terça-feira, janeiro 12, 2010

Quinta, 31/12/09 - a virada!

Acampamento armado, “Calça Rasgada” ocupando espaços. Fomos até o “Palco do Sol”, o palco diurno e pouco menor do psicodália. De cara, a primeira banda que tivemos o imenso prazer de apreciar e curtir, foi a paulista Baratas Organolóides. E que banda! Essa eu não conhecia. Seu som me fez lembrar por instantes de uma das bandas que mais gosto atualmente, o Mars Volta. Algo de ritmos brasileiros, só que plugados, algo de jazz, certo peso no estilo King Crimson e Soft Machine. Um som garage-psicodélico mais contemporâneo, com muita energia e dissonâncias. Um batera com pegada e estilo, muito quebrado e com swing, baixo e guita entrosados e um outro guita (o de chapéu), muito bom, um dos grandes do festival. Boa presença de palco, bom vocal e belos trabalhos em coro dos vocais, cantando em três vozes, muito legal! Em suma, um dos destaques deste festival. Uma das bandas que mais gostei de ver e ouvir neste psico. Quebradeira do começo ao fim!




Caída à noite, sobe ao palco, desta vez ao “Palco do Pasto” (o palco noturno e maior, dito principal), uma das bandas que mais gosto do rock nacional no momento, e das mais esperadas por mim, a curitibana Sopro Difuso. E o que dizer desse show? Simplesmente espetacular! Um dos pontos altos do festival, só para começar a noite. A coisa estava emocionante, como sempre achei as apresentações da Sopro, só que desta vez com algumas novidades. Além das novas canções, muito boas por sinal, a presença de um guitarrista novo, o filho do Jacir (vocal e violão), que fez um belo solo ‘a la Floyd’ no show. O guri, deve ter no máximo 13 anos, e já manda muito bem na guitarra. De repente, eis que surge no palco uma belíssima negra que leva o nome de Michele Mara (de uma beleza dessas que não figuram em medíocres revistas de padronização estética) , dona de uma voz tão bela quanto sua presença, cantando junto à banda uma das minhas músicas prediletas da Sopro: “Sinal Fechado”. Deusolivre! Quase tive um treco. Coisa linda! Não tem nem como explicar o que foi aquilo. E o show continuou intenso e belo até o final. Sopro Difuso, tem letras muito boas, belas canções e o Érico e um dos melhores guitarristas do festival, que faz a guitarra chorar em solos ‘a la David Gilmour’ e arranjos muito bons, além de um grande flautista (belos arranjos também). E o que são os duetos de guitarra e flauta desta banda? Tudo muito bem casado com os vocais, baixo, bateria e o violão trabalhado de Jacir. Enfim... Sopro Difuso é vendaval!


Eliz (Epopeia) & Michele Mara


Depois foi a vez da banda nordestina, de Aracaju, Plástico Lunar, outra das mais esperadas por mim. Curtimos um monte esta banda (falo em nome da Epopeia), pelas musicas e por ter algo haver com o nosso som, tanto que fazemos uma releitura da musica “Formato Cereja”. A banda possui um dos grandes discos do rock independente nacional dos últimos anos, na minha opinião. Plástico Lunar é daquelas bandas que tem o que mostrar, fazendo um disco cheio onde todas as faixas são audíveis e tem a marca da banda. Uma banda com voz própria. Não sei se foi impressão minha, mas a banda estava menos à vontade do que o show que havia visto anteriormente no psico do carnaval. Apesar disso, foi um bom show. Belos arranjos, vocais, e músicas. Uma das bandas mais entrosadas e características do festival, que possui um belo disco recheado de grandes canções. Depois me encontrei por algumas vezes com a banda e seu produtor. Trocamos idéias, fotos e contatos. Os bichos são muito simples e legais. Espero ver a Plástico no próximo psicodália (ou antes ainda, se possível). Viva a Plástico Lunar!


Epopeia & Plástico Lunar (só faltou o Tuba), ao lado Transitions


O palco do Pasto deu um tempo para a virada de ano. A organização armou uma “ceia comunitária” para os presentes. Imaginem o que foi aproximadamente 4000 cabeças reunidas numa virada de ano de rock... ish! Fogos, tragos e abraços. Conhecidos e desconhecidos em abraços de saúde e feliz 2010, tudo muito divertido. Neste momento a falta de algumas pessoas que deveriam estar entre nós se sente mais (e a distancia e a saudade  ampliam seus horizontes), assim como a presença de outras, que felizmente estão. E o mundo gira (literalmente), ainda bem! Eita trago! Depois do estouro das espumantes, das frutas, dos fogos, gritos e abraços, o espetáculo continua. Sobe ao palco a banda de “Clown Music” porto alegrense, Bandinha Di Dá Dó, para prosseguir a festa e fazer da virada algo maior ainda do que estava sendo. Já conhecia a banda do psico passado. E que festa! Que espetáculo! Canções e uma presença de palco pra lá de divertida da banda de palhaços. O povo todo cantando junto, dançando e tudo mais. Uma multidão dividindo alegria e espaço, pois “a felicidade so existe quando compartilhada” (leia-se Thoreau). Alegria e diversão. Novos desafios. Novas paixões... E o ano começa muito bem, obrigado!





Fim da empreitada, pelo menos para as bandas do “palco do Pasto”. E para fechar a noite, subiu ao palco a banda mineira de Belo Horizonte, Zé Trindade. Também já conhecia a banda do psico passado, que havia feito um dos melhores shows daquele evento. Desta vez, repetiram a dose. O show iniciou com algumas canções de viola caipira, como um blues de viola muito bom! E o show foi destruidor. Um dos grandes bateristas do festival, com um dos grandes baixistas e para concluir, um grande guitarrista, resumindo, o que chamam de “power trio”,  o Zé Trindade realmente é. Muita competência, com uma presença de palco formidável. Uma porrada após a outra. Assim foi, novamente, uma das melhores apresentações do festival. Dá-lhe Zé!




Sexta, 01/01/2010







Depois da Fantástica virada de ano e boas-poucas horas de sono, e tudo mais, levantamos perto do meio dia: banheiro, almoço e palco. Chegamos no ‘palco do Sol’, para ver a banda curitibanda Trem Fantasma. Já conhecia a banda de outros psicodálias e de algum contato pela net. Subiram ao palco e deixaram sua marca, com uma pegada, belos timbres e riffs de guitarra ‘a la’ Cream, Slade e Allman Brothers. Destaque para o guita, que manda bem. Depois conversei com o cara, muito gente boa! Bela apresentação, como a do psicodália anterior, que mexeu com o público e fez jus ao que estava acontecendo na fazenda.








Passaram-se alguns minutos, e como também sou psicodélicamente humano, fui comprar uma gelada. Sentei na sombra de algumas árvores com o povo da ‘calsa rasgada’ para relaxar um pouco, até que começasse a próxima banda. A banda paulista Massahara subiu no palco, tocando seu hard rock setentista, com muito estilo e competência. Belos riffs e uma pegada hard para ninguém ficar alheio. O baixista estava um pouco ‘a pé’ de instrumentos (leia-se fotos abaixo). E o rock comeu solto.





Depois, voltamos as barracas, descansar, comer algo, banho, etc. Já estava escurecendo quando começou no ‘palco do Pasto’ a banda de Curitiba, do xará- guitarrista e vocal Hermann, Mesa Girante. A banda fez uma apresentação boa, como da outra vez que a vi. Gostamos, eu e a Liza, muito da música ‘Assombrações’, uma bela canção com pegada blues e um clima jazzístico soturno. A platéia correspondeu cantando junto algumas canções. Destaco as belas composições, os serenos e belos arranjos de guitarra do Hermann e os solos e arranjos de harmônica (o cara toca muito!). Depois, por algumas vezes encontrei o xará por lá com a vocal, sua companheira (a mina alcança um agudo que se confunde com o agudo do wah da guita, nossa!), sempre simpático e divertido, além de talentoso (também, com um nome desses, não poderia ser diferente, não é? Hehe!).








Em seguida subiu ao palco a banda, já ‘clássica’ também no festival, O Sebbo. A banda fez uma apresentação boa, com suas músicas cantadas pelo público e tudo mais. Mas algo havia mudado. Sim, Hermann (o xará), saiu da banda, sendo substituído por um guita, a altura, diga-se de passagem. O bicho toca bem também, só que com uma pegada pouco mais pesada. O batera é novo também, e entrou no lugar daquele que era um dos maiores bateras do festival. Mesmo não sendo fácil, o cara mandou bem. Mas, se dissesse que o batera anterior não fez falta, estaria mentindo. E senti falta também do vocal do Hermann, se bem que o tecladista canta e toca muito! Uma bela apresentação, diferente eu diria. Talvez a mudança tenha dado uma balançada na banda, mas O Sebbo, ganha muito com suas belas composições.









A próxima apresentação foi a da banda também curitibana Sopa. Já conhecia a banda dos outros psicodálias, e só posso dizer que suas apresentações são sempre boas. Uma banda que enche o palco com seus vários membros e instrumentos. Uma banda boa de se assistir, pois tem uma boa presença de palco, usa cores e a vocal é a melhor interprete feminina das bandas na minha opinião. Tem um vocal estridente, mas que combina com a proposta da banda e com ela mesma. O baterista é o Ivan (vocal-flauta do Confraria da Costa), e também canta. Uma das bandas mais competentes no palco. Baita show, outra vez.
 




Chegou a hora de uma das bandas mais esperadas do festival. Não por mim, confesso, a porto alegrense Pata de Elefante. Mas mudei de idéia durante o show. Os caras denotam, literalmente! Já conhecia a banda ao vivo. A primeira vez que a vi, foi em Passo Fundo/RS, no festival Armênios On Fire, há alguns anos. Depois, no psicodália passado, no carnaval. E os dois foram grandes shows. Não é por nada que é uma das bandas mais cultuadas do rock instrumental. Uma cozinha simples, mas de primeira, que deixa o guitarrista nas nuvens para tocar. E o bicho, o guita, toca. Toca demais! Uma grande apresentação que fez o público vibrar. E eu vibrei também! Nem fotos tirei, acabei esquecendo, acho... hehe! ‘Do cão!’


Depois da detonação do Pata, foi a vez de uma das bandas, também mais esperadas do festival, a curitibana Blindagem. Também já vi Blindagem uma vez aqui em Chapecó. E na época, tinha sido um belo show, só que com o Ivo Rodrigues (vocal), meio ‘malecho’. A banda tocou clássicos de sua carreira, como ‘Gaivota’, do primeiro disco, com um belo e longo solo de guitarra ‘a la’ Floyd. Tenho este disco em vinil. Conheci a banda em meados dos anos 90, quanto tocávamos em um festival em Francisco Beltrão/PR, e ganhei o disco de um amigo de uma antiga banda de lá. Músicas de outros discos, com ‘Dias Incertos’, foram tocadas e cantadas em coro pela multidão. Agora, o cume, o gozo, o ápice do festival, pelo menos para mim (e creio que para grande parte dos presentes), foi quando subiu novamente ao palco a belíssima Michele - que já havia cantado no show da Sopro Difuso - e sua voz magnífica, e cantou junto como o Ivo (outro grande vocal), e em coro com a multidão, o clássico dos Beatles, na versão de Joe Cocker, cantada na Woodstock em 1969: With A Little Help From My Friends. Só estando lá pra crer. Emocionante! Dois dos melhores vocais do festival cantando isso com todo o sentimento, ish! Minha boca salgada! E pra não deixar barato, na seqüência mandaram a música ‘Loba da Estepe’. Sem chance! Foi de perder a voz e o rumo. Mas o ‘espetáculo’ não havia terminado. O Ivo largou a voz para o ‘Pato’ Romero, um dos maiores bateristas de rock do Sul do país, que segurou a onda. Nisso, tocaram até alguns cover’s clássicos do rock mundial: Deep Purple, Led Zeppelin e Stepenwolf. E o bicho fez um solo de batera que, ‘sai de baixo!’ Em suma, um dos melhores shows que já vi no psicodália.










quinta-feira, janeiro 07, 2010

Sábado, 02/01/2010:

            No sábado, o rock começou cedo no ‘palco do Sol’. Eram aproximadamente 14h quando a banda de Londrina/PR Mescalha subiu ao palco. Sentamos na grama, como de costume, em frente a este palco diurno, para beber, conversar, fotografar e prestigiar a banda. Mas não deu para ficar sentados. Uma porrada após a outra. Que energia! A banda toca um rock setentista com um pegada garageira ‘a la’ MC5. ‘Do cão!’ Um grande batera, um grande baixista e um guitarrista muito virtuoso, somados a um vocal bom e que tem boa interpretação, dão a banda uma competência explosiva. Destaco o guitarrista que detona (um dos grandes do festival), e a presença de palco assombrosa da banda, o que fez o público vibrar. Show foda!




            Depois da porrada sonora do Mescalha, tive que descer até a barraca. Necessidades básicas, compreendem? Demorei um pouco por lá e depois mais um pouco no banheiro e acabei perdendo o show da Cosmo Drah. Conheço a banda pela net. Só pude ouvir de longe um cover da banda setentista brasileira A Bolha, e de cara tive a impressão de ser a Cosmo Drah tocando.
            N’um momento, passei a mão em um livro do Neruda que me acompanhava, um caderno de anotações e caneta e fui sentar perto do lago, para ler um pouco de poesia e tentar escrever algo. Não sai nada que prestasse. Mas ler Neruda foi bom! Precisava deste tempo com a solidão. Depois fui caminhar. Chegando próximo ao palco do Pasto, lá estava o palhaço-vocal e acordeonista da Bandinha Di Dá Dó, fazendo uma apresentação na grama, junto ao público que o cercava. O homem banda, acompanhado de seu cão, com seu acordeom, seus apitos e percussões acopladas pelo corpo (uma engenhoca que funciona, e muito bem!), fez sua apresentação festiva-participativa. Muito legal e divertido. Por alguns instantes, uma apresentação de rua, musical-teatral, fez risos crescerem. E entre aplausos e a participação do povo, o clown deu seu show.
 



            Quando voltei para o palco, estava se preparando para tocar a banda O Conto. Vi parte do show. Gostei. Foi quase como o do carnaval. Belas músicas e arranjos do guitarrista e tecladista, que tocam muito bem e são criativos. Klaus, o batera, violão, trompete e flauta, é um dos organizadores do festival, e manda bem dentro da banda. A banda fez um bom show, onde a galera cantou junto parte do repertório já conhecido.




            Caída a noite, no dia mais esperado por muitos, o dia dos Mutantes subirem ao palco. Nos arrumamos cedo, depois de um breve descanso nas barracas. Jantamos e fomos perto do ‘palco do Pasto’. A primeira banda a se apresentar foi a ‘clássica’ dentro do festival, de Itajaí/SC, Casa de Orates. Não vi direito o show, pois estava um pouco mais longe do que geralmente costumo ficar, que é bem próximo do palco. Mas pelo que vi/ouvi, posso dizer que a banda mantém certa competência. Casa de Orates é uma banda cênica, além de musical, e fez uma apresentação boa, como sempre. Já vi/ouvi 5 vezes a banda tocar, sendo uma em Chapecó e 4 no psicodália, e destes shows, pouco mudou um do outro. Fotografei, mas não salvei nenhuma foto (por causa da distância).
            Na seqüência, seria a vez da banda Gato Preto. Mas houve algo que deixou a banda para depois dos Mutantes. Demorou um tanto e a banda mais esperada pela maioria, creio, Os Mutantes, subiu ao palco. Fiquei o mais próximo que pude, nomeio da multidão. O show, foi digamos, bom! Não gostei muito do repertório apresentado nem de alguns timbres de guitarra. Fora isso, o show foi bom. Destaque para o grande batera Dinho, que tocou muito! O show gira muito em torno do Sergio Dias. Mesmo não sendo para mim o show mais esperado do evento, nem o melhor, cantei junto ‘El Justiciero’, ‘Balada do Louco’, ‘A hora e a vez do cabelo crescer’ e ‘Jardim Elétrico’ (o ápice do show na minha opinião). Até fiquei surpreso quanto tocaram. Foram felizes na escolha das músicas do disco novo, pois tocaram umas 4, das melhores. Não gostei da versão pop de ‘Ando meio desligado’, e fiquei feliz ouvindo ‘Panis et Circenses’. Foi um show mais comportado, com alguns efeitos na guitarra do Sergio Dias. Vi um show dele n’um dos psicodálias já, e a coisa foi meio parecida. Senti falta dos moogs e sintetizadores, da Simone (percussionista), e principalmente do Arnaldo Baptista. N’um momento, parte da platéia gritou em coro: ARNALDO, ARNALDO!!! Foi um belo show, da banda mais importante do rock nacional, mesmo não sendo mais a mesma.




            Depois dos Mutantes, foi a vez de outra banda ‘clássica’ do festival, a Gato Preto (opa!, ex-Gato Preto). A banda mudou o nome para Confraria da Costa, por alguns motivos que, por mais que foram explicados, acabei não compreendendo. Gostava do nome Gato Preto, do símbolo e tudo mais. Sou admirador confesso dos piratas e suas histórias ultramarinas. O certo é que o nome não interfere no som, e novamente o Gato... ops! desculpem! a Confraria da Costa fez um baita show. Os Mutantes, foi um show mais harmonizante, digamos, onde se cantou no meio de lágrimas e sussurros. Uma responsabilidade subir no palco depois dessa histórica banda. Mas, como canta o próprio Confraria: ‘Coisas piores acontecem no mar’. O caos voltou ao palco, para minha satisfação. Musicas embaladas pelo canto dos piratas, muito rum e suor. Dancei até não agüentar mais, bicando minha garrafa de seleta (cachaça mineira da boa!), cheguei a esquecer das fotos (hehe!).  Cantei muito... ‘deveras p’ra caralho!’. Destaque para a presença de palco - uma das melhores de todo o festival - para o Abdul (grande batera!), o violinista (que figura!), o guita jazzístico, o Ivan nos vocais roucos de rum e sua flauta... ufa! Enfim, uma banda que oferece um clima anárquico ao público e local, e me faz lembrar de uma banda que gosto muito, a ‘Gogol Bordello’, além da alegria de estar compartilhando a felicidade com o outro. ‘Viva a Confraria da Costa!’
Para encerrar a noite, subiu ao palco a banda paranaense de Ponta Grossa, Cadillac Dinossauros, num belo show. Como das outras vezes, Cadillac mostrou muita competência e boa presença de palco no festival. Tocou musicas novas do novo disco, e me parece que está de baterista novo também. Uma grande apresentação para encerrar esta, que foi a última noite do festival, e de certo modo, entristecer o público, que no dia seguinte, iria embora. Cadillac Dinossauros fez sua parte, levando diversão e balanço para o público, que dançou e cantou e prestigiou o instrumental bem afinado da banda. Muito foda! Outra vez!




Depois disso tudo, ainda fomos, eu e a Liza, parar dentro do Saloon, um local fechado onde acontecia muita coisa. Música, trago, conversas, etc. ficamos por lá um tempo e quando o cansaço finalmente nos venceu, fomos p’ra barraca. Entramos no Saloon e estava escuro. Quando saímos, estava claro.

Domingo, 03/01/2010:

Ultimo dia do festival, e lá estávamos nós, levantando acampamento. Juntar o lixo, nos despedir da vizinhança de outras cidades-estados que compartilharam o espaço conosco... e o acampamento, ‘Calça Rasgada’, ficou na nossa história pessoal.
Enquanto tomávamos banho, depois almoçávamos, ouvíamos de longe o Plá, (este não precisa nem comentar, não é? – figurão do festival), e depois a banda Maxixe Machine, com seu samba-mpb-bossa-rock. Uma banda de musicalidade mais ‘brasileira’, com muito estilo e profissionalismo.
Depois, para encerrar o festival, subiu ao ‘palco do Pasto’, a Terreno Baldio. Confesso, não esperava tanto. No fim de tudo, onde a maioria se preparava para a volta, ficou até um pouco ‘injusto’ a banda tocar neste momento. Terreno Baldio, merecia tocar em horário e noite privilegiados. Mas mesmo assim, o público respondeu a altura e a banda simplesmente deu aula de rock progressivo. Coisa de louco! Que competência! Músicos de primeira, com belas músicas e arranjos futuristas. O baixista, um monstro. O tecladista, dos melhores que já vi/ouvi ao vivo. E o Mozart Melo (guitarrista), esse dispensa comentários. O grande professor de outros grandes nomes da guitarra no país. Uma banda de maestros. O vocal emocionado e cantando com toda a serenidade. Técnica e sentimento. Virtuosismo e simpatia por parte dos músicos. Que show! Que banda! Me surpreendi com aquilo, e olha que para me surpreender é difícil. Enfim... Terreno Baldio, foi um resumo de tudo em música que rolou no festival. Só isso. Quer mais?







* E foi assim que aconteceu pelo meu olhar, um dos maiores, senão o maior festival de rock independente do Sul do Brasil.


Epopeia & Estúdio A no Psicodália: adesivos em vidro de restaurante de posto na BR

2010 – Onde está o som?

2009 foi um ano produtivo para nós. Tocamos bastante, com bandas locais, outras de fora, com personalidades ativas do rock independente, como foi o caso do Astronauta Pingüim, dos Tomates, em terras distantes, como Curitiba, pela região, etc. Lançamos o CD novo, fizemos novas canções e tudo mais. Agora nos surgem novos projetos, novos contatos, espaços, novas amizades... O Entrevero de Rock, decolou, e mesmo ainda estando em vôo rasante, ele existe e tem seu motivo real. Os espaços na cidade ainda são/estão restritos, mas a batalha continua e a guerra só acaba com a morte, enfim. Em 2010, disco novo (ou músicas novas gravadas), vídeos e projetos desConcertantes pela cidade, região e terras distantes. Aguardem as novidades! A Epopeia continua...

terça-feira, dezembro 15, 2009

Listas, eleições e outras tentativas...

Em minhas navegações quase cotidianas pelo oceano virtual - que é a internéte, encontrei em alguns sites, blogs e outros endereços virtuais - uns ditos ‘especializados’ outros nem tanto e outros ainda, nada especializados (e isso pouco interessa), encontrei mais uma lista ou eleição dessas que o dito universo pop-alternativo-underground-independente adora fazer, talvez para ter o que falar ou para legitimar alguma ‘verdade’, interesse, gosto, opinião popular, ou sei lá o quê. Algumas revistas são peritas no assunto listas. Sites e blogs? Um pouco.  Basta os leitores acreditarem ou não. Eu, quase nunca acredito. No mínimo, desconfio. Se bem que concordo com alguns aspectos dessas listas. Mas só alguns. A última dessas listas (uma das que encontrei entre tantas), está no site ‘Senhor F’, e coroa Los Hermanos como melhor banda/disco da década. Antes de tudo e mais nada, para não deixar nenhum fiel da banda revoltado, quero dizer - e já estou dizendo, gosto de alguns discos de Los Hermanos, e dentro do que se tem por qualidade (n’uma concepção, atual-idustrial), eles gravaram belos discos, e etc. (não é a opinião de ouvinte, mas de produtor-pesquisador-ouvinte, ou pseudo tudo isso). O fato, é que essas listas são feitas segundo o gosto pessoal de quem elege, além da importância (relativa, diga-se de passagem), da ‘obra’, como bem exposto no site em questão:

Como sempre explicamos, a nossa lista é resultado daquilo que ouvimos, ou tivemos condições de ouvir, ao longo dessa década, sem qualquer pretensão de ser absoluta. Mais do que nunca, mesmo com a internet, é impossível arrogar-se a pretensão de ser abrangente o suficiente para tratar qualquer lista como definitiva.

 Eu bem poderia dizer: ‘O Bloco do Eu Sozinho’ (disco de Los Hermanos que encabeça a lista), só é o melhor da década para quem não ouviu um disco chamado ‘Chronophagia’ da banda Patrulha do Espaço, e assim por diante (levando em conta, a ‘qualidade’ e mixagem, timbres, musicalidade, letra, estética sonora, proposta e ‘contemporaneidade’). Talvez Los Hermanos e seu disco estejam entre os melhores. O que é diferente. Aí, até acredito que sim. Assim consta no site Senhor F: ‘O Bloco do Eu Sozinho, dos cariocas Los Hermanos, é unanimidade, pela qualidade musical e poética, assim como pela postura de rompimento com o esquema formal da indústria e a defesa da arte e da criação antes de tudo.’ Isso sim, se pensarmos da indústria para fora. Mas acontece que o lado B, o alternativo ou independente, sempre estiveram por aí, dando suas voltas. O Mopho (2º da lista), é um exemplo disso, assim como a Patrulha. Muitos devem estar pensando que estou sendo chato. Talvez. Mas isso é ‘normal’ (ou pelo menos deveria ser), no universo independente da comunicação independente, inserido no mundo contemporâneo que se preza democrático. Além do mais também tenho meu espaço virtual e existencial, sou, dentro disso, pior ou melhor ou igual aos ‘entendidos’, e ‘artistas’ deste meio: um entusiasta estudioso do rock, dos discos, das bandas, etc. e tal. Também ouço, escrevo, pesquiso, toco, etc. Enfim. Nisso, também estou ‘autorizado’ a dizer o que digo. Importância histórica, claro! Como historiador, compreendo um pouco disso. Mas devo me posicionar: importante para que e para quem? Eis... O disco da Cachorro Grande, que é o 7º da lista, tem lá sua importância, certo, assim como na história do rock dito gaúcho, outras bandas e discos tem: Liverpool, Bixo da Seda, Cascaveletes, Os Replicantes, Graforréia, Júpiter Maça, etc. De tempo e tempo, bandas destacam-se na cena independente, por inúmeros fatores. Várias bandas dessa lista eu anularia e incluiria outras (ainda bem que a chatice da Malu Magalhães não está inclusa – Ah, mas tem o Vangart?! Este, até passa!), mas como a lista não é minha... Aliás, tenho uma, mas é só minha. No fundo, acho que não tenho essa capacidade de listar. Talvez seja divertido isso, mas acho mais divertido ainda escrever algo em torno disso (como estou fazendo agora). Volta e meia, posto algumas bandas e discos que considero fundamentais, sempre tendo em vista sair um pouco dos ‘lugares comuns’ – além do muro. Pois tudo o que se torna unanimidade já passa a pertencer a um sistema de ‘senso comum’ (e dentro da cena alternativa existem cenas e cenas). Escrevo tudo isso, só para dizer que as comparações e eleições listadas, são sempre vagas. Algo pode ser sempre melhor, depende de quem assim considerar. Cada ouvido ouve de uma forma e cada espírito se integra de sua forma na proposta da banda, etc. Los Hermanos fez um disco marco, ou no mínimo memorável, dos melhores da década (contando com o contexto em que está inserido)? Sim, pode ser. Mas o disco da Patrulha (Chronophagia)? Se não estiver além, no mínimo, está ao lado, neste caso. Sendo ou não unânime (aí se leva em conta a estética sonora-musical - qual linguagem é mais aproximada da eleita pela indústria da cultura), que, querendo ou não, influencia de alguma forma o universo independente. Se tudo isso é muito relevante, e creio que seja, ao tempo em que Los Hermanos tem um disco de ‘postura de rompimento com o esquema formal da indústria e a defesa da arte e da criação antes de tudo’, posso dizer o mesmo do Chronophagia da Patrulha. Ou não? O que pesa é o fato do gosto pessoal ou da ‘unanimidade’ em ralação ao que se tem por ‘melhor’ ou ‘pior’? Para que e pra quem? O ‘disco preto’ de 1980 da Patrulha, por exemplo, inaugura uma década, e segundo o site do Júnior (baterista, que mantém a banda até hoje), este foi o primeiro disco independente de rock no Brasil. Sendo assim, é fato: um dos discos mais importantes dos anos 80, assim como o de Los Hermanos, da Patrulha e do Mopho pode ser para os anos 2000. Pessoalmente,  musicalmente falando, gosto mais do Mopho do que de Los Hermanos). Enfim... escrevo tudo isso, talvez, só para ter o que dizer, ou para contrariar um pouco a própria ‘verdade’ da cena que a própria banda da qual faço parte faz parte. Muito confuso? O tanto quanto poderia não ser. Não faço listas, apenas indico algumas audições... Ah! a Repolho, conterrânea, uma das mais significativas/expressivas bandas da região (e porque não do sul), está na 18ª posição da lista Senhor F. Ufa! Uma do ‘Velho Oeste’! Para comprovar que de facto, não estamos totalmente liquidados...

Sites/blogs pesquisados:


 * Obs.: três espaços propagadores da cultura rock, confiram!








'ma non von me briga!'  'roquero bão vai pro céu'!


quinta-feira, dezembro 10, 2009

Hoje percebi.. que venho me apegando as coisas...



* Em 2004, quando Arnaldo Baptista lançou seu disco ‘Let It Bed’, escrevi para ele, nada demais, um bate papo ‘virtual’, e ele, adivinhem... respondeu. E hoje, passados 5 anos, assisti (assistimos eu e a Liza), finalmente, o documentário ‘Loki – Arnaldo Baptista’ dirigido por Paulo Henrique Fontenelle. O Jakson (Joio & Trigo – e que já foi tecladista da Epopeia), gravou no Canal Brasil, o canal que o produziu. O documentário foi feito para a TV, mas devido a sua importância histórico-cultural, foi até o cinema e mais, até os festivais de cinema, sendo premiado em muitos deles. Além da cinebiografia do gênio, ele retrata parte significativa da história dos Mutantes e do Arnaldo, suas bandas, paixões... sua vida, antes e depois da ‘queda-acidente-decolagem’ do 3º ou 4º andar de um hospital. Particularmente, como admirador da obra de Arnaldo, em vários momentos me emocionei, vendo-ouvindo a história que circunda ‘o mestre’ e suas bandas, das quais duas pelo menos estão entre minhas preferidas no cenário do rock nacional/mundial: Os Mutantes & Patrulha do Espaço. Já havia lido o livro ‘A Divina Comédia dos Mutantes’, de Carlos Calado (e indico), um livro muito bom e que também me emocionou (lendo sobre, e vendo, além de ouvindo Arnaldo, me emociono – uma questão de identificação, sei lá!), além de servir na minha pesquisa-tese de História sobre o rock. Depoimentos de várias personalidades da musica nacional e internacional, como Lobão, Dinho (baterista), Liminha (produtor/baixista), Kokinho (ex-Patrulha, falecido este ano), outro gênio-mestre: Tom Zé, Gilberto Gil, o irmão Sergio, Sean Lennon (o filho de John), entre outros, estão registrados neste documentário. Rita Lee não quis participar novamente, mas pelo menos autorizou o uso de sua imagem. Talvez ela não compreenda sua importância (a dela), e participação nisso tudo, ou a dimensão de tudo para o público que admira os Mutantes e para a história da música, ou talvez ainda esteja magoada com Arnaldo ou com o próprio desfecho dessa história. Talvez ainda, fazer parte disso a traga alguma dor viva que ela prefere deixar p’ra trás. Que seja... Imagens dos Mutantes tocando ‘Domingo no Parque’ com Gil em 1967, de outras fazes, com e sem a Rita, até sem o Arnaldo (fase do disco ‘Tudo foi feito pelo Sol’), e de Arnaldo & Patrulha do Espaço, fase ‘solo’, a volta nos anos 2000, etc., estão registradas nesta preciosidade documental. Tristeza e alegria, sarcasmo e crítica, recheiam este trabalho. E isso não é tudo, apenas uma parte da grandiosidade que é Arnaldo. Tom Zé, em um depoimento deixa isso bem claro. O diretor Fontelle foi muito feliz em fazer este filme, e me deixou mais feliz com isso também, pois acrescenta muito do que eu já conhecia e sentia. Terei hoje, no mínimo, uma noite melhor. E para quem ainda não viu, mas pretende ver, apenas reitero o que já disse antes: Estejam diante de um ‘verdadeiro’ gênio!

# Trailler do documentário: http://www.youtube.com/watch?v=izGLQUGZZMs&feature=related


Paulo H. Fontenelle (diretor) & Arnaldo Baptista






quarta-feira, dezembro 09, 2009

el sonido...

El rock de los adioses

Con las guitarras de Wichi Nogueras
y Ramón Fernández Larrea

Y todos estos hombres que bailan
¿Van a morir? ¡Yeah!
Y los bárbaros que no llegan
Al poema del griego, ¿van a morir? ¡Oh, yeah!
Y el pájaro azul que me despierta
De la horrible pesadilla
En la que chapaleo ¿recubierto de lodo? ¡Yeah, yeah!
¿Y los niños, por Dios,
Los niños que vuelcan el cesto de sus voces
En medio de nuestra estúpida historia?
¡Sí, nena!
Y la luna rasurada y palmoteada con lavanda
Y la muchacha loca como los pájaros
Y los ríos donde la muerte se baña una y tres veces
Y las idiotas mañanitas de Dios
Y todos los poetas los engolados los puros
Los amorosos los solemnes y los piojosos
Todos los arrogantes y soberbios poetas
¿Van a morir? ¡Yeah! ¡Tres veces yeah!

Juan Manuel Roca
(poeta Colombiano)