de subir na mesa cirúrgica, morreu. Na festa, pessoas ilustres, como fãs e amigos locais e de cidades vizinhas (Guto - (poooooooodre!!) e Tiago que normalmente comparecem aos shows da Epopeia, além da gurizada da banda Marujo Cogumelo de Xanxerê. Até aí, estava tudo muito bem. Odeio que me pressionem para tocar. Tipo, acelerando o processo. Dentro do combinado iniciamos a apresentação. Em uns 45 minutos, a casa pediu para darmos um tempo, não sei por que. Então paramos de tocar por alguns minutos. Logo, vieram dizer para continuarmos e encerrarmos logo. Ainda se o público estivesse indo embora, tudo bem, mas não, a casa continuava cheia. Muitos dos que foram, foram pra nos ver (Led, ao contrário do que muitos pensam, não agrada a todos), pois conhecemos, e não poderiam receber tão pouco de nós (é uma questão ética de quem toca e respeita seu público). A prova, é que pessoas foram embora logo depois da nossa apresentação. Novamente, não terminamos o repertório, deixando de fora duas ou três músicas. Apesar de tudo, a apresentação foi boa. Tocamos meio pressionados não sei por que nem por quem, mas...




O mundo gira... mas só para alguns!

Parte do público foi ver/ouvir clássicos do Led Zeppelin. Até aí, nada contra. Já fui mais ‘ouvidor’ de Led e do hard rock setentista. Mas é incrível como algumas pessoas não mudam. Sempre Led, Purple, Creedance, Doors, Janis, etc. (bandas muito boas, mas a questão é outra). Além destas, existem inúmeras tão boas quanto. É a cabeça de algumas pessoas que não muda mesmo. A falta de conhecimento, de vontade de busca, de audição, de pesquisa, trava possibilidades. Preconceitos e incompreensões sonoras e musicais se dão pela falta de audácia, audição e crítica de parte do público. O tempo passa e algumas pessoas criam raiz. Pessoas sedentas pelo ‘cover’. Pessoas estacionadas, que saem de casa para ouvir o que ouvem em casa (ou dizem que ouvem). Pessoas que fecham os ouvidos e mentes para o novo, ou para o que existe além dos clichês, do óbvio. Alguns até reclamaram o repertório de Led, que poderia ter sido outro, mais conhecido. Os mesmos que não entendem uma música um pouco mais intensa, pessoal, menos midiática ou de sucesso. Só caem nos clichês e em terreno seguro, ou seja, naquilo que conhecem. Seus ouvidos são domesticados, assim com suas mentes. Tenho pena e um pouco de repulsa a essa gente. Ainda bem que isso não pega, senão seria um problema. Falam mal daquilo que nem pararam para ouvir. O desconhecido às vezes assusta, amedronta. Mas só aos covardes. Posturas e pensamentos provincianos. Parte significativa do público fanático pelo cover ou pelo que já é conhecido, geralmente tem essa característica. Quando invadem um local, parece que contamina, como um vírus. E infelizmente, Xapecó tem muito disso. Se valoriza mais o sucesso, aquilo que já vendeu e vende. Ninguém está tirando o mérito de uma mega, hiper banda como o Zeppelin, ou de bandas boas como é o caso da Sérappis, mas, existem milhares de boas bandas no cenário do rock local, nacional e mundial. Bandas que também fazem os ditos covers, mas além disso, releituras, versões diferenciadas das oficiais, e muito além: composições próprias. Entre tantas, somos uma dessas bandas. Não fizemos cover, sim versões ou releituras, mas principalmente, compomos e tocamos o que compomos. Como colecionador e pesquisador de rock, tenho acesso a uma infinidade de bandas boas, outras nem tanto. Faz tempo que abri a cabeça para o mundo da busca, me libertando do sedentarismo artístico e cultural. Uma dica aos estacionados: já existe um meio que se chama internet, e que pode ser usado para a pesquisa, para o conhecimento, além do Orkut, facebook e twitter, existem sites e blogs que disponibilizam muita coisa boa para se conhecer e ouvir. Me cansei de ver os mesmos de sempre cantando a mesma coisa com a mesma cara de quem não se move e pasta, gerando lucros para alguém e enchendo o saco de outros. Enfim. O mundo gira... mas parece, que só para alguns.


*Obs.: Para shows, conforme o evento e a proposta, continuamos em atividade, é só entrar em contato. Obrigado!

Para os que nos apóiam e gostam da banda; para os amigos e fãs, obrigado e um grande abraço da Epopeia! Vocês são parte fundamental da nossa História e da História do rock autoral e independente de Xapecó.

Hasta mas!!



Herman G. Silvani



domingo, novembro 28, 2010

Morrison Rock’n Blues Bar apresenta:


 
EPOPEIA

&

SÉRAPPIS
(tributo Led Zeppelin)

* Sexta, 03/12
* A partir das 23h:30min

‘Venham participar de uma noite com ‘canções próprias’ & ‘releituras garage-psicodélicas’ da banda Epopeia e um tributo ao Zeppelin com a banda Sérappis’.



terça-feira, novembro 16, 2010

Entrevero de Rock, segunda edição...

Final de semana (07/11) e mais um domingo de Entrevero de Rock no Morrison Rock’n Blues Bar. Agora, as bandas da vez foram Setmo Selo e Sodoma H.




Setmo Selo


A primeira banda a subir ao palco foi a Setmo Selo, uma banda que já tem certa estrada no rock chapecoense. Acompanho a Setmo Selo praticamente desde seu início e sempre achei interessante suas composições e sua busca por estilo, por voz própria, coisa difícil de se alcançar (as referências, geralmente, dificultam a pessoalidade sonora das bandas), mas no caso de quem luta para ter sua voz (isso inclui, letras, sonoridade, timbres, postura de palco, composição...), a coisa já muda. Posso afirmar que a Setmo Selo é uma dessas bandas, que durante anos buscou seu caminho, sua voz, e hoje, de certo modo, atinge um momento que antes, não passava de uma busca. A banda adquiriu uma sonoridade mais sua, mais peculiar. Coisa que os anos de estrada, tocando juntos, experimentando, ouvindo, estudando, abrindo os horizontes e a cabeça para o mundo da música e dos sons, acontece (mas para quem se dispõe a isso). O que pude ver e ouvir, foi uma banda bem entrosada, com uma cozinha muito bem feita pelo baixista e pelo batera (o Bill tocou demais!). Fazia tempo que não via a banda tocar, e a exemplo de nós (Epopeia), Setmo Selo é uma banda que toca pouco (se compararmos com outras bandas da cidade). Talvez até por ter este aspecto ‘mais próprio de ser’ nas suas músicas, transferem até certa medida, sua sonoridade para os ‘covers’, o que comprova que é uma banda de certo estilo. Fiquei feliz em ver e ouvir uma bela apresentação como foi a do Setmo Selo. Novos arranjos para músicas velhas renovaram a própria banda que deu um salto, e as músicas novas então, muito boas! Não me surpreendi porque conheço a gurizada e sei das suas determinações. A banda fez uma apresentação de rock além da ‘mesmice’ do rock meramente festivo, mostrando seu potencial e suas canções muito bem elaboradas. Beirando o rock progressivo, com certa levada hard e um ‘Q’ de rock contemporâneo, a mudança momentânea de ritmos do instrumental e a quebra de tempos da bateria, além da energia, são destaques para quem pôde prestigiar a apresentação.





Sodoma H.

A segunda e última banda da noite foi a Sodoma H. Banda relativamente recente. Diferente da Setmo Selo que é um quarteto, a Sodoma H. é uma dupla (praticamente uma dupla sertaneja, não fosse a panca dos membros e a fúria poética das suas músicas). Isso mesmo, uma dupla nos moldes do White Stripes (Guitarra/voz e bateria), com a diferença que o batera não é tão sensível nem bonito quanto a Meg White (é claro!), e o vocal um pouco mais nervoso que o Jack (cantando!). A banda levou fãs para o Morrison, praticamente um fã-clube, muito legal! Também acompanho a Sodoma H. faz um certo tempo. Desde as apresentações mais precárias que vi da banda algum tempo atrás, sempre gostei das composições e da voz do Rodrigo (que tem uma potência vocal incomum). Outra banda que admiro e gosto muito de ver e ouvir aqui da cidade. Como a Setmo Selo, a Sodoma H. também é dessas bandas que buscam sua própria sonoridade, sua própria voz, e como a Setmo Selo também, a Sodoma H. chega a isso. Quando faz algum cover, o cover passa a ser uma versão, uma releitura do ‘original’, saltando da imitação que é o cover para algo original que segue o ‘estilo’ ou a sonoridade da banda. Eis aí, o caso do limite (que aparentemente é tocar rock em dupla), mas que se torna uma possibilidade, um diferencial. Se conseguirem, a coisa fica muito boa. E Sodoma H. conseguiu. A dupla tem o que dizer e mostrar, além da velha fórmula do rock and roll classic. Uma banda atual com referências do passado. Ouvindo/vendo a Sodoma H., lembro de algumas boas bandas punks e grunges. Lembro de The Baggios (banda nordestina muito boa que também é uma dupla), Nirvana, White Stripes, Ratos de Porão, BSB.H, algo de metal, algo de indie, de garage e até glam rock. Mas Sodoma H. é tudo isso um pouco - ou nada disso. Letras duras e com certo tom poético e uma pegada punk. Belas composições que saltam da melancolia para a porrada. Ver a dupla no palco é algo obscuro, revigorante e sincero. É na simplicidade que a poesia se manifesta.



Enfim, posso dizer que as duas bandas, desde quando as conheço, evoluíram em amplos sentidos, acertando sonoridades e formas de compor, transmitir seus recados e suas músicas. Destaque para as composições próprias, com certeza! Nisso, respiro mais aliviado, sabendo que, por mais que o rock esteja um pouco apagado por aqui, existem bandas que se atrevem a compor e desafiar o habitual. Parabéns as bandas! O Morrison apostou na idéia e o Entrevero agora está mais vivo do que nunca! As duas primeiras edições na casa foram um sucesso. Esperamos pelo próximo Entrevero, que pelo que sei, será ainda este mês. Daqui um pouco chega a nossa vez, yé!


Adelante el rock!



Herman G. Silvani (Niko)



quinta-feira, outubro 28, 2010

Epopeia no programa ‘loaded e-zine’


*ouçam & curtam & promovam & participem do mundo da produção independente brasileira pela internet, acessando:


*sessão descarrego (blog):


adelante el rock!

quarta-feira, outubro 13, 2010

Entrevero de Rock no Morrison...

Os Bigodes & Dazantigas

O projeto Entrevero do Rock se movimenta e chega até o Morrison Rock’n Blues Bar. Sua primeira noite na casa nova aconteceu no domingo dia 03 de Outubro, depois das eleições. Agora vais ser no primeiro ou segundo domingo de cada mês, a partir das 19h. A primeira banda subiu ao palco lá pelas 20h., mas a festa começou lá pelas 19h e se estendeu até aproximadamente às 23h. Nesta edição, as duas bandas a se entreveirarem foram as chapecoenses ‘Os Bigodes’ e ‘Dazantigas’. Casa cheia e as bandas com todo gás. A primeira banda a subir ao palco foi Os Bigodes. Tocando músicas próprias num estilo que mistura ‘rock gaúcho’ e jovem guarda, além de uma leve passagem pelo mod sessentista, Os Bigodes apresentaram um belo repertório de releituras (versões) e cover’s de bandas que, particularmente, gostamos muito. Entre elas: The Kinks, The Small Faces e Lou Reed. A apresentação foi de muita energia e músicas bem tocadas. Desde a última apresentação que havia visto da banda, ela melhorou muito.

A segunda banda a subir no palco foi a Dazantigas. Banda de certa ‘estrada’ aqui na cidade, que ao exemplo dos Bigodes, tem um pé no ‘rock gaúcho’, algo de jovem guarda e de hard rock setentista. O ‘Daza’, como é chamada por alguns, fez uma apresentação empolgante, na maioria com suas próprias e ‘novas’ músicas. Destaque para o batera que tocou todas as músicas com muita energia e sem vacilar. A banda, como no caso dos Bigodes, também melhorou muito desde a última vez que eu tinha visto. O batera então, nem se fala! A banda ganhou força com a presença do ‘novo’ guitarrista, que trouxe um pouco do estilo ‘hard rock’ para a banda (bases e solos, além de timbres e distorções). Composições novas, mais energia e peso, caracterizam essa nova fase da banda.

Em suma, as duas bandas combinaram no estilo, dando certo ‘ar temático’ para a festa. O som estava bom e as bandas tocaram bem, priorizando, dentro da proposta do Entrevero, as músicas próprias. Pena eu ter esquecido a máquina fotográfica em casa. Agora, façamos força para que o espaço permaneça e o público compareça. A primeira experiência já foi muito boa. Um bom sinal. Já esperamos o próximo Entrevero, que, a princípio, será no início de Novembro. Até lá!

O Entrevero continua!

Herman ou Niko.

segunda-feira, outubro 11, 2010

SWU festival: breves considerações...

The Mars Volta & Rage Againsth the Machine: Rock, Caos e política

No sábado, primeiro dia do Festival SWU - Music + Arts, realizado na Fazenda Maeda, em Itu, interior de São Paulo, tocaram algumas bandas das quais eu e a Liza queríamos muito ver. Já que a grana não deu, assistimos algo pela internet. Los Hermanos, pelo pouco que vimos, fez um belo show, onde o público cantou junto várias canções da banda. Almarante brincou com o público e Camelo parece ter se impressionado com a quantia de gente (em torno de 48 mil cabeças, pelas notícias que li em sites). Até parecia que era mais. Depois vimos a banda que mais queríamos ver, a californiana The Mars Volta. Conheci Mars Volta, justamente, pela televisão quando tocou no Tim Festival, anos atrás, e me apaixonei de cara. Gosto muito de psicodelia, garage e afins, e a banda traz isso no seu som. Algo de jazz, King Crimson, Floyd, Electric Prunes, MC5. Li em blogs, sites e afins, comentários negativos da apresentação do Mars Volta (muitos outros positivos, é claro!). Alguns diziam que havia sido um show chato e ‘estranho’. Mas o que é ser estranho? É claro, para quem não conhece bem a banda ou não gosta de psicodelia ou garageira, as críticas são óbvias. Mas o que eu pude ver pela net foi um baita show! Mais tranqüilo do que os outros que já vi, porém com a mesma intensidade. O Mars Volta é uma dessas bandas que não tem nada de óbvio, previsível e repetitivo. Cada show é um novo acontecimento, o inusitado. Quem esperava uma banda com uma lógica matemática, rifes e refrões melodiosos para cantar junto ou o vocal gritando ‘sai do chão!’, deve ter se frustrado mesmo! A banda veio com um baterista novo (pelo menos para mim), muito bom por sinal (Mars Volta sempre com ótimos bateristas), e a banda menor, sem o outro tecladista ‘negão’ (figuraça! - uma pena!), e sem o saxofonista. A banda iniciou o show quebrando o clima mais ‘comportado’, mandando sua forte energia pelos amplificadores, e o público pulando junto com o psico-garage da banda. Depois terminou o show com uma leveza típica de bandas progressivas como Pink Floyd, com efeitos e divagações sonoras. Omar Rodriguez (guitarrista) e Cedric (vocal), os personagens centrais do Mars Volta, dispensaram as palavras ditas, dando o recado com a música e suas posturas desconcertantes e sua sonoridade dissonante - e com certa elegância visual ‘meio torta’. Muito bom! Como queríamos ter visto isso ao vivo!




O ponto máximo da noite (pelo menos era essa expectativa), o que, de certa forma aconteceu, pelo menos para os maiores fãs, foi a apresentação do Rage Against the Machine. Rage tocou pela primeira vez no Brasil e na América Latina, e mesmo com seus componentes mais velhos, mostrou toda sua potência sonora e de palco. Um showzão! Clássicos da banda fizeram o público pular, gritar e fazer o chão tremer. Zack de la Rocha, o vocal, chegou a mandar uma música para ‘os irmãos do MST’ (palavras suas!). Banda de certa convicção e posição política como sempre foi, Rage é mais do que um mero produto da industria fonográfica por isso! Posições políticas, assim como posturas, se conquistam e se constroem, com propostas artísticas, visuais e sonoras, também! Já sabia que esses dois grandes shows da primeira noite sacudiriam o Brasil! Mars Volta & Rage, que dobrada! Queria ver ainda Cidadão Instigado, Teatro Mágico (que já vi ao vivo), Os Mutantes, Pixies e Queens of the Stone Age. Regina Spektor e  Joss Stone também me interessam. Até verei, mas só pela internet mesmo. Não é a mesma coisa, eu sei. Mas ainda bem que existe a tecnologia para isso, ufa!



* texto: Herman G. Silvani (Niko)

domingo, setembro 19, 2010

Epopeia & Rick Boy Slim no Morrison...


Sábado, ‘11 de Setembro’. Aniversário de 9 anos do trágico-espetacular ataque as torres gêmeas nos EUA. Festa da Expo-Tattoo (exposição de tattoos que ocorreu no Centro de Eventos durante o dia). Morrison Rock Blues bar, hoje o grande espaço do rock e blues na  cidade. Espaço aconchegante, cheio de estilo. Fazia tempo que não via tantas bandas boas tocar diretamente num mesmo lugar. A maioria blues. Nesta noite, fomos indicados e contratados pela casa para tocar no evento de tattoo e dividir o palco com o Rick e sua banda. Já havia visto duas vezes o cara tocar. E como toca! Foi muito legal dividir o palco e o conhecimento com esses caras, que são músicos ‘profissionais’ já faz anos. Jantamos juntos e foi então que podemos dialogar sobre pedais de efeitos, guitarras e timbres, além de música e outros assuntos mais alheios. Os caras são muito simples e divertidos. Tocamos um repertório misto, com algumas releituras, versões de bandas que gostamos de ouvir e tocar como Grand Funk, The Spencer Daves Group (do grande vocal Steve Merriot: Blind Faith e Traffic), Mutantes, Patrulha do Espaço, The Kinks, T-Rex (já que a proposta do bar é diversão), entre outros, e composições próprias. Para nosso deleite, fomos mais aplaudidos pelas composições próprias do que pelas releituras. Isso incentiva e dignifica qualquer banda que luta com suas próprias músicas. Rick Boy Slim e sua banda tocaram por sua vez, além de clássicos do blues, também bandas como The Cream, Jimi Hendrix Experience e Steve Ray Voughan. No final rolou ainda Jam com as duas bandas. Casa cheia, o rock e o blues fizeram da noite uma grande festa que começou lá pelas 22:30h do sábado e só terminou às 5h da manhã do domingo com um grande público ainda presente. Este ano tocamos pouco, mas esta foi, junto com o concerto no teatro do SESC, a nossa melhor apresentação. Enfim... não há fim.

A Epopeia continua...

Herman G. Silvani (Niko)








• Teatro também é lugar de rock!


Isso tudo só comprova que, por mais que alguns chatos ainda cismem e teimem em dizer que teatro não é lugar pra rock e/ou música elétrica, as apresentações de rock estão comprovando o contrário. Lotam! E o som, mesmo mais alto e elétrico, fica muito bom (Quando a banda é boa e sabe o que está fazendo, não tem erro!). Na maioria das vezes tem dado mais público nas apresentações de rock do que nas acústicas e/ou clássicas. No início do ano com a banda xapecoense Ultraleve, lotou! Depois, nós, Epopeia, lotou! Outros concertos de rock aconteceram durante o ano e a maioria deu casa cheia, como foi o caso desses últimos três. O rock parecia estar quase aniquilado por aqui, mas não. Talvez só tenha migrado das casas de shows que priorizam hoje o sertanejo universitário, para as salas de teatro e auditórios da cidade. Mas isso tudo não é novidade. Historicamente, no Brasil e fora dele, bandas de rock tocavam e tocam em teatros. No Brasil, por exemplo, na década de 1970, era comum bandas do rock progressivo tocarem em teatros. Por mais que ainda existam pessoas que subestimem o potencial do rock enquanto um produto cultural de certo nível artístico, os próprios fatos afirmam que o rock é tiro certeiro. Nisso, o rock continua vivo e se mostra um potencial.
Quando os modismos terminarem ou diminuírem, quem vai prosseguir deixando a cultura musical pop de pé, é o rock, certamente. Let’s rock!

O Projeto Unocultural apresentou:

Cassim & Barbária

Terça-feira, ‘7 de Setembro’, feriado. Dormi até ao meio dia aproximadamente. Não sou dado a desfiles cívicos, ainda mais quando é de manhã bem cedo. Geralmente durmo tarde, muito tarde, aí compenso dormindo de dia quando posso. Fiquei sabendo uns 4 dias antes do show. Foi no SESC. Depois da grande apresentação do Júpiter Maça pelo projeto Unocultural, foi a vez da banda de Florianópolis Cassim & Barbária. Já havia ouvido a banda, mas de leve. Uns dois dias antes me empenhei e vi vídeos e ouvi mais músicas. Gostei da banda. Mas nada melhor do que ver ao vivo. Logo na chegada ao SESC, um figura que não era estranho me cumprimentou. Sabia que conhecia, mas não lembrava de onde. Tratava-se do Xuxu, ex- guitarrista da banda Pipodélica. Conheci o figura faz um tempão, quanto a Pipodélica veio tocar aqui, no tempo da Cristal Beer, junto com Los Hermanos se não me engano. Depois do show conversando com ele lembrei que havíamos conversado na época. Sem dúvida alguma, um dos grandes shows que presenciei no ano todo aqui em Xapecó. Loucura! Sou suspeito em falar, pois sou doente por efeitos de pedais e sintetizadores e timbres de guitarras. Foi um grande show. Belas composições tocadas e cantadas. Muito bem tocadas e muito bem cantadas. Um coro de voz criativo. Efeitos e imagens propagadas no palco. Bateria, percussão, equipamentos eletrônicos, sintetizações, três guitarras e três vocais. Tudo muito bem composto, pensado. Improviso e detalhes programados. Psicodelia contemporânea. A banda que foi fazer uma turnê pelos EUA e Canadá, fez espetáculo no teatro do SESC, lotado.



Crédito das fotos: Yusanã Mignoni



Pata de Elefante

Terça-feira, 14 de setembro. Dia ‘útil’ de semana. Chegamos ao SESC era aproximadamente 18:15h, pegar os ingressos para ver a Pata de Elefante. Havia falado com o Roberto dias antes por telefone, e ele me pediu sobre o Pata. Sabia que é uma banda bem rodada no meio independente, na internet e tudo mais. Uma das grandes bandas instrumentais do rock brasileiro. Rock no sentido mais visceral da palavra. O SESC seria pequeno. E foi. Tanto que tiveram que fazer duas seções, lotadas as duas. Havia convidado amigos de outra cidade que curtem muito a banda e quando me disseram que não havia mais ingresso, não consegui disfarçar, fiquei um tanto irritado. Sabendo que já tinha esgotado os ingressos, pedi que a Liza ligasse imediatamente para eles. Já estavam na estrada. Putz, não poderia deixar pessoas de mais longe perderem a viagem. Mas tudo se resolveu, ainda bem! Já havíamos, eu e a Liza visto a banda por três vezes. A primeira foi em Passo Fundo, RS, no festival Armênios on fire, anos atrás. Depois vimos ainda por duas vezes em duas edições do Psicodália. E todas as três vezes, o Pata proporcionou belos espetáculos. Desta vez em Xapecó, não foi diferente. Rock instrumental de primeira! Simplicidade e complexidade, diálogos sonoros e musicais. Timbres valvulados. Um legítimo Power trio. Baixo e bateria casados, formando uma cozinha das melhores. Guitarra solando com técnicas e feeling característicos do bom e velho rock. Quando o baixista e guitarrista trocaram de instrumentos o show mudou, mas continuou. Grandes composições, riffs, solos, melodias. A guitarra cantava. Um dos grandes shows do ano por aqui também. Mais uma vez um tiro certeiro do projeto Unocultural seus idealizadores e propagadores. Um grande espetáculo que já anuncia no subconsciente: Qual será o próximo?!

Herman G. Silvani (Niko)



Crédito das fotos: Liza & Niko

terça-feira, agosto 24, 2010

Júpiter Maça (Apple) em Xapecó

Parte 1

Noite do dia 21 de agosto. Chegamos à casa de show/bar Premier por volta da meia noite. Esperamos a caravana de Xanxerê com os 20 ingressos que vendemos. O show não demorou muito para começar e passou tão rápido!! Significa que foi bom. Muito bom! Dá ultima vez que havia visto/ouvido o Júpiter tocar por aqui, confesso, não gostei. Foi em um evento/acampamento de rock na Estância das Águas. Fazem alguns anos já. Tocaram outras bandas numa espécie de festival. Entre elas a Identidade, que na época, se não me engano, acompanhou o Júpiter no show. A banda tocou muito bem e tal, mas o Júpiter não estava bem. Já havia visto o Júpiter tocar outras vezes, no tempo da ‘Sétima Efervescência’ ainda. Uma vez foi no antigo Guará (hoje sede do CRC), em meados dos anos de 1990. Um belo show! Depois, vi no ginásio do SESC, também um bom show, só lembro-me do som estar ruim. Ressonava demais pelo fato de ser num ginásio. Depois, sei que ele tocou ainda duas vezes por aqui. Uma na República CRC, casa de shows onde ainda hoje é o CRC. Neste não pude entrar, mas estava lá fora e ouvi os efeitos dos sintetizadores de um cara que acompanhava o Júpiter, e que mais tarde, iria conhecer pessoalmente e fazer parcerias. Falo do Astronauta Pingüim. Já tocamos e bolamos eventos juntos, duas vezes aqui em Chapecó e uma em Concórdia. O Pingüim é um figura, pessoa simples e muito criativa. Inclusive, das vezes que veio tocar na cidade ficou aqui em casa e conversamos até esgotar os assuntos (como se isso fosse possível!). E sábado (21 de agosto) o Pingüim fazia ecoar outra vez seu moog por aqui. Foi um grande show. Novas e velhas canções deste que é um referencial no rock do sul do país, o Júpiter Maça. Rock-eletro-rock, para curtir, viajar e dançar. É um pouco chato, porém inevitável as comparações, mas este show me lembrou algumas bandas contemporâneas de que gosto, como o Franz Ferdinand e o Interpol. Foi uma noite muito divertida. Ouvia TNT e Cascaveletes no início da minha história com o maldito rock & roll. Sempre gostei de algumas músicas, inclusive duas que o Júpiter tocou no show em versões contemporâneas: ‘Morte por tesão’ e ‘Identidade zero’. Era muito fã de psicobilly e rockabilly (e ainda gosto!), e essas duas canções marcaram estes estilos no sul do país. Outros clássicos do Júpiter foram tocados em versões inusitadas e muito boas por sinal. Casa cheia, som bom e um baita show!

Parte 2

Noite do dia 23 de agosto. O projeto Unocultural funcionando com todo o vapor. Um público legal e o show começa, lá pelas 19h45min. Desta vez, Júpiter sentado e sem o baixo, acompanhado da bateria e dos teclados psicodélicos do Pingüim. Algo menos dançante, aliás, muito mais introspectivo. Já na primeira música senti o clima e a sonoridade a la Velvet Underground do começo, uma das bandas que mais gosto e para o meu deleite, o show inteiro teve esta atmosfera. Como disse o próprio Júpiter no palco - o formato ficou interessante, trouxe a tona uma obscuridade que fica nas entrelinhas das músicas. Depois, nos bastidores, numa rápida conversa com o Júpiter e o Pingüim, o Júpiter disse num tom de bom humor que o show no Premier foi a versão pop e este segundo, cult. Agora fica difícil dizer de qual eu mais gostei. Os dois foram muito bons! Bem diferentes, mas ambos bons. Nesta segunda apresentação, os teclados do Pingüim tiveram mais espaço e houve momentos de muita experimentação. Psicodelia e obscuridade, elementos que eu gosto muito, pessoalmente.

Enfim, parabéns ao projeto, que já trouxe a Xapecó figuras como Nei Lisboa e Jorge Mautner, ao Roberto Panarotto (importante agitador cultural da cidade), ao público que participou valendo, ao Júpiter e ao caro amigo Pingüim, que proporcionaram ao público e fãs, duas noites brilhantes de muita música, diversão e experiências sonoras.

Herman G. Silvani (Niko)


Júpiter Maçã, Liza & Astronauta Pinguim
Júpiter Maça, Liza & Niko

quarta-feira, agosto 04, 2010

EPOPEIA no ESTÚDIO A!!


Estudio A é um programa musical-cultural veiculado pela Unochapecó que vai ao ar no canal 15 da net e/ou pela Uno Web tv na internet.

A banda xapecoense Epopeia gravou o programa e deu no que deu. Confiram a entrevista poética, ácida, sarcástica, anarquica, divertida e a performance da banda com suas canções e contravenções sonoras nos links abaixo:

Parte 1 - www.unochapeco.edu.br/unowebtv/play/banda-epopeia-01

Parte 2 - www.unochapeco.edu.br/unowebtv/play/banda-epopeia-02

Parte 3 - www.unochapeco.edu.br/unowebtv/play/banda-epopeia-03

...confiram e deixem seus recados.

Beijos, abraços, socos e pontapés!!



quinta-feira, maio 20, 2010

Adeus ao BluesMan do Sul...

Morre mais um ícone do rock e blues do Sul do país. Trata-se de Bebeco Garcia, grande guitarrista (um dos melhores do Sul - e do país - no estilo rock-blues), fundador em meados dos anos de 1980 da banda Garotos da Rua. Bebeco costumava vir com freqüência a Xapecó, onde tocava cercado de amigos e admiradores. Grande parceiro da banda xapeconse Mister Magôo, Bebeco era um grande guitarrista (a moda antiga), mas que sempre conseguiu se atualizar no som que produzia. Uma perda insubstituível, como foi a de Ivo Rodrigues da banda Blindagem que também se foi à pouco tempo. A morte de Bebeco, até onde sei, foi devida a uma infecção hospitalar, neste dia 19. Dia 20 (hoje), foi (ou está sendo), enterrado em Porto Alegre, sua cidade, onde cresceu junto com seu estilo de tocar e suas bandas. Um roqueiro-bluseiro a menos nesses tempos de frivolidade, infelizmente. É minha gente, uma geração que embalou e criou estilos e mentalidades está se indo. Quem viveu ou pelo menos se influenciou, ou no mínimo ouviu essas criaturas do final dos anos 70 e início dos 80, adquiriu algo que não se encontra em qualquer lugar. Bebeco, assim como Ivo, deixou sua música e trajetória na história do rock e na memória daqueles que ainda ousam cantar aos solos elétricos e o que eles transmitem, vivendo o rock, dia a dia. Fica aí o registro e nossos sentimentos. “Viva Bebeco, em suas canções!”

Capa de um dos belos discos de Bebeco.

Herman G. Silvani (Niko).

quinta-feira, abril 29, 2010

EPOPEIA no LOST

 
Saudações!


, depois se cadastrar e votar em uma das opções (de preferência a opção c., he he!):

       a. “Meia Boca” = 0 pontos
       b. “Tem Futuro” = 2 pontos
       c. “Do cará***!!!” = 5 pontos

  • Esta é só a primeira fase do ‘concurso’, e nisso, cada banda precisa da força de seu público e afins... enfim.

A EPOPEIA Agradece!!

* É o rock xapecoense em mo.vi.men.to...

sexta-feira, abril 09, 2010

Homenagem...

A Morte passa por perto...

Semana dura para os fãs, admiradores e entusiastas do rock – e para nós. Dois ícones morrem do mesmo mal, uma doença chamada: Câncer (meu signo!) – mas não fui eu, juro! Também sinto a morte por perto. Ela sempre está em volta. Além de personagens, ícones ou ídolos, amigos e sentimentos morrem, assim como no que se acredita e tudo mais que compõe esta vastidão que se chama mundo. Cada vez mais acredito que a vida é um jogo, recheado de interesses, mentiras e algumas coisas boas. O mais doloroso, não é a morte em si, física, material, mas sim o que fica. Sentimentos esfacelados! Mas vou me reter na parte histórica e cultural...
Malcolm McLaren, produtor/mentor de duas importantes bandas da história do rock e da música, morreu nesta quinta, do mesmo mal do mais próximo “ícone” Ivo Rodrigues, vocal da banda Blindagem. Duas mortes de duas importantes figuras, numa só pegada, e da mesma doença.

Malcom, Dolls & Pistols

Malcolm MacLaren foi fundador e empresário de duas das mais importantes bandas de meados dos anos 1970, a New York Dolls (1973: primeiro disco), e os Sex Pistols (1977: único disco). New York Dolls era uma banda norte americana de glam rock, garage pré-punk. Vestiam-se com roupas extravagantes e femininas, tipo ‘travéco’, tudo para zoar. Pelo menos é o que me consta. O fato é que o Dolls foi uma importante banda (além de ser muito boa e divertida, além de descarada e irônica), no seu tempo. Seu som respinga até os dias atuais, pois lida com o escracho, ironizando o lado ‘ordeiro-medíocre-hipócrita’ deste mundo velho sem porteira – e me desculpem os crentes no mundo mecanizado, mas a anarquia e o caos (leia-se teoria do caos), sempre prevalecem. Tudo potencializado depois pelos Sex Pistols. Sex Pistols, por sua vez, era uma banda inglesa que balançou o reino unido e sua indústria fonográfica, além da moda, da postura juvenil urbana e do modo de fazer e tocar música (neste caso, o rock). Uma das principais, e talvez a grande representante do que passou a se chamar ‘punk’ no mundo da música e da cultura pop, foi os Sex Pistols. Além da extravagância herdada de bandas como Stooges e New York Dolls, os Pistols conseguiram ser mais decadentes, anárquicos e ‘sem futuro’ do que qualquer outra banda. E quem disse que há futuro? ou que tem que haver um? Abaixo a moral! Faça você mesmo! entre outras frases gritadas no palco por Johnny Rotten, ao som violento da guitarra e bateria e as danças e posturas decadentes de Sid Vicious, a figura marcada do punk. Tudo isso, mexeu com as estruturas da indústria, e a importância do único disco dos Pistols o ‘Never Mind the Bolocks’ de 1977, é relativamente, guardadas as devidas proporções, a mesma de discos como ‘Sargent Pappers’ de 1967 dos Beatles e/ou o disco do Velvet Underground do mesmo ano (o da banana). Pistols passou pela Inglaterra (e pela terra), como um furacão, gerando novos rumos para a música da indústria e a moda, além do comportamento das novas gerações. Até o que se conhece hoje por Emo, tem elementos importantes do punk. MacLaren foi casado com a estilista que ‘criou’ o look punk, responsável direta pela moda do final dos anos 70 até meados dos 80, e que reflete até os dias atuais, Vivienne Westwood. O fato é que morre Malcolm McLaren aos 64 anos, importante figura da história do rock, da música, moda e comportamento modernos.


Ivo & Blindagem

Ivo Rodrigues era vocal e compositor da banda paranaense Blindagem. Blindagem é uma das bandas pioneiras da cena do rock paranaense. Formado no final dos anos 70, o grupo alcançou projeção nacional nos anos 80. O grande poeta curitibano Paulo Leminski teve grande influência na história do grupo. A parceria Leminski/Blindagem/Ivo, rendeu belas músicas para a banda. Conheci Blindagem em meados dos anos 90 com alguns amigos de Francisco Beltrão, no Paraná, quando na época íamos direto tocar naquelas terras (Saudades daquele tempo que não volta mais!). Na ocasião eu e a Liza ganhamos o primeiro disco da banda de um amigo que cantava numa banda punk de lá, o Pipoca. Aliás, nós também éramos uma banda punk que depois se transformou em rock. Blindagem e a voz de Ivo, sempre estiveram presentes no nosso aparelho de vinil. Além de ser trilha sonora de festas e viagens. Vimos um show da banda aqui em Xapecó, no final dos anos 90, quando Ivo ainda tinha aquele barrigão de cerveja. E ele, ao mesmo tempo que cantava, com aquele vozeirão, bebia algo destilado. Depois, tivemos o prazer de rever a banda no Psicodália de ano novo, aliás, um dos melhores shows de toda a história do evento. Emocionante! Ivo, já sem seu barrigão, mas com a garganta em dia, elevou os ouvintes cantando. Inesquecível! Aproximadamente 4.000 pessoas com o sentimento musical a flor da pele cantando junto. E essa foi a última imagem que tivemos deste ‘monstro’ do rock brasileiro. Sua voz ecoa... e como! Justamente é ela que fica, além da memória. Todos morreremos um dia, é certo, mas alguns ficarão, se não pelos atos, pelo que cantaram e representaram. E Ivo Rodrigues, é um caso destes. Morre aos 61 anos, Ivo Rodrigues, um dos ‘ícones’ do rock paranaense, do sul e do Brasil. Adeus ao grande cantor!
 
“Eu te mandava pra longe da terra / pra não te ver mais /
pra você eu inventava uma guerra / mas não sou capaz /
(...) Loba da Estepe, te espero... Minha alma é sua!”

Ivo Rodrigues

“Vidas são como folhas, que na chegada do outono, vão caindo uma a uma, sonoramente ou em silêncio.”

Herman G. Silvani ou Niko.

quinta-feira, março 04, 2010

Adelante...

À todos que votaram na Epopeia, neste 'concurso simbólico', gracias!!

http://www.valvularock.com.br/resultado.html

Valeu a iniciativa do site e o entrevero entre as bandas...

...a Epopeia continua!

segunda-feira, março 01, 2010

Semi-final do FEMIC - 18/03 no Ginásio Ivo Guizzard em Xanxerê!!

Saudações amigos, fãs, admiradores...

Convidamos todos para comparecer na Semi-Final do FEMIC 2010 que acontecerá nesta Quinta, 18/03, a partir das 20h, no Ginásio Municipal Ivo Guizzard em Xanxerê-SC.
Sua torcida é importante, pois faz parte na escolha e decisão dos jurados.

EPOPEIA defende a música "O QUE PENSO DE MIM" (composição: Herman G. Silvani).


...venham torcer por nós!!



quarta-feira, fevereiro 24, 2010

VOTE JÁ! 1º Prêmio Válvula de Rock Catarinense!


  ÚLTIMA SEMANA PRA VOTAR:


Chegamos a última semana de votação com empates técnicos em duas categorias e disputas acirradas em quase todas as demais... mas todas as bandas ainda estão no páreo! então, se você não votou ainda, não perde tempo! É agora ou nunca! VOTE até domingo, dia 28 de fevereiro e ajude a valorizar o rock catarinense!

ACESSE:

http://www.valvularock.com.br/premio
http://www.valvularock.com.br/premio
http://www.valvularock.com.br/premio

EPOPEIA na categoria: REVELAÇÃO!! 

O RESULTADO SAI NO DIA 4 DE MARÇO NO NOVO SITE DO VÁLVULA ROCK!

TÁ DEFINIDO: NOVO SITE VÁLVULA ROCK NO AR DIA 1º DE MARÇO!

Os trabalhos no novo site do Válvula Rock estão em fase final de criação e programação e com orgulho anunciamos que ele será lançado oficialmente no dia 1º de março, na próxima segunda-feira, repleto de conteúdo fresquinho, novo layout, coberturas e afins!

Fiquem ligados:

http://www.valvularock.com.br


Válvula Rock: Levando o Rock Catarinense a Sério

segunda-feira, fevereiro 15, 2010

1º Prêmio Válvula de Rock Catarinense!

Amigos, fãs e parceiros da banda Epopeia...

Já está valendo o 1º Prêmio Válvula de Rock Catarinense!
Uma premiação voltada apenas para bandas catarinenses, que vai eleger ‘os melhores’ de 2009 em oito categorias! Uma forma que o site Válvula Rock encontrou de valorizar o trabalho dos grupos que correram o ano inteiro atrás do seu espaço nas árduas estradas barriga-verdes. A votação é aberta ao público e é válido um voto por e-mail.



duas bandas chapecoenses estão no pareo:

Epopeia na categoria: Revelação!

Repolho nas categorias: banda do ano, melhor disco, melhor música.
Maiores informações e votação no site: www.valvularock.com.br/premio

·        Contamos com o apoio dos amigos, fãs e afins!
Votem, votem, votem... e ajudem-nos a divulgar...

Gracias y adelante el rock!

sexta-feira, fevereiro 12, 2010

Agito com Balalau: Epopeia, rock e ar condicionado!


O projeto Start do SESC Chapecó reuniu fim de semana passado duas bandas de rock da cidade. Uma delas na sexta feira, a Ultraleve que eu não consegui ver e a segunda delas no sábado, a banda Epopéia que eu fui ver. As constatações são muitas e isso faz com que eu precise começar por algo. Sério???
Vamos começar pelo SESC. Já trabalhei no SESC (em 95) e as minhas reclamações sempre foram no sentido de utilizar melhor a estrutura disponível. Anos mais tarde percebe-se uma movimentação cultural via SESC que é sensacional. São pequenos eventos em quantidade intensa que privilegiam muitos dos setores culturais. Ou seja as reclamações ficaram para trás e a partir disso vem as propostas de parcerias. Reclamar é fácil, difícil é pensar em algo palpável e realizável. Hoje o SESC Chapecó nessa área de eventos é coordenado pela Camila e pelo Marcus Bonilla, duas pessoas extremamente receptivas em relação a novas idéias e projetos. Ou seja, além dos tradicionais projetos que o SESC nacional proporciona para todo o Brasil podemos pensar em eventos regionais.
No sentido do rock o espaço pode se transformar numa referencia, devido as casas noturnas não abrirem espaços para algo que seja cultural e invistam cada vez mais em aspectos que tragam dinheiro. Tudo bem as casas noturnas tem essa finalidade. É um negocio e o objetivo é ganhar dinheiro e blá blá blá… já disse isso um milhão de vezes. O que faz com que os movimentos artísticos tenham que ser criativos e mais do que isso buscar alternativas. Cansamos de nos gabar que participamos de um movimento de rock alternativo. Vamos mostrar essas alternativas a partir de criatividade. Ser alternativo na minha concepção é gerar alternativas. Dá mais trabalho, mas a recompensa (que não é financeira) é muito maior.
O espaço do SESC não é muito grande. Cabem cerca de 100 pessoas, mas tem ar condicionado e é de graça. Não pode beber e nem fumar. Ou seja um lugar ideal para promover algo mais interessante. Parece comentário de velho e até é. Mas ali podemos mostrar que o rock (ou qualquer outra manifestação artística) pode ser civilizado.
Vamos ao show, ou melhor fui ao show. E poderia nesse exato momento resumir o que eu vi com uma única palavra: emocionante. Pra mim que acompanha isso tudo desde muito tempo, é emocionante ver uma banda chegar num nível tão bacana em relação ao que fazem. Mais do que isso, a apresentação do Epopéia só comprova que se tiver estrutura bacana fica mais legal. É muito simples ter esse parâmetro. Olhe os show que o Epopéia (ou qualquer outra atração musical) faz na Efapi por exemplo e teremos um bom parâmetro comparativo.
 Sobre o amadurecimento musical e conceitual do Epopéia, já venho comentando isso há um bom tempo. E esse amadurecimento ao meu ver vem da percepção de que o rock (estilo musical, estilo de vida ou rótulo blá blá blá) não é só a música em si. Ele pode agregar elementos e se transformar em arte. Sempre vai ser a força motriz e o objetivo é a musica, mas pode conter diversos outros elementos que incrementam tudo isso gerando novas perspectivas e sensações. As referencias estão ai para ser usadas. E nesse sentido as perspectivas são ilimitadas. O próprio Nico num determinado momento do show explicou que o show tem referencia de cinema, literatura, artes plásticas, fotografia… Tudo evolui num cenário propicio para evolução e proporciona para o publico (fãs, parentes e amigos) grandes apresentações. É perceptível isso. E esse talvez tenha sido o show mais legal que eu vi do Epopéia (em termos gerais com certeza). Tudo acontece de forma organizada nos bastidores, para que a explosão seja no palco e proporcione ao público possibilidades sensoriais. É o lado conceitual e estético agregando valor na apresentação. Foi isso que eu percebi no último sábado. Nesse sentido o rock adquire uma outra dimensão.
No repertorio canções da autoria da banda. Afinal era o lançamento do segundo ep (em Mo.vi.men.to) do grupo. Canções novas que apontam caminhos para um próximo ep e também os covers que se inserem como releituras no processo todo apontando as referencias musicais. E foram somente dois (num repertório de mais de dez músicas), “White Rabbit” do Jefferson Airplane e no bis “Formato Cereja” da banda nordestina Plástico Lunar.
A abertura do show foi muito bacana. Tudo começou com uma interferência de rádio, as cortinas fechadas e um filme sendo projetado nas cortinas. O filme em questão “Através do espelho” da trilogia do silêncio do Ingmar Bergman proporciona uma metáfora interessante se pensarmos que estamos falando de um show de rock. O filme preto e branco derretia enquanto a banda promovia sons e ruídos psicodélicos. A música funcionava como trilha sonora do filme, que ao serem abertas as cortinas, passava a figurar como parte de um cenário em movimento. Uma mistura interessante de propostas. Estava tudo ali para o deleite de todos aqueles que compartilham referencias. Desde os primeiros instantes, nos primeiros acordes era possível deduzir tudo. A formula sem fórmula, o rock anos setenta, a psicodelia, Alice no País das Maravilhas, Bergman e tudo mais que os seus olhos pudessem ver, ouvidos ouvir e a cabeça relacionar. Um cenário conceitual servido de base para uma apresentação musical regida por uma luz discreta e um som impecável. O som estava muito bom e isso proporciona certa tranqüilidade e segurança na banda que brinca num cenário minimamente pensado e construído para isso.
Parabéns ao SESC pela iniciativa de abrir esses espaços as atrações locais. Parabéns ao publico que compareceu mostrando que temos em nossa região pessoas interessadas em algo diferente. E parabéns ao Epopéia por nos proporcionar uma noite agradável de rock, sensações e ar condicionado.

foto e texto de Roberto Panarotto (Repolho):

http://acb2.wordpress.com/2010/02/11/epopeia-rock-e-ar-condicionado/

a Epopeia continua...